segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

BATMAN: Antes e Depois de KEATON (1989)


Em 1989, eu estava me reencontrando com os quadrinhos. Havia parado de ler essas histórias maravilhosas por razões pessoais. Mas por causa de uma HQ que minha irmã havia sem querer trazido para casa, dentro de um jornal do trabalho dela,  eu acabei me reaproximando desse mundo de fantasias.

A HQ era o 2º número, de 4 partes em formatinho e papel de jornal de Batman: Ano Um. E fiquei tão fascinado que comecei a procurar em sebos os outros exemplares, visto não ser mais uma HQ nova, nem ter sido lançada naquele ano, pois as edições eram de 1987 e já estávamos em 1989 dois anos depois que eu as conheci.
Ainda tenho esses exemplares apesar de anos depois ter comprado as reedições de luxo, capa dura e definitivas. Jamais poderia me desfazer daquelas que me devolveram ao fascinante mundo da nona arte. A partir daí me reintegrei a esse mundo lendo tudo que podia e me atualizando ao que tinha acontecido até aquele ano.
Nisso, algo inesperado acontece. Vejo num anúncio pequeno de uma foto só e bem minúscula em uma edição no Jornal O Globo de Maio de 1989 na capa bem abaixo do lado esquerdo uma foto e não acreditei quando eu fitei melhor a foto: ERA O BATMAN!!!! O Batman, em carne e osso, numa foto em um jornal? Quando olhei o título do artigo surtei: "A Volta do Cavaleiro das Trevas as Telas dos Cinemas."...O QUE? O QUEEEEE? COMO???
Foto ilustrativa
Dentro do jornal o artigo era insignificante, sem fotos nenhuma, só desenhos do Batman das HQs, seu logo e outras imagens de personagens do mundo dele. Mas havia uma breve sinopse do filme e que achei interessante pois no final dizia:"Batman volta as suas raízes e deixa de ser um personagem cômico como foi sua última versão na TV, para ser um vigilante implacável na pele de Michael Keaton dirigido por Tim Burton."
Só de ler isso, me agradou muito e a pequena foto (que ainda guardo até hoje de papel de jornal e que me fez comprar o jornal todo e joga-lo fora sem ler depois de recorta-la) foi a única imagem que eu tinha de Batman que iria voltar ao cinemas. Não conhecia nem Keaton e nem Tim Burton e numa época que as informações sobre essas coisas eram muito escassas mesmo depois de meses eu ainda não sabia quem era que estava debaixo daquele capuz e nem quem era o diretor do filme.
Meses mais tarde uma grande revista da época chamada Manchete edição de Julho/1989 fez um grande artigo sobre o que e como seria o filme. E mais que rapidamente comprei a revista. Era uma revista de luxo e eu com meus 20 e poucos anos e desempregado não tinha muito dinheiro. Mesmo assim me ferrei e comprei a revista só para poder ler e ver as fotos do que seria esse filme.
SURTEI DE NOVO!!! As fotos não mostravam o rosto de Keaton que pra mim eram um mistério, mas mostravam o suficiente para eu amar aquele filme antes mesmo de assisti-lo. Eu vi o Batmovel saindo do meio de explosões, a roupa de Batman do Keaton, ele saindo dos destroços do Batwing todo ferrado, ele descendo pelo teto com a capa em forma de asas de morcego abertas e pensei PQP P$#@ ISSO VAI SER F$#$@@#!!!
Uns meses se passaram e saiu outra revista, mais especializada em assuntos de cinema e
que tb não existe mais hoje, chamada SET e que de capa vinha com o Batman que estrearia em Outubro daquele mesmo ano. Já nesse artigo por ser uma revista especializada o artigo era logo com 8 páginas repletas de fotos, desenhos e informações. Aparecia inclusive o diretor Tim Burton numa foto de braços abertos na parte mais alta traseira do Batmovel. Mas fotos de Keaton???? Nenhuma.
Quando numa notícia próximo ao mês do filme se mencionava o ator escolhido e como isso estava gerando polêmicas por causa de sua baixa estatura, magreza e poucos cabelos e se mostrou ele rapidamente na TV, eu também fiquei espantado. Realmente aquele não era o Batman/Bruce Wayne das HQS. Mas eu já estava apaixonado pelo que já havia lido e visto do filme e resolvi ir em frente com minha paixão por esse filme.
Peguei naquele mesmo mês numa locadora de vídeos (naquela época VHS) o tão comentado filme Os Fantasmas se Divertem que ele ficou famoso. E que ironia, um dos atores cotado para o papel de Batman participava do filme, que era Alec Baldwin que tinha mais de Bruce Wayne que Keaton, mas que negou o papel. Mesmo assim não reclamei e vi que Keaton era mesmo um excelente ator.
Bom o resto quem viu o filme já sabe e quem estava na época nos cinemas sabe o que aconteceu. Quem não estava não adianta contar, não vão entender mesmo, só sentindo pra saber. Eu mesmo, vi o filme 5 vezes nos cinemas, por sorte o lanterninha era meu amigo no Cine Olaria do Rio de Janeiro e não precisei pagar nenhuma vez e ainda ganhei de presente o poster principal original do cinema com o novo logo tipo do Morcego (a famosa "boca Banguela") que emoldurei e tenho té hoje.


DEPOIS DAQUILO O CINEMA E O MUNDO DAS HQS NUNCA MAIS FOI O MESMO, O QUE SUPERMAN 1979 COMEÇOU BATMAN 1989 SOLIDIFICOU E O RESTO SÓ VEIO NO RASTRO DESSES DOIS ASTROS CELESTES FEITO COMETAS ERRANTES. E MUDOU TUDO DAÍ POR DIANTE...É ISSO!!!


PS.: Escrevi isso tudo de meus pensamentos e lembranças porque é pura e genuína MEMÓRIA NERD.
Texto: Hude S. Junior

CONVITE!
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

OBSERVAÇÕES RÁPIDAS SOBRE O SEGUNDO TRAILER DE LOGAN...


05.     Só vim achar perto do aceitável o Wolverine feito pelo Hugh Jackman, depois do filme Wolverine Imortal (não que o filme seja bom, mas o cara se esforça) para cá, somando Em sequência o “X-M DDFE” e “X-M Ap”. Haviam alguns motivos, fossem o fato do Jackman ser um ator bem fraco antes (mas sempre esforçado, eu acredito), ter uma aparência muito jovem e um porte um tanto diferente do personagem. Antes, havia as levantadas de sobrancelha, e vários gritos forçados, como em X-M Origens com seus “Viccccctoooooooooorrrrrrrr!!!”. Agora ele consegue ser “O” Wolverine, da maneira mais natural possível.







04.     Aparentemente, tornaram a X-23 (algo que eu tava bem pé atrás) algo realmente bom, porque verdade seja dita, nunca gostei dela nos quadrinhos. Mas essa pivetinha, promete roubar a cena.



03.     O antagonista, ainda não promete ser um adversário de nível. Nos filmes anteriores da “trilogia”, Logan teve dois dos seus mais fortes adversários, que foram desperdiçadas. Cabe aos roteiristas fazerem esse valer como uma ameaça real, mesmo ser os poderes dos antecessores. (E será que vão dizer as que as garras de adamantium cortadas pelo Samurai-manicure regeneraram?!)



02.     Professor X parece deslocado. Fica aquela impressão amarga de “estou aqui como um Plano B da Fox”. Por mais que seja interessante e bem feito, boa parte gostaria do velho Clint Barton, como em Velho Logan. O assassinato dele já é previsível, cabe ao cineasta fazer o público criar uma empatia maior por ele, caso contrário, a vingança (pelo olho do público) se torna vazia e maçante.



01.     Wolverine, após 17 anos desde do primeiro X-Men, FINALMENTE lutando como nos quadrinhos! Há sangue, há perfurações, balaços, esquivas, o Hugh Jackman se movimentando parece até uma ilustração do Adam Kubert ganhando vida. FINALMENTE! Pegue a “famosa” sequencia do Wolverine em X-M 2 atacando os caras na mansão, e vai ver que parece mais um balé do que uma luta séria de um verdadeiro lutador de rua. Até mesmo a “Arma X” do X-Apocalipse não deu nenhuma empolgação, nesse que vós escreve, vi mais gibis nesse segundo trailer, do que em quase todos os filmes anteriores...



P.S 01: Jim Croice tocando no começo do trailer. Exatamente a mesma canção que toca em Django Livre. Coencidência? Vale lembrar que Croice também já tinha sido tocado (epa!) em Dias de Um Futuro Esquecido, durante a cena do Mercúrio...







P.S 02: A Polícia Federal atacando o Logan no trailer em 2:29?! Devem ta confundindo ele com outro barbudo...

P.S 03: AGORA SE ME PERMITEM... ESSE AQUI SIM É WOLVERINE!:



MEGA POST: Tie-ins de Guerras Secretas – Parte 4


Antes de qualquer coisa, é bom lembrar que na época do lançamento de Guerras Secretas, o editor Tom Breevort disse que todos os tie-ins, embora levassem os títulos de grandes sagas que marcaram a Marvel, os autores teriam total liberdade de escolhas e adaptação das histórias.

Guerras Secretas – O Cerco e Caveira Vermelha, com a minissérie Siege, escrito por Kieron Gillen e a Caveira Vermelha, escrito por Joshua Williamson, lançado pela Editora Panini.


Caveira Vermelha mostra um esquadrão formado por Magneto, Electro, Rocha Lunar, Soldado Invernal, Halloween e Lady Letal, sob o comando de Ossos Cruzados, que foram enviados a mando de Destino para se certificar de que o Caveira Vermelha estava realmente morto. Lendas diziam que o Caveira havia sobrevivido às Terras Mortas e seus ideais de que Destino era uma farsa começavam a se espelhar pelo Mundo Bélico. Não sou de fazer comparações, mas foi inevitável não pensar no Esquadrão Suicida ao ler as primeiras páginas dessa minissérie em três edições, onde uma equipe de vilões é enviada para uma missão suicida com coleira inibidoras de poder e com sua liberdade em jogo caso sejam bem sucedidos. O problema é que, já a partir da segunda edição, a trama muda drasticamente e se perde, a meu ver. Leitura insatisfatória.

Faz dez anos que a Comandante Abigail Brand lidera as forças de defesa do Escudo rechaçando qualquer ataque contra os domínios de Destino. Enquanto se preparavam para um novo ataque vindo do sul, uma versão futura de Kang aparece e diz que, em 20 dias o Escudo cairá e Thanos será o responsável por isso. A partir daí, um clima de tensão e perigo se instala, à medida que a contagem regressiva para os 20 dias chega ao fim, e os defensores da muralha não fazem ideia de quem é Thanos... até o dia em que ele aparece! Um dos poucos tie-ins que faz ligação direta com a saga principal. Mostra basicamente os últimos dias do Escudo e do domínio do Deus Destino sobre o Mundo Bélico. O humor sagaz de Abigail está presente do início ao fim, sendo a personagem principal. De resto, uma narrativa fluída e um roteiro que não compromete, mesmo tendo de fazer uma conexão íntima com a saga em si. Leitura recomendada.

Guerras Secretas – Zonas de Guerra, com a minissérie 1872, escritor por Gerry Dugan e desenhos de Nik Virella, e Onde Vivem os Monstros, escrito por Garth Ennis e desenhos de Russ Braun, lançado pela Panini.


1872 conta a história da cidade de Timely, governada pelo inescrupuloso Prefeito Wilson Fisk. O único que mantém a integridade e cumpre a lei é o Xerife Steve Rogers. Depois de salvar a vida do lobo Vermelho que seria injustamente enforcado por tentar destruir uma barragem que impedia a água de chegar a seu povo, Rogers desperta a ira de Fisk e do Governador Roxxon, que envia um grupo de mercenários em seu encalço. Um clássico conto de faroeste, com todos os elementos que seus fãs apreciam, envolvendo heroísmo, bravura, corrupção e vingança. Durante a história é possível perceber vários personagens do universo Marvel em papéis bem distribuídos. A arte combina com o estilo da história e deixa no ar um desejo de querer ler mais. Leitura recomedada.

Onde Vivem os Monstros, conta a história do vigarista e aproveitar piloto da Primeira Guerra Mundial, Karl Kaufmman. Enquanto tentava fugir de mais uma de suas armações, se deparou com a bela Clementine Franklin-Cox, que necessitava de uma carona, mas logo foram pegos por uma estranha tempestade que os direcionou a um mundo selvagem e habitado por selvagens dinossauros e criaturas gigantescas. Mas não só isso, o lugar era habitado por uma tribo de guerreiras e escondia mais segredos do que se podia imaginar. Uma história típica de Garth Ennis, com seu humor negro e sem medo de desconstruir um antigo, pouco conhecido, mas bravo herói de guerra, transformando-o em um canalha incorrigível. A revelação final e o destino de Kaufmman fecham com chave de ouro essa história maluca e divertida. Leitura recomendada.

Guerras Secretas – Guardiões da Galáxia 4, Com as minisséries Senhor das Estrelas e Kitty Pryde e Capitã Britânia, lançado pela Panini.


O primeiro arco em três partes, escrito por Sam Humphries e desenhos de Alti Firmansyah, conta as aventuras de Peter Quill, um dos poucos sobreviventes que escapou na balsa criada por Reed Richards e que foi parar no Mundo Bélico. Ele vem se escondendo na Sala Silenciosa e conhece a versão de Kitty Pryde que trabalha para a Fundação Futuro de Deus Destino. Ela está atrás de uma anomalia para Valéria, mas é roubada por Gambit, o Colecionador. Uma aventura rápida e divertida, sem mais nada a acrescentar. Os desenhos cartunescos ajudam a dar o tom cômico da história. Leitura razoável.

O segundo arco em duas partes, escrito por Al Ewing e desenhos de Alan Davis, conta a história de Yinsen City, domínio em que Yinsen foi salvo no lugar de Tony Stark e agora rege seu domínio de maneira justa. Porém, com a chegada de Faiza Hussain, a Capitã Britânia e de seus próprios questionamentos, a cidade toda é condenada a ficar à mercê da rival vizinha Mondo City, regida pela Baronesa e Thor Hill. A arte de Alan Davis continua em alto nível, mas a trama em si é simples e também não acrescenta muita coisa. Acredito que se a minissérie fosse um pouco mais longa, haveria tempo para um desenvolvimento melhor. Leitura razoável.

Guerras Secretas – Homem-Aranha 4: Guerras Secretas 2099, escrito por Peter David e desenhos de Will Sliney, lançado pela Panini.


Guerras Secretas 2099 mostra a cidade de Nueva York, dominada por megacorporações, onde uma delas, a Alchemax financia seus heróis, os Vingadores que são liderados por Miguel Stone, ex-Homem-Aranha. Depois que um de seus integrantes sofre um atentado de morte, os Vingadores são convocados para investigar e se deparam com os Defensores, um grupo de heróis que age de forma independente. Peter David dá continuidade ao universo 2099 que ele mesmo criou nos anos 90, reimaginado para o Mundo Bélico. E faz isso bem a seu estilo, com diálogos sagazes e, por vezes, divertidos, personagens bem definidos e muitas vezes debaixo de um código dúbio, e uma trama que reserva uma pequena surpresa no final. Leitura recomendada.

Guerras Secretas – Vingadores 4, com a minissérie Salve a Hidra, lançado pela Panini.


Em Salve a Hidra, conhecemos mais um sobrevivente da Terra 616 antes de Guerras Secretas – Ian Rogers, filho de Arnin Zola e que foi criado por Steve Rogers e Sharon Carter. Ian vai parar no Mundo Bélico quando enfrentava Zemo momentos antes do fim de tudo, e acaba parando em um domínio regido por Zola e cuja resistência é liderada por Rogers. Rick Remender, criador de Ian, enfoca no personagem tentando lidar com toda essa situação, e aproveita mais uma vez para tratar de questões familiares, assim como fez em sua passagem pela revista do Capitão América na fase Marvel NOW. Além disso, deixa o final com muitas questões em aberto, ficando à cargo da imaginação do leitor. A história complementar traz o agente Hank Johnson da Hidra e seu dia-a-dia. Uma história completamente hilária com momentos divertidos do começo ao fim. Destaque para a cena inicial emulando a invasão de Nick Fury ao QG da Hidra extraído da revista Nick Fury, Agente da SHIELD #1 lançada nos anos 60 com desenhos de Jim Steranko. Leitura satisfatória para a série principal, mas a história do agente Johnson é altamente recomendada, pena que não foi uma minissérie também.

Guerras Secretas – O Fim do Universo Ultimate, escrito por Brian Bendis e desenhos de Mark Bagley, lançado pela Panini.


Fim do Universo Ultimate mostra um domínio diferente de Manhattan. Quando Destino criou o Mundo Bélico, uma “anomalia” passou despercebida e uma mistura das Terras 616 e 1.610 sobraram com alguns heróis de ambas as Terras situados em Manhattan. Agora, eles precisam descobrir o que está acontecendo. Foi mais uma boa história como parte dos tie-ins de Guerras Secretas, mas como um final definitivo para o Universo Ultimate, achei que poderia ter sido melhor, o Ultiverso merecia um fim mais impactante. De qualquer forma, Brian Michael Bendis, que teria todo o direito de por um fim no universo que ele praticamente criou, tratou de homenagear seus dois personagens mais queridos dessa Terra – Peter Parker e Miles Morales. A participação do Justiceiro 1.610 entrando em colapso foi um bom acréscimo, embora não tenha necessariamente influenciado diretamente em eventos cruciais. E mais uma vez, fica claro que o Doutor Destino é um dos, senão o maior nome dessa grande saga Marvel que foi Guerras Secretas. Leitura razoável.

Guerras Secretas – Capitã Marvel e a Tropa Carol, lançado pela Panini. 


Temos o Esquadrão Banshee, a linha de defesa aérea de Hala, liderado pela Capitã Marvel. Suas proezas são conhecidas, mas seu interesse pelo desconhecido pode por tudo a perder. Alguns eventos fazerm com que Carol e suas companheiras comecem a questionar o que há além dos limites de Hala. Esse forte desejo faz com que sejam consideradas blasfemadoras e perseguidas pela Tropa Thor. Capitã Marvel e a Tropa Carol é, acima de tudo, uma história sobre amizade e o forte desejo de satisfazer a curiosidade, sair da zona de conforto, mesmo que isso coloque em risco a própria vida. Leitura recomendada.

Por Roger


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Comece 2017 votando consciente


Olha só como o ano já está começando interessante. Se você não tem Twitter (e se não tiver, pode criar) o cineasta Guillermo del Toro fez uma enquete na conta dele perguntando se as pessoas querem ver Hellboy III. Evidentemente, só existe uma resposta razoável para essa pergunta...


Lembre-se! Seu voto é importante. É MUITO importante! del Toro falou que se conseguir bastante votos ele se reunirá com Mike Mignola e Ron Perlman para discutir seriamente sobre um terceiro filme.Claro que você não tem que votar na mesma opção do blogueiro que você segue... mas se quiser uma dica, eu votei na opção "Hell, yes".

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Hoje é comum confundir norma com apelo ao assédio moral


Hoje é comum confundir norma com apelo ao assédio moral. Nas relações interpessoais, é preciso pensar que a coletividade é composta por indivíduos cujas aspirações não podem ser rechaçadas em função do narcisismo das pequenas diferenças ou pela síndrome do pequeno poder. A liberdade de expressão, por exemplo, não pode ser confundida com o constrangimento do outro pela via da imposição intolerável de um comportamento incômodo e ofensivo ou pela tirania do gosto. Por que uns pensam que outros têm de suportar ruídos constantes de celulares em altos volumes, sons de notificações e de mensagens? Por que uns pensam que outros têm de ouvir Wesley Safadão e semelhantes se não estão sendo obrigados a ouvir Ludwig Van Beethoven e assemelhados?
Nem é preciso pontuar que vivemos sob a hegemonia perversa e a falência ética. Parece estar havendo uma decodificação das normas por antonomásia, pela validação de seu contrário, pela cômoda recusa de admitir que o outro, o semelhante, pertence a uma espécie diversa e sujeita à opressão, à nulidade e ao desrespeito. Isso se testemunha nas relações interpessoais e nos mais variados níveis e setores: na rua, em família, no trabalho, nas reuniões públicas e privadas.
Nem é preciso assinalar, também, que vivemos sob o império das moções ideológicas, dos propósitos do sensualismo exacerbado, da vanguarda das opiniões desencontradas. Precisa-se entender que o conteúdo de verdade que existe no que é pensado só existe enquanto está sendo pensado, que não se encaixa numa realidade circundante: o gosto, a preferência, a convicção pertencem exclusivamente a quem os tem, embora um e/ou outro possam ter algo em comum. O que se pensa é tão somente o que se pensa, nada mais, não é o que o outro deve pensar.
O que existe de mais problemático nas relações interpessoais é o confronto permanente com a diferença, o que regula a identidade. Suportar a diferença é doloroso e difícil. Pretende-se sempre a decalcomania da igualdade, a mesmice da normalidade vulgar que é somente a capacidade de ser excepcionalmente nocivo. Se tudo é igual, pode-se tudo sob a suposição da aquiescência e do consentimento tácito. Se há diferença, instala-se o caos, a desordem relacional insustentável, a virulência agressiva e descomunal da barbárie. Aí está uma das raízes dos totalitarismos e dos retrocessos: se não há suporte para a diferença, caem os marcos da civilidade, que é criminalizada como uma desvantagem a ser sufocada e vencida pelos iguais.

domingo, 15 de janeiro de 2017

DERROTADO...


Aconteceu agora pouco, a "competição" aqui anunciada.

Primeiro foram 10 partidas Bullet, de 1 minuto cada, sem acréscimos.

6 Vitórias do Victor016.

2 Vitórias Minhas.

2 Empates.

Placar:

Ozymandias Realista: 3,0

Victor016: 7,0











SEGUNDO ROUND:


4 partidas Blitz, 3 minutos cada, sem acréscimos.

Placar:

Ozymandias Realista: 0,0

Victor016: 4,0


PLACAR FINAL

Ozymandias Realista: 3,0

Victor016: 11,0




PLACAR GERAL:

VICTOR016: 44

X

OZYMANDIAS_REALISTA: 14

Melhores frases para serem relidas todos os dias, ditas pelo Victor, para não parar de treinar:

"Se eu me preparasse como você se preparou, com suas metas diárias a serem cumpridas todos os dias, garanto que ia ser bem pior pro seu lado, agora como eu falo e cumpro, vai pro seu blog e poste os gifs de caras quebrando o teclado e jogando o pc na parede, haha 44-14, que vergonha, joga a mais de 10 anos e perde pra um "kid" como você mesmo me chamou, que joga há 3 anos.."

"Não tenho interesse em nenhuma partida sua. O raciocínio é o mesmo que eu uso quando te venço."

E a parte principal do diálogo antes da batalha de hoje:



Como se sente sabendo q amanha vai ser esmagado depois de tanto tempo de treino para o match?










Me sinto pronto pro troco. E você? Sem resposta?
Acho que conhece a fábula da Cigarra e a Formiga... É bem o nosso caso.









Me sinto pronto para passar o carro em cima sem piedade.
Você é igual esses cachorrinhos que ficam latindo quando o carro passa, late e late mas quando o carro para, não faz nada, ou seja fala e fala mas na hora da batalha real vai ser a mesma coisa de antes.






Esse é o espirito Victor, acho que já passou da hora da sua lição;
Vou ficar contente em ser o professor dela.
Eu farejo seu medo.
Eu sei que percebeu que não será como antes, que não treinou o suficiente, e que
não ganhará as 10 seguidas. Tremendo na base?
Acha que vai compensar 6 meses de treino meus jogando uma tardizinha de hyper bullet amigável com uns 1800? 
Ahhhhhhhhh, isso tá ficando cada vez melhor, kid.


Não tô treinando, estou me divertindo jogando. Eu sou melhor. jogo a menos tempo, venci as 3 partidas de previa, você está falando que estou com medo para tentar me atingir, mas no fundo você sabe que tô de saco cheio de te esperar e que vai ser um jogo fácil para mim, que seu treino não valeu de nada, você sabe muito bem que não treinei pra esse match, e não vai ser no ultimo que vou treinar kkk, mas só te falo uma coisa, não chore amanha quando eu te mostrar no tabuleiro quem é o melhor, que suas 10 mil táticas feitas não servirão pra nada. Você mesmo disse que espera perder, você sabe que eu evoluo muito mais rápido do que você, independente se você treinar mais, ler livros, jogar mais partidas ou não, essa é a dura e pura realidade, seu papo furado não vai mudar em nada amanha, você não abala minha consciência, estou muito mais confiante que você.


sábado, 14 de janeiro de 2017

GUERRAS PUBLICAMENTE EXPOSTAS - PARTE FINAL


Se recobrando da imobilização causada pelo taser, Jane, a recuperada, se prepara para sair do Billy Burguers.
"É isso que acontece quando você perde tempo com memórias" ela pensa.
- Cuidado, garota - diz o velho barbudo que bebia, - Se continuar desse jeito - ele dá mais um gole - sem nem perceber vai ficar igual sua mãe louca.
- Você... - Jane se vira reconhecendo a voz - Você... é o Velho Jimmy Barbudo.
- Ainda lembra de mim, hum pequenina?
- Eu nunca mais tinha te visto.
- Difícil não te ver com toda a bagunça que tem causado. Em pouco mais de algumas horas e... hehe! Todo mundo sabe quem você é!
- Apenas uma consequência. Eu sou diferente dos outros.
- Com certeza é. Mas pense, menina. Sua mãe, que tanto te deixa triste, também não era diferente dos outros? Também não se considerava mais superior, sensata, racional e essas coisas?
- Será como tiver que ser - ela estava certa do que faria. - Lembre-se Jimmy Barbudo... é só uma história.
- Ora, mas eu estou falando isso justamente porque é só uma história. Você era curiosa e tinha um bom coração, menina.
- Você é legal, Velho Jimmy Barbudo, mas a situação é essa mesmo. Nietzsche já dizia que todo aprendiz acaba sendo um traidor em algum momento.
- ??? Você lê Níti, menina? Eita, eu fiquei nos gibis da Marvel mesmo - e vira a garrafa na boca caindo do banco com as pernas duras pra cima. Jane vai embora e volta à sua revolução...


Mesmo sendo um planeta distante e um evento improvável, dois velhos conhecidos se falavam, eles estavam muito acostumados com improvável. Jack está sentado em frente a um computador jogando RPG com headphones.
- Thomas... você está diferente.
- Ah, você me reconheceu!
- Você está parecido com o Homem-Aranha quando fica com o uniforme negro.
- É! Que nem nas Guerras Secretas!


- Não. Que nem no Homem-Aranha 3, que ele vira emo.


- Ai, Jack. Minha mãe também não gostou não.
- Sua mãe...?
- É. Am... Poxa... Não tem como você fazer uma conta pra eu jogar?
- Não.
- Mas por que, poxa?! Faz uma aí pra mim. Pô, você tem que fazer.
- Eu não vou parar de jogar agora e nem nunca, acabei de pegar a "espada do caralho".
- "Espada do caralho"?! - Exclamou Mary que também estava jogando de outro computador. Aquilo já tava parecendo um lan-house. - Ela existe mesmo? Eu até agora só achei a "espada do cacete".
- Tá todo mundo jogando, Jack - pedia Tommy - me ajudar a jogar aí, po.
- Você não tinha ido lutar as Guerras Publicamente Expostas?
- Poxa, Jack, eu me arrependi - ele começava a lacrimejar. - Eu quero voltar a ser nerd, por favor. Eu não consigo ser legal. Eu sou um bosta, pronto, eu sei. - Ele ficou chorando com seu lápis de olho manchando as bochechas. Se antes estava parecendo a Taylor Momsen, agora ele parecia com Alice Cooper. - Por favooooor, snif, snif... Eu vou contar pra deusa essas coisas que você faz.

Coincidentemente, enquanto Tommy declarava que era um bosta, o único ser vivo já registrado literalmente feito de bosta adentrava maliciosamente a pseudo lan house. Como um cocô de pomba ou de cachorro que não é detectado até já ser tarde demais, ninguém lá dentro podia imaginar a gravidade do que estava para acontecer quando percebessem ele...


Quando Mary se deu por conta, Jeována do seu lado já havia esbugalhado seus olhos e tombado, estando com a cabeça caída no teclado como se tivesse tomado um choque e desligado. O Cocô Hulk misteriosamente não estava lá.

- O quê? O que aconteceu com ela? Meu Deus, será que ela jogou demais?! Meu pai sempre dizia que isso ia acontecer comigo.
- Acho que foi - dizia Tommy com voz chorosa do outro lado da sala - aquele monstro de cocô que tava perto dela. Eu juro que eu tenho nada a ver! Eu não tenho nada a ver com ele, eu não sei porque ele faz o que ele faz.
- Menino - Mary se distraiu. - Você tá parecendo o Peter Parker naquele filme mó ruinzão!
- Ai... por que todo mundo fala isso?

Mary dava leves tapinhas na cabeça da deusa desacordada. Em pouco tempo ela já começou a se preocupar. - Gente! O que será que aconteceu com ela?! Não devia ter deixado ela jogar!

HA! HA! HA! HA! HA! HA!

Ouvia-se uma risada terrivelmente má de fortes chamas que surgiram de repente na sala. Quando elas sumiram foram substituídas pelo homem alado, vermelho e chifrudo.


- Está feita minha vingança! HA! HA! HA! HA! Depois de tantos anos consegui o que queria.
Tommy tremia e chorava em um canto.
- O que você fez? Você é responsável por isso?
- Siiiiiiiim!!! Eeeeeeeeeeu!!! Sou conhecido por vários e vários nomes. É nome pra caralho!!!! Huhuhuhuhu! Às vezes até eu esqueço! Alguns me conhecem como Riot! Eu fui o responsável pela criação do LoL! Quem mais vocês achavam que seria??? HA! HA! HA! Uma eternidade esperando para poder desfrutar de um momento de felicidade genuína!!! Ha! Ha! Ha! VALEU A PENA!!! - Ele colocava os braços para cima espalhafatosamente enquanto falava. - Tudo fazia parte do meu minucioso e longo plano para me livrar DELA! Tudo! Tudo foi planejado para chegarmos aqui! As grandes guerras, as doenças e desastres naturais! O terremoto de Lisboa, o holocausto da Alemanha, o incêndio em Roma, Hiroshima, Chernobyl e 11 de setembro! A eleição de Donald Trump! A inexplicável falta de um final para a trilogia do Hellboy! Foi tudo por minha causa!!! Agora nada... nada mais será igual. Ha! Ha! Ha! O que houve??? Vocês não veem a graça? Por que não riem comigo???










Todo aquele plano...






Todas aquelas proporções e potências...






As lendas e batalhas...






A infinitude de paradoxos e pontos de vista diferentes...






Eram longínquas e insignificantes...






No ponto onde estava concentrada a super-consciência celestial... 





Do mais novo deus...






















COCÔ HULK!

"Eu posso sentir... Posso sentir o infinito... Tempo e espaço... Certo e errado... Noções úteis apenas para interpretações da realidade de seres que não desfrutam do poder supremo do Cocô Hulk!"


Na superfície de um planeta azul e escuro, Mary e Tommy se sentem apavorados e desorientados.
- Ai meu Deus, o que estamos fazendo aqui?!
- Olhe! Ali no céu! É o Cocô Hulk!



"Poder não é o bastante... Para sarar feridas... E apagar pesadelos. Eu ainda me lembro... daqueles risos... deles caçoando de mim... Todos aqueles que se achavam tão superiores... São tão pequenos agora... Não há mais superiores! Há apenas eu, meu poder infinito! Meu poder infinito para reconstruir o Universo do jeito que eu quiser agora!"


- Não, Cocô Hulk! Não faça isso!!!
- Eu não tenho culpa! Eu juro que não tenho culpa dessas coisas!

"Vocês que compartilhavam daquela lan-house serão os primeiros a presenciar a Nova Ordem Universal! Os primeiros dias de um novo deus! Agora farei com que realmente tudo seja... cocô."


- E agora?!?!?! A gente vai virar cocô!!! Os boys vão virar cocô! Tudo vai virar cocô!
- Que que tá acontecendo, meu deus do céu?!

Tornando irrelevante sua forma física, o Cocô Hulk podia expandir sua consciência infinitamente... e junto dela... seu poder!



"Vejo na distância infinta...

Sistemas solares que giram em sincronia... 

Os sete reinos da kaballah...

A consciência coletiva paralela ao tempo...

Mas agora são todos apenas...

BOSTA!"


- Não, não! O Sistema Solar!
- Não! A coisa coleti... A... A...?


"Planetas circulados por misteriosos anéis artísticos... 

Memórias de um casamento ancestral...

De um amor insubstituível que muito significou....

Memórias que agora não serão nada mais do que...

MERDA!"


- Ele virou deus e não acelerou a produção do Kingdom Hearts 3?
- Estamos fodidos, estamos fodidos!


"Estrelas...

Constelações...

Pontilhismo que inspira a força criativa de seres caminhando por incertezas e conexões em diferentes tempos...

Por toda a galáxia...

Belos pontos de luz... Sinalizadores de esperança...

Agora apenas esferas flutuantes...

de COCÔ!"


- Oh! As estrelas! E agora?! E as estrelas?! Será que já é tarde demais???
- Quem poderia nos salvar??????


Tudo havia enfim chegado ao ponto onde parecia que não podia ficar pior. Nunca tudo havia estado uma merda em um sentido tão literal! Todo o Universo, tudo o que existia agora era massa de modelar de um furioso, zuero e fedorento Deus Cocô. Desfrutando dos prazeres de sua existência infinita, o Novo Deus sentiu uma influência estranha aos arredores de suas capacidades. Ele era novo nesse negócio de poder infinito, então suspeitou que podia ser apenas um efeito colateral de transformar elementos cósmicos importantes em fezes. Mas droga! Ele começou a ficar com raiva porque não conseguia exercer qualquer controle sobre aquela influência que demonstrava liberdade. Isso não fazia sentido (...), teria como o poder supremo contar com falhas, como bugs? Seria possível ter que reiniciá-lo para poder atualizar?


Enfim a energia não-convidada começava a tomar ordem...

A demonstrar forma e cores...

Essa era a imagem de uma grande... VELHA!






Mas era uma velha super estilosa, pessoal!


"O que que tá pegando?" ela estranhava alguma coisa "Acho que tem algo errado rolando aqui pelo Universo!"

- Nossa! É a Madame Teia!

"Vocês são muito nerds, puta que pariu. Eu não sou 'madame teia', meu nome é Rita Lee!"


- O que será que ela vai fazer?

- Ouça, Rita Lee. Eu me chamo Cocô Hulk e sou a Força Superior do Universo.
- Caraca, você não parece muito bem, amigo. E mais... eu tinha mó certeza que deus era mulher. Tinha até trocado uma ideia com ela.
- Bem... não é mais. Eu... eu... eu sou assexuado.
- Ui, essa é nova.

- Eita! Eita! Olha, ela tem cabelo vermelho! - Mary dizia desengonçada apontado para a gigantesca Rita Lee no cosmo.
- E daí?

"O cabelo é meu, eu deixo do jeito que eu quiser! Mas volte ao que você estava falando, senhor... novo deus... exótico."
- Após muitos anos de sofrimento  e rejeição eu tive a oportunidade de tomar para mim os poderes mais fortes do Universo. Agora estou os usando para realizar tudo que sempre quis.
- Nossa. - Ela torce os lábios. - Transformar tudo em cocôzin?
- Sim. E você? Como veio parar aqui?
- Ô meu amigo, eu queria saber. Hehe, brincadeira. Eu andei tomando uns negócio aí, fiquei doidona, mas não esperava que minha consciência ia vir parar aqui! No Espaço Sideral! Bem, a gente nunca sabe. É a primeira vez que meu amigo trouxe aquela merda. Putz... Tomara que não zoem meu corpinho. Mas me diz um negócio, talvez haja uma finalidade nesse nosso encontro, senhor poderoso. Você quer transformar tudo... em cocô, é isso mesmo? Mas por que isso, gente?
- Porque após ter sido tantas vezes mal-tratado e rejeitado, eu tenho direito à minha vingança!
- Olha, eu já vi bastante coisa, mas isso-- Bem, escuta aqui Deus Cocô! Confia na Rita Lee! Eu sou sua amiga! A gente acabou de se conhecer, mas eu já sou sua amiga, você é meu parsa, tá entendendo? Ouve o que eu vou te falar. Não precisa de nada disso não de ficar transformando o universo inteiro. Pode confiar em mim, isso é besteira, você só tem que ficar de boa. E daí que te tratavam mal? Só mandar todo mundo tomar no cú. Simples. Simples e eficiente. O Univerrrrrso, sabe as forrrrrças do Universo seguem uma orrrrdem... Não adianta tentar evitar.


Alguns lutam por ideologia. Uns lutam por dinheiro, alguns por liberdade, outros porque gostam de uma menina. Vai todo mundo se matando por algum motivo de qualquer jeito. Mas no final? No final, meu amigo? No final tudo vira bosta!


Ela disse essas últimas palavras com um sorriso... mas um sorriso que realmente contagiava com tranquilidade e certeza quanto ao que era falado.

- Pode confiar em mim, viu amiguinho? Não precisa ficar se matando todo aí não, pode ir viver sua vida em paz, porque no final tudo vira bosta!

Mary e Tommy começam a ficar meio transparentes, como se estivessem sumindo.
- Parece que estamos indo embora. Mas se o Cocô Hulk nos trouxe para cá porque a gente tava na mesma sala que a Jeována, então cadê o Jack?
- Será que não é aquele carinha ali no computador? Bem, quem mais poderia ser?


Na crosta do planeta eles podiam ver ao longe um computador sobre uma mesinha com um garoto sentado na frente. Completamente isolados de qualquer outra coisa! Mary e Tommy foram se aproximando rápido, a atmosfera daquele planeta os deixava velozes como o Flash! Chegando lá confirmaram que se tratava realmente de Jack sentado em frente a um computador usando headphones.

- Jack! Você montou esse computador aqui?
- É claro. Como vou jogar direito se ficam me mudando de dimensão o tempo inteiro? - ele respondia sem tirar os olhos do computador.
- O Universo todo tava virando merda! Mas parece que a Rita Lee convenceu o Cocô Hulk a mudar de ideia!
- Vamos embora, Jack. O outro computador que você tinha montado ainda deve estar lá se voltarmos pro planeta das guerras. Ninguém deve ter mexido, tirado do jogo.
Jack pareceu meio contrariado a princípio, mas saiu do computador.

"Falou pra vocês aí, pequenininhos! Acho que meu corpo físico já deve tá acordando..." dizia misteriosa e cativante a Rita Lee "A gente se vê na minha próxima trip. Ou não, sei lá..."


Com uma sensação meio estranha no nariz a deusa tira o rosto do teclado. Ela balbucia algumas palavras sem sentido e então puxa uns negócios que sente enrolados no seu cabelo. São uns palitinhos pretos, parecem uns fiozinhos. Ela olha bem pra eles na palma de sua mão. Ela reconhece esse tipo de coisa... Era como Yu-Gi-Oh, rock and roll e heavy metal, só podia ser obra de...? SATANÁS!
"Esses... Grrr... Foi ele".
Claramente irritada ela bate os fiozinhos do Capeta do lado da mesa. Mexendo um pouco no cabelo que estava bagunçado ela pega o mouse e começa a clicar rápido em uma tela estática.


Click-click-click-click-click-click-click-click-click-click-click-click...

- Que isso? O que aconteceu?

Ela continua clicando como quem não quer aceitar.


Click-click-click-click-click-click-click-click-click-click-click-click...

- Que que houve? Cadê meu jogo?
- Seu personagem deve ter morrido... - fala Mary bem baixo por trás do ombro dela. - Você vai ter que começar outro...
- O QUÊ?! Não!!!


Click-click-click-click-click-click-click-click-click-click-click-click...

- Como, porra?! Tudo por causa daquele chifrudo?! Não, não, não pode ser... isso não pode ser verdade...


Click-click-click-click-click-click-click-click-click-click-click-click...

- A terceira fase é negação...
- Cala a boca, Jack.


Jeována bateu o punho na mesa - NÃO! NÃO PODE SER! NÃO! NÃO! NÃO! NÃO! - Ela agarrou o CPU e começou a sacudi-lo na frequência que reclamava. - Que drogaaa... QUE DROGAAAA!!! - Ela pegou o teclado com as duas mãos e começou a apertá-lo com força.
- Calma! Calma! Dá pra fazer de novo!
- QUE-DRO-GA! EU JÁ TINHA ARRUMADO MEU PERSONAGEM INTEIRO! QUE DROGA!


Conforme já não dava mais pra entender o que era dito, a jogadora enfurecida batia o teclado contra o monitor e batia os pés no chão fazendo balançar a mesa e a cadeira.

- Ela tá tendo um ataque nerd!
- Não, cara! É um ataque dos deuses!

Os personagens estão muito confusos, cara! O narrador precisa explicar!!!


ERA UM ATAQUE NERD DOS DEUSES!

- Ai, eu não lembro! Eu não lembro o nome! Onipresença. Não. Onipotência! Você não pode usar sua onipotência pra recuperar seu save?
- FOI A PRIMEIRA COISA QUE EU TENTEI, MAS NÃO DEU! Eu já tinha feito TUDO! Eu não quero fazer de novo!!!
O teclado então quebra em dois. Ela arremessa os pedaços pro lado e segura o CPU, começando a sacudi-lo enquanto grita.
- Cocô Hulk! A culpa é sua!
- Ah, de quem for a culpa, vamos sair daqui! Desse jeito o dilúvio de Noé vai parecer um futebol no sabão. Olhem lá fora!


O cenário havia mudado. Tudo estava apocaliticamente escuro e os raios que caíam do céu não pareciam ser meros fenômenos naturais!

Jack, Tommy, Mary e Cocô Hulk saem do prédio sem ver ninguém no caminho.
- O que aconteceu? Como tudo ficou uma merda?
- Deve ter sido esse monstro idiota!
- Não fui eu! Eu não mexi com esse planeta! E fiz tudo voltar ao normal!
- Aiiiii... Será que a Jane fez alguma coisa?

Havia um fluxo de várias pessoas se movimentando. Como se voltassem para casa porque tinham ouvido algum alarme. Os quatro resolvem entrar no fluxo para ver se entendem o que está acontecendo.


Não demora e a chamativa deusa se aproxima deles.
- Para onde vocês estão indo?
- Você está mais calma? A sua fúria desencadeou tudo isso!
- Não fui eu não! Eu não estava usando meus poderes - ela responde com sinceridade. - Cansei desses jogos. Não vou jogar essas coisas nunca mais.

Naquele cenário escuro e caótico que misteriosamente havia se tornado o planeta, dava para ouvir a voz de alguém chamando, mas não dava para entender direito. Eles procuraram a origem do som e conseguiram ver um cara de camisa preta acenando. Devia ser ele. Enquanto seguem na direção do carinha a deusa pergunta para eles. - Vocês conhecem aquele DOTA? - mas ninguém responde.

Chegando perto do cara que acenava, eles encontram um bom punhado dos seus conhecidos que estão reunidos por lá também. O cara que havia os chamado tinha na camisa preta uma estampa do Coringa do Heath Ledger.

- Rápido, vocês precisam entrar naquele abrigo - ele diz apontando para o que parece ser uma passagem subterrânea em um cenário meio vazio onde só se vê terra e pedras no escuro.
- Mas o que está acontecendo? - dá pra ouvir fortes explosões distantes, mas não dá pra ver de onde, como se fosse o dia do Juízo Final. O céu, outrora colorido, estava avermelhado, passava uma péssima impressão.
- Não há tempo para explicar - disse o carinha se aproximando da porta do abrigo. Era grossa e de metal, parecia um cofre enorme. - Escutem: as explosões estão ficando mais próximas... Esse universo tem dificuldade de se sustentar por carecer de sentido. Ele surgiu de uma forma muito imprevisível e insegura. É estranho e inconveniente, mas é a forma que ele é, a forma que ele precisa ser. Não temos muito tempo... Ouçam, eu gosto muito de vocês, de todos vocês. Menos do Cocô Hulk.
- Eu já sabia. Eu já esperava.
- Mas as coisas terão que ser assim. Sejam vocês próprios. Não há outra forma de ser. Não que valha a pena... Não importa quanto tempo vocês fiquem trancados aí, o quanto talvez venha a parecer escuro, solitário, triste e desolador, vocês vão ter que esperar. Tenham apenas paciência, e na hora certa vocês poderão sair.

Todos entram no refúgio que parece um cofre e, sentindo que não têm nada a dizer observam conforme a grande porta é empurrada cobrindo a luz e trazendo a escuridão. O garoto some, os sons se abafam... Não há nada.


"Que esperança pode ter uma coisa tão estridente e brilhante? Nenhuma. Absolutamente nenhuma esperança." Alan Moore, em "A Voz do Fogo"






CONVIDADA ESPECIAL DAS GUERRAS PUBLICAMENTE EXPOSTAS

Nome: Rita Lee Jones
Idade: 69 anos
Altura e peso: durante seu tempo de atuação nas Guerras Publicamente Expostas, Rita Lee esteve em ambientes onde sua massa não era mensurável pelos padrões normais.
Conhecida como a Rainha do Rock Brasileiro, Madame Teia e cosplayer de Ozzy Osbourne, Rita Lee foi uma cantora nascida no estado de São Paulo, tendo vendido mais de 55 milhões de discos. Após sair das bandas "Mutantes" e "Tutti Frutti" ela embarcou em uma carreira solo por onde continuou por muitas décadas, experimentando um pouco de outros gêneros musicais e até acoplando sua própria família em sua banda de rock. Além disso, a mulher também experimentou um pouco as áreas de escrita e atuação. Por causa da idade, Rita se aposentou da vida de shows em 2012. O que pouquíssimas pessoas sabem sobre a trajetória de Rita Lee é o quanto ela já influenciou o equilíbrio cósmico nas viagens que fazia usando drogas alucinógenas nos Anos 60. Usando de sua esperteza e carisma, Rita já salvou o Universo várias vezes, mas o problema é que nem ela sabe disso, por não lembrar de nada quando acordava, razão pela qual essas histórias não foram contadas, nem mesmo no seu livro "Rita Lee - Uma Autobiografia", lançado recentemente. A própria autora não tem consciência do quanto as descobertas de suas viagens a inspiraram na composição de suas músicas, tendo muito do que aprendeu em suas aventuras ficado no fundo de sua cabeça. Independente disso, ela será sempre lembrada, além de tudo, pela presença decisiva que teve nas Guerras Publicamente Expostas.






Anos depois...


A porta estava abrindo novamente. Ela era puxada revelando luz cegante para dentro daquele lugar morto. Todos lá vão saindo devagar, como se tivessem acabado de levantar da cama, com calma observando tudo o que aconteceu com o mundo ao seu redor. O cara que abriu a porta do super-abrigo usa uma camisa da banda Pink Floyd e parece estar sozinho enquanto olha todos saírem. Não há nada no horizonte, nada além da terra, o próprio horizonte e o céu. Alguns vão mais a frente e acham uma camiseta preta com a estampa do Coringa na terra, mas ao redor dela só há cinzas e estilhaços.


- O que aconteceu? - perguntam ao cara que havia aberto a porta.
- Eu não sei. - Ele responde. - Eu não sei o que aconteceu. Encontrei isso aqui por acaso. Parecia estar tudo destruído, aí vi essa grande porta.

Eles não sabem e não falam. Apenas olham esperando pensamentos virem às suas cabeças.

Algo finalmente chama a atenção. No céu há um ponto brilhante. Bem longe, mas bem chamativo. Parece até a estrela que guiou os reis magos a encontrarem Jesus Cristo no dia de seu nascimento, mas a diferença é que não é uma estrela, é uma luz verde. Ela vem ficando mais forte, como se estivesse se aproximando. Finalmente chega ao solo próxima de todos, a forte luz verde. Quando os olhos se acostumam é possível ver que se trata de um gato verde e brilhante que havia chegado voando. Um gato radioativo.


Sério, o gato pergunta:
- O que está acontecendo?
- Tarde demais, Gato Radioativo. As Guerras Publicamente Expostas já acabaram.


Fim.

Hmm

Passaram por aqui:

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