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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Review Cinema: Malévola



E houve um tempo, milhões de anos atrás, em que a Disney era uma das maiores forças criativas na mídia do cinema. Sim, fazem séculos e mais séculos, foi na época em que as TVs eram preto e branco e os humanos conviviam lado a lado com dinossauros. Mas existiu. O maior dos feitos foi o Rei Leão, mas outros bons existiram como Aladin, O Corcunda de Notre Dame e Pocahontas. A Disney tinha a faca e o queijo na mão, a molecada esperava alvoroçada o lançamento do próximo filme do verão (americano) e por aquele ano o assunto era aquele.

Esse tempo passou. Foi outra época, outro mundo. Passou, e por algum tempo a Disney ficou quieta (não exatamente. Não ficou sem fazer nada, fez uma coisa aqui e outra ali, nada muito digno de menção, mas fez.). Os ótimos Piratas do Caribe foram uma exceção, a Disney não era mais relevante. Mas foi Piratas do Caribe que deu um empurrão, a Disney sentiu o gosto e tomou gás, comprou a Marvel e comprou Star Wars. E fez Frozen. E fez Malévola. Olha a Disney de volta ao jogo. Bem vinda de volta Disney, acompanharemos com interesse o que quer de novo que você tenha para nos mostrar.


Angelina Jolie é Malévola. O filme não seria o mesmo sem ela, ela É a Malévola, veste a camisa e faz tudo ao seu alcance para levantar a bandeira do filme com o peso de seu nome. E parece estar se divertindo como nunca ao interpretar essa vilã boazinha. Claro, dentro do limite do seu talento dramático. Sim, Angelina não é nenhuma Meryl Streep cenicamente falando, e ninguém está esperando que ela ganhe o Oscar por sua atuação aqui (embora em seu pior dia ela ainda valha mais do que umas cinquenta Kristen Stewarts juntas). Mas boa parte desse filme é o nome de Angelina Jolie nos créditos. E quanto ao resto? Um crítico mais azedo começaria aqui a empilhar as falhas, mas escolho tomar uma estrada diferente, analisar dentro de seu contexto. Parando pra pensar que não foi feito para ser nenhum E o Vento Levou, o filme cumpre seu papel dentro daquilo que se propõe a ser, um conto de fadas no século XXI tentando estar acessível também a jovens e adultos. E a liçãozinha de moral, sobre o beijo de amor verdadeiro? Nesse quesito dez para a Disney, é a mesma mensagem já passada em Frozen, mas vamos continuar martelando.

Porque se fosse pra parar pra analisar o impacto da mensagem antiga da Disney sobre as nossas crianças... Seria pra tacar pedra! Porque era tipo assim, "menina, o primeiro que passar na sua frente e te chamar de linda pode se jogar e ir entregando o ouro". E depois de uma dúzia de contos de fada iguais, qual é o resultado na vida real? Um monte de meninas magoadas, porque na vida real é bem pouco provável que o primeiro cara que esbarrou em você e te chamou de linda seja a sua alma gêmea, cheia de boas intenções. Esse assunto extrapola um pouco nosso escopo aqui, mas é muito relevante, dado o impacto social da coisa. Não que seja só com as meninas, a mídia e a ficção fazem um belo estrago nos miolos dos coitados dos moleques também, mas no caso da velha mensagem Disney para as meninas parece particularmente cruel.

Mas aí a Disney acordou, antes tarde do que nunca, e está procurando passar umas mensagens imbuídas de algum senso de responsabilidade humana pra não foder demais as cabecinhas das nossas crianças. Aê, valeu, parabéns pra ela! E fez um belo filme, esteticamente muito bonito, mágico e agradável. O texto passa bem longe de ser um Quentin Tarantino, e mesmo no quesito fantasia está longe de ter a riqueza de um Guardiões da Galáxia. Mas funciona dentro daquilo que se propõe a ser, e é um bom filme pra se distrair, viajar e sonhar um pouco. Ozymandias Realista dá nota 7,5 e aguarda para ver que outras cartas a Disney tem para colocar na mesa.

 - Ítalo Azul - 


Review Cinema: The Way He Looks/Hoje Eu Quero Voltar Sozinho



Eu li uma vez que todos os escritores do mundo um dia esbarram numa história que lhes dá um aperto no coração não ter sido escrita por eles. "Será?", pensei na época. Olha aí, dito e feito. The Way He Looks/Hoje eu Quero Voltar sozinho é o meu filho ilegítimo perdido pelo qual entrarei com um processo de DNA brevemente. Que pena que não é meu, pois é uma bela junção de tudo que eu ando amando na literatura/ficção por esses dias. Demos uma olhada mais de perto nessa Monalisa, nessa Quinta de Beethoven, nesse Hamlet.


Leonardo é um garoto como outro qualquer, ou quase isso. Se você está esperando que eu dê uma sinopse completa vai ficar decepcionado, eu tenho 3 regras básicas para review: Primeira, nada de spoilers, spoiler não é coisa de gente de caráter; Segunda, nada de sinopse, o preguiçoso dos preguiçosos ainda é capaz de catar a caixinha do DVD e dar uma lidinha na contracapa, eu não estou me propondo a apresentar a história para um ignorante, eu falo a quem sabe e aqui entra a terceira regra, review é pra dissecar as entranhas da obra, não ficar na superfície mas talvez pescar aquilo que extrapola sem necessariamente estar explícito.

Um dos maiores feitos que uma história pode alcançar é quando nos convence de que os personagens são reais e te faz se importar com eles, sentir o que eles sentem. O melhor roteiro do universo nada é se você não se importar com o personagem. Mas quando te convence que é real, te faz sentir o que ele sente se preocupar com o que vai acontecer... Bem, esse é o pulo do gato. Essa é a mágica da coisa. Essa é a promessa que o cinema nos faz.

Leonardo é um garoto como outro qualquer, talvez ele estude na sua classe, talvez ele esteja agora estudando na sala ao lado. Ele é de carne e osso, ele respira, ele sangra e com a sua história te arrebata e quando se dá conta você já embarcou e nem viu. O roteiro acerta no tom realístico, com os garotos bebendo vodca escondido dos adultos ou os encrenqueiros da classe, nada tem aquela cara de ficção inventada, tudo é muito palpável, os diálogos são tão viscerais que é difícil acreditar que não se trate da observação de um acontecido real. E precisamente essa é a mágica da coisa. O filme te puxa para dentro, não tem como não sentir.

Uma vez alguém disse, em algum lugar, que os humanos inventaram a ficção como forma de exercitar sua mente e seus sentimentos, da mesma maneira como as abdominais seriam para os músculos. Se for assim, Hoje Eu quero Voltar Sozinho/The Way He Looks são umas doze horas de malhação intensa. Um esforço que vale a barriguinha sarada depois. 

Aí alguém em algum lugar vai dizer que eu encerrei a resenha sem mencionar um detalhe vital na natureza do filme. Mas aí é que está, acho que não é por aí. Não tem aquela proposta destruidora de paradigmas que era o mote em Do Começo Ao Fim, nem foi feito para ser uma bandeira como o hino Fuck You da Lily Allen. Não é por aí. Essa história existe num contexto contemporâneo sem rótulos, estereótipos ou etiquetas. Leonardo é um garoto como outro qualquer. Mas um que arrancou uma nota 9,5 do Ozymandias Realista.

 - Ítalo Azul - 


Galeria: Mestre Yoda



 - Lucas Roberto - 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Review Cinema: O VIZINHO – A FALTA DE PREOCUPAÇÃO EM INDENTIFICAR UM PROBLEMA EM POTÊNCIAL ANTES DESSE SE AGRAVAR?


     
     Ontem assisti a esse filme, e ele trouxe a tona uma questão que eu sempre me faço: Quais problemas nós podemos cortar de início, e quais não? A história do filme, é relativamente simples, infelizmente cotidiana e pelo menos a mim, prendeu até o final, apesar de algumas partes previsíveis, ou situações não mais aprofundadas (talvez pela intenção do diretor em não ultrapassar os 110 minutos propostos e manter a objetividade no roteiro);

     Eu já tinha visto o trailer desse filme ha anos atrás... Sempre me chamou atenção, principalmente nos últimos anos para cá... O filme nos faz pensar sobre quanto o perigo pode literalmente estar ao lado, e muitas vezes dependendo com o tipo de ser humano que estamos lidando, o quanto nossa diplomacia pode ser semelhante a submissão; Infelizmente o personagem de Samuel L. Jackson não é uma caricatura para servir a um filme de ação, é um mal que existe no meio de nós, pode ser seu pai, sogro,vizinho...

     Temos vagamente a ideia da história se tratar de um vizinho oficial de policia que começa a assediar moralmente um casal, apenas por não concordar com a união interracial deles (ele branco, ela negra), incutindo pânico e humilhando-os (principalmente ao marido)dia após dia, como uma forma de compensar a falta que sente da esposa (morta em um acidente de carro, onde o assassino pode ter sido ele)e uma autoimposta pressão no trabalho de policial que ele exerce a 28 anos.

     Primeiro ele chega se apresentando de uma maneira quase ofensiva ao vizinho, simulando um assalto, mas até ai tudo bem, é “brincadeira”, depois avisa ao mesmo que “escutar por um ano música de negro, não o fará negro”, e puxa brigas infantis por causa de poucas unidades de bitucas de cigarro jogadas na calçada, além de acender refletores toda madrugada bem em frente ao quarto do casal... Porém até ai tudo bem, é apenas um “cara preocupado com a vizinhança agindo”, e disso as coisas vão ficando mais intensas, até culminar em um ponto de ruptura onde apenas um dois vai ficar vivo. O filme nos faz pensar sobre que ponto vigilantismo se torna perseguição e real opressão, que ponto um conselho pode já estar se transformando em intromissão irritante ou até mesmo drástica na vida de alguém.

     Eu penso que muitos de nós já conheceram pessoas semelhantes a essa (espero que não no mesmo nível ou pior que o personagem do filme), eu mesmo já tive um sogro assim, pessoas leais e conselheiras a princípio, e com o passar do tempo se descuidarmos (e não sermos “paranóicos” o suficiente para cortar logo o mal pela raiz no começo) já somos subordinados daquilo, seja com medo de confronto, ou por querer ter uma visão otimista da situação, e são justamente esse tipos de comportamento que vai fazer com que sempre tenhamos pessoas passando por situações de perseguições severas como essas, até chegarem em situações limites que ilustraram as páginas policiais. O longa da um soco em uma área que os mais pacifistas entre nós sempre tentam omitir, em que na vida vão se chegar em situações em que se foge ou luta.

Nota: 5.6


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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

BATMAN – A PIADA MORTAL – MINHA "TEORIA" SOBRE O "SENTIDO" DA PIADA...


Quase a minha vida toda eu detestei irracionalmente a DC. Se haviam dois símbolos máximos dela que eu odiava sem conhecer o mínimo eles eram Super-Homem e O Batman. Um por excesso de poder, e outro por não os ter, desde que eu tinha oito anos conhecendo e admirando apenas a Marvel com o nerd que vira um palhaço (no bom sentido) quando veste a fantasia, com uma família de astronautas voando em um carro, ou os mutantes sendo lixados na rua após algum ato heroico, sempre havia uma linha que eu hesitava em cruzar, no ápice da minha ignorância achando que estava muito seguro com tudo o que eu sabia e seguia, o que nos leva a esse cínico conto sobre o Coringa.


 “Afinal, quem cruzou a linha no final? Batman ou o próprio Coringa?

Ao meu ver, eu não classifico O Batman como um Super-Herói. No meu conceito, seres assim são os que possuem poderes, com adversários com poderes, nos levando a confrontos lógicos (ou não) sobre o fim do mundo. Não, Batman é um vigilante, não que isso diminua o heroísmo de suas ações, pelo contrário, enaltece, não lembro qual HQ, mas certa vez o Super-Homem disse “Se eu não tivesse todos esses poderes, eu dificilmente me arriscaria a fazer alguma coisa que Bruce faz”. Frank Miller deixou explicitamente claro em Cavaleiro das Trevas o quanto humano e às vezes falho pode ser Batman, ou o quanto sua grandeza humana pode inspirar e despertar atitude parecida na sociedade.

Um vigilante que encontra um individuo chamado Coringa, Não só um desafio moral ou físico, mas racional, Como pode parecer, Coringa realmente é como a velha piada: “O sonho do velho palhaço do circo sempre foi esperar o dia em que ele pegasse fogo.” Coringa nessa HQ é bem semelhante ao Comediante em Watchmen, alguém que abraça o lado negro da humanidade como verdade predominante, se comporta como tal e põe qualquer um ao redor em situações que o faça se comporta da mesma forma ou pior.
Em “Piada Mortal” Moore ironiza o quanto próximos e dependentes um são um do outro, começando com Batman indo ao Asilo Arkham para uma tentativa de conversa coerente com o Coringa, percebendo que esse fugiu e colocou um sósia no lugar. A sequência é centrada em Coringa nada mais menos que aleijando a filha do Comissário Gordon na frente dele, o capturando para um “circo dos horrores” e fazendo com que o mesmo veja fotos da filha nua e estuprada (tentando despertar no velho instintos sexuais sobre a própria filha, alguns supõem) e seja levado nu através de uma coleira.

Batman chega a tempo de uma luta ilustrada de maneira excepcional por Bolland. Um ponto recorrente nos quadrinhos de Batman é o comportamento do ser humano sofrendo mudanças extremas diante de tragédias, sejam elas benéficas ou em grande parte maléficas, e nesse ponto Moore faz com que Coringa insista, afinal ele não consegue se conformar com uma idéia de um homem integro se arriscando pelo bem comum, Coringa perde como mostrado na história a esposa e tudo o que tinha, tentava como ultima maneira ser um humorista, mas sempre fracassava, até um belo dia cair em um tanque de ácido e ter um “surto psicótico” e não ver mais seriedade na vida, que tudo não passa de uma grande e insensata piada de mal gosto ao qual ele quer comandar.

Encurralado, Coringa escuta a proposta sensata de Batman sobre esse conflito entre ambos acabar. Não se pode continuar em uma situação dessas, onde um a qualquer momento pode matar o outro, e tudo o que escuta de resposta de Coringa é uma piada (mortal?) sobre o que a situação lembra:

“Escute só... Tinham dois caras num hospício! Uma noite eles decidiram que não queriam mais viver lá e resolveram escapar para nunca mais voltar. Ai foram até a cobertura do asilo, e viram ao lado, o telhado de um outro prédio apontando para a Lua... Apontando para a liberdade. Então um dos sujeitos saltou sem problemas pro outro telhado. Mas seu amigo se acovardou... É... Ele tinha medo de cair. Ai o primeiro cara teve uma idéia. Ele disse: “Ei! Estou com minha lanterna aqui, eu vou acendê-la sobre os dois prédios e você atravessa pelo facho de luz!” Mas o outro sacudiu a cabeça e disse: “O que você acha que sou? Louco? E se você apagar a luz quando eu estiver no meio do caminho?”


Cada leitor que tem um modo próprio de enxergar determinada história, combinando os conhecimentos que tem, vivências, o que acha que o autor quis passar e inúmeros fatores, a minha teoria vem agora, por isso o parágrafo inicial sobre o cruzamento de linhas. Sejamos sinceros? Cair em um tanque de ácido e ficar louco? Seria o mesmo que chamar um personagem como o Coringa de unidimensional. Não, ele é tão racional como o Batman, mas é sua paixão pela desordem, seja no modo de agir, como no modo de amar. E quando eu falo amar, eu incluo o Batman, Coringa ama ele, é obsessivo por ele, precisa dele, e não possui um ódio irracional como a maioria dos vilões. Todo esse comportamento é apenas um modo dele atrair. E a paixão dele não é nada obvia ou entendível, ele ama o Batman por ele ser o que ele não conseguiu ser, ao mesmo tempo que tenta corrompê-lo como uma maneira de fazer com que Batman assuma o lugar dele, é doentio e curioso. Grant Morrison também crê nisso quando escreveu Asilo Arkham, e não fica nas insinuações, Coringa realmente avança sexualmente em Batman assim que ele entra no Asilo, e tenta quebrar a consciência que ele conheça por real o tempo todo. Em Cavaleiro das Trevas (mais uma vez, afinal é a melhor história do morcego até o fim do mundo), Coringa se insinua o tempo todo para Batman, pedindo beijos, abraços, e fazendo uma espécie de declaração de amor disfarçada no momento da própria morte. Pessoalmente, eu creio que Batman não mataria o Coringa, chegaria perto, como chegou muitas vezes, mas não mataria, mas acredito que a ultima sequência desse quadrinho, Alan Moore tenha colocado um possível assassinato do Coringa pelas mãos do Batman, ou que ele tenha colocado Batman como um maníaco que tem como perversão alimentar a vontade de Criminosos como Coringa para que essa batalha seja eterna e ele nunca fique sem adversários, o que põe o discurso racional de Batman como uma farsa que ele faz devido ao sentimento vago de culpa que possui por ser um maníaco...  Essa história é tão genial de múltiplos sentidos, que só agora na minha sexta leitura dela antes de terminar esse texto, que finalmente vi sentido na piada contada pelo Coringa... A Piada de um palhaço fracassado que teme atravessar o que o separa da liberdade, com medo de que seu “parceiro”, Batman não o corresponda com ele indo ao mundo civilizado, fechando com a grande tirada de Batman e Coringa sendo dois loucos presos por uma grande tragédia, com um pulando para a razão e o outro para a loucura, no eterno paradoxo de que um pule para a área do outro, o que convenhamos, nunca vai acontecer.


Nota: 9.3









domingo, 21 de setembro de 2014

Review Cinema: Os Cavaleiros do Zodíaco - A Lenda do Santuário



Épico é pouco!

Me lembro há meses atrás quando um amigo nerd me mostrou no YouTube o trailer do Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário, minha resposta foi algo do tipo "Não seja tonto, não é um filme, olha essa imagem, deve ser o novo game". Só que não era. A animação era de babar, porque aquilo seria um filme, quem gastaria tanto dinheiro "só" num filme? Bom amigo, não reclame por uma vez ou outra a vida ser melhor do que a gente imagina. Não reclame e agarre, porque é coisa rara. Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário é um filme para ser agarrado com as duas mãos e prendido bem forte, até os nós dos dedos ficarem brancos pelas pressão. É pra prender com medo que ele fuja e escape porque esse filme é especial, é um diamante que estava dando sopa perdido no meio da areia da praia comum e vulgar.




Os Cavaleiros são adaptados aqui para a geração público dos filmes da Pixar e não fazem feio. A tecnologia e os efeitos são impressionantes e te fazem sentir todo o lendário poder de partir estrelas com as mãos e a velocidade de se mover em Mach Um, Mach Dois, Mach Três e, finalmente, a Velocidade da Luz. Todo o poder divino prometido no mangá ou no desenho original aqui recebem justiça dando uma maravilhosa sensação de ciclo se fechando porque, só agora, a antiga promessa é plenamente cumprida quando a história, que nos faz sentir como se fossemos tragados para dentro de um Playstation, mostra feitos que te dizem "Sim, a lenda falava daqueles que rasgavam os céus com as mãos e abriam fendas nos chão com os pés, e olha eles aí, olha esse poder, era exatamente isso que a lenda dizia, é real". Quando éramos crianças nos falaram sobre uma batalha entre deuses. Eis a dita cuja.

Ouvi por aí alguns dizendo que só apreciaria o novo filme que não conheceu a versão original. Mentira, vi todos os episódios da antiga série de TV e comprei vorazmente todas as edições do mangá e estou aqui dizendo que amei o novo filme.

Ouvi por aí alguns dizendo que só apreciaria esse filme quem já era viciado em Cavaleiros mesmo, mas que a percepção para o novo público era totalmente ineficaz. Mentira, assisti no cinema com dois amigos que nunca viram um único episódio da antiga série nem leram uma única edição do mangá e os dois saíram vidrados de lá, me enchendo de mil perguntas sobre a mitologia e quem era esse e quem era aquele e o que tinha acontecido antes e o que aconteceu depois.

O filme teve só pontos positivos? Infelizmente não, os que acompanharam a história original sabem como essa saga é comprida e cheia de detalhes e algumas coisas ficaram de fora (a ausência da batalha contra Shaka de Virgem é particularmente de cortar o coração) assim como fica um desejo de ter maior espaço para Shiryu, Hyoga e Ikki. Mas o filme em si tem tantas qualidades que chega a dar dor na consciência tentar apontar esse ou aquele defeito, até porque é uma história que já foi contada, os mangás e a antiga série estão por aí para serem revisitados quando quisermos, não é como se alguma coisa tivesse se perdido para sempre. Alguns sentiram falta da antiga sangreira épica, mas eu curti mesmo a nova abordagem, até porque a antiga eu já vi, e se fosse para fazer de novo exatamente igual, então nem precisaria fazer nada, simplesmente reveríamos o velho. O uso do humor foi interessante, os que leram o mangá original sabem que isso está lá, mas nas vezes que tentou aparecer na série de TV sempre pareceu deslocado, Aqui funcionou. Mais do que isso na verdade, o maior mérito desse filme foi conseguir algo que as centenas de episódios para TV e as dezenas de Mangás jamais conseguiram alcançar: Construir um Seiya de Pégasus carismático, fácil de gostar e por quem dá vontade de torcer. Nesse ponto a animação A Lenda do Santuário colocou o mangá original e a antiga série de TV no bolso, indiscutivelmente.

A avaliação do Ozymandias Realista para esse filme, numa escala de zero a dez, é de 8,5 por ter sido realmente bom, ainda que não sejamos cegos de não notar que tantas coisas fantásticas dessa maravilhosa mitologia deixaram de ser exploradas. Com todos os "poréns" que possui, Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário nos faz sentir com dez anos de idade outra vez. E isso é algo que não tem preço.

- Ítalo Azul -


Review Cinema: A Culpa é das Estrelas



Eu vou parafrasear o senhor Garth Ennis num prefácio que escreveu para uma edição especial em capa dura do Wolverine e dizer que na maior parte das vezes eu preferiria ter uma lula gigante grudada no meu rosto do que assistir uma história romântica. Não é a minha praia cara, não é mesmo. Eu corro de histórias românticas como o diabo foge da cruz. Em séries, em livros, em filmes eu estou sempre procurando escritores que façam alguma coisa diferente, que estejam interessados em contar outro tipo de história (qualquer outro tipo, menos a romântica). Sempre amei Friends, mas quando começava aquele drama de "Será que a Rachel vai ficar com o Ross?" eu notei que simplesmente não me importava, não estava nem aí, fiquem juntos ou não fiquem, pra mim tanto faz. Quase enfartei de felicidade quando no último episódio de True Blood o Bill Compton morreu e ele e a Sookie não terminaram juntos. Acho que o grande mérito de Harry Potter é focar na força da amizade, confiança e lealdade ao invés de simplesmente ser sobre o fácil e cômodo amor romântico, que o do Senhor dos Anéis é mostrar que esse tipo de coisa existe mas é é apenas uma coisa num oceano de coisas diversas maiores, e que o das Crônicas de Gelo e Fogo/Game of Thrones é dizer que esse tipo de sentimento sublime, delicado e precioso existe sim e é muito especial, mas pode ser (e com 99% de chance, será) reduzido a cinzas pela cruenta roda viva que é este mundo em que vivemos. Já disse pra mim mesmo que o motivo de não me interessar por histórias de "era uma vez um menino que conheceu uma menina" é o fato delas serem fáceis e clichês. E isso é uma puta mentira que eu conto pra mim mesmo, pois no fundo tenho plena consciência de que as histórias de "era uma vez um menino corajoso que precisava enfrentar um inimigo terrível" são igualmente fáceis e clichês, e eu as consumo em doses estratosféricas, jamais me canso delas, quero sempre mais. Qual o problema então com as histórias românticas? Não existe nenhum, eu é que não gosto, não por qualquer motivo específico, é paladar mesmo. Se seu organismo não se dá bem com determinado tipo de alimento não são argumentos lógicos e racionais que vão alterar seu paladar e te fazer passar a gostar daquela comida. Não gosto de histórias românticas assim como não gosto de carne bovina. E ponto.


Tudo isso dito, aqui estou escrevendo só para tecer loas e enaltecer o grande filme romântico do ano, e acrescento sem medo de exagerar, possivelmente da década. Que coisa, hein? Mas A Culpa é das Estrelas merece todos os elogios. É único, é um feito, é impressionante. Acrescento um adjetivo que raramente emprego: É brilhante. Olha aí, chato como sou, mais fácil é ganhar na loteria do que arrancar um "brilhante" da minha boca. Mas dou o braço a torcer aqui, esse é, a história é brilhante. No cinema é a maior história romântica contada desde do Titanic de James Cameron, e merece ser colocado na prateleira do lado deste, de Ghost, Uma Linda Mulher e o Guarda-Costas. Direção nota dez, fotografia dez, trilha sonora dez e todos os aplausos para a performance de Shailene Woodley.

Não entendo nada de histórias românticas. Estou tão próximo de ser um especialista nesse assunto quanto de ser um astronauta. Mas entendo um pouco (leia-se por "entendo", um "gosto muito e consumo bastante") histórias em geral e arte e ficção. Vou deixar os méritos sobre a parte romântica para quem manja e ficar na minha área, é bem feito, bem escrito e bem bolado. Os diálogos são bons. Essa visão inovadora é um jorro de luz num oceano de mesmisse e falta de criatividade. Não sou talhado para classificar o valor enquanto história romântica, atesto aqui o valor literário e o artístico.

Mas considerando o que eu disse no início sobre a lula gigante, arrancar tantos elogios é alguma coisa, não é? Só ter conseguido me prender até o final APESAR de ser uma história romântica já é. Se comigo, que não curto, teve esse efeito, nem alcanço conceber o estrago que fez nos miolos dos apreciadores do gênero. Veredicto do Ozymandias Realista? Numa escala de zero a dez, o filme A Culpa é das Estrelas leva um dez. Qualquer outra coisa seria um injustiça.

- Ítalo Azul -


sábado, 20 de setembro de 2014

Galeria: O Homem-Aranha


- Lucas Roberto -

Review HQ: O Superior Homem-Aranha

 O superior Homem Aranha é um dos títulos da Marvel Comics do inicio de seu recente reboot pós AvX. A saga conta a historia de um novo homem aranha, que não é mais o nosso conhecido Peter Parker e sim Otto Octavius (Doutor Octopus) que, depois de uma tentativa de escapar da morte possui o corpo de Parker e com ele promete a si mesmo ser um herói superior ao nosso homem aranha. Tendo essa promessa em mente Otto,

começa sua jornada bizarra que inclui terminar o doutorado de Parker, dispensar de vez Mary Jane, apesar de estarem tendo amizade somente e a mais importante missão que se dá em não exitar em matar cruelmente os criminosos que entrarem em seu caminho... Enfiado em uma nova york governada pelo prefeito J.J.Jameson o superior homem aranha segue seu caminho entre embates contra os vingadores, contra o prefeito e até contra sua tia May e seu marido Jay, além de mandar todos os vilões conhecidos do aracnídeo para o caixão ou em péssimas condições para o hospital o Superior ainda realiza grandes feitos que valem a pena ser conferidos na leitura... 
Então para não tirar a capacidade de surpreender do arco para quem ainda não leu e deseja ler, encerro com as seguintes conclusões: O arco não foi feito pra estragar o homem aranha, mas sim para fazer a redenção de um vilão e talvez sua eliminação do universo do aracnídeo,e sabendo que o heroi foi um dos que não sofreu tanto com AvX  precisava disso pra ser reformulado e até mesmo ganhar um visual que se aproxima ao do seu mais recente filme (O espetacular homem aranha: A ameaça de electro).

- Lucas Roberto -

domingo, 14 de setembro de 2014

Ultimate DC 01




Capítulo 01 – A História do Menino que Veio do Espaço

Cidade de Metrópoles, Projeto Cadmus, Laboratórios de pesquisa.
Lex Luthor está sentado a uma mesa usando um jaleco branco e óculos escuros de segurança enquanto passa uma pequena placa metálica pouco menor do que uma maçã através de um aparelho semelhante a um microscópio eletrônico, embora visivelmente muito mais sofisticado. O resultado, todavia é singular. As células da pequena placa metálica não aparecem ampliadas no lado oposto da lente. Ao invés disso o aparelho projeta no ar uma replica aparentemente feita de luz sólida e cerca de vinte vezes maior do que a placa original. A imagem se divide em seis outras imagens individuais diferentes, cada uma ressaltando diferentes aspectos da estrutura molecular do objeto.

Nisso a porta do laboratório se abre e entra uma mulher. Negra, obesa, de baixa estatura e cabelos curtos, Amanda Waller caminha com o peito estufado, o queixo levantado e os olhos estreitados, analisando. Tudo em sua postura trai uma autoconfiança que a maioria das pessoas atravessará a vida inteira sem jamais alcançar. Sua passagem atrai olhares de curiosidade e interesse, que denunciam a importância da figura e da grande autoridade que carrega e atrai também numerosos cumprimentos respeitosos os quais são prontamente ignorados. Seu único ponto de interesse reside na última mesa do laboratório onde uma pequena placa metálica é molecularmente mapeada por um homem de jaleco branco e óculos escuros, branco caucasiano de olhos azuis, forte e de altura mediana. Sua única característica física chamativa reside na cabeça lustrosa sem um único fio de cabelo. Ele obviamente é jovem demais para já ser careca.
Absorto em sua tarefa ele não nota a aproximação de Amanda até que ela remova a placa do aparelho, encerrando o show de luzes.

Luthor:
- Amanda Waller!

Amanda Waller:
- Lex Luthor.

Luthor retira os óculos e se põe de pé.
- Parece que alguém não foi inteiramente honesta quando disse que era uma pessoa desesperadamente ocupada e que não teria tempo para visitas de inspeção de rotina.
Amanda Waller:
- Conforme é do seu conhecimento eu sou a diretora da agencia secreta responsável pela segurança nacional. Sim, eu sou uma pessoa desesperadamente ocupada. A pressão e a cobrança sobre mim fazem o trabalho do presidente da republica parecer um fiscal de arquivo morto, comparativamente falando. Diariamente eu me vejo diante de decisões que poriam perplexo o próprio Salomão. Não esperava mesmo ter de arranjar tempo para fazer visitas de inspeção de rotina. Todavia não imaginava ser deixada totalmente alheia e à parte a todos os acontecimentos do trabalho. Estou me sentindo mais por fora do que porteiro de Motel, e não gosto disso. Pessoas importantes vêm até mim querendo obter informações e eu sou obrigada a admitir que o meu pessoal está mais perdido do que cego em competição de tiro ao alvo, e eu também não gosto disso. E é tudo sua culpa.

Luthor (com um sorriso cínico)
- Você sabe que eu faço tudo para atrair a sua atenção.

Amanda Waller:
- Algo contra atender ao telefone? Possui alguma alergia a parelhos celulares que olvidou de mencionar no nosso primeiro encontro? Porque essa seria a única desculpa para tirar o meu de reta quando me cobram resultados e eu sou encostada na parede e tenho que ouvir reprimendas de todo mundo, e por esse “todo mundo” eu me refiro a pessoas importantes demais para o seu nome poder sequer ser mencionado em voz alta sem comprometer a segurança nacional.

Luthor:
- Deixo a política para você, minha parte é a ciência. Você é a burocrata, eu o artista – toma a placa metálica da mão dela – Foi acordado que eu teria autonomia e liberdade de ação.

Amanda Waller:
- Você tem. Tem em mente que alguém está pagando a conta, não é? Se os benefícios fiscais oferecidos pelo governo à Lexcorp até o presente momento ainda não parecem o suficiente para...

Luthor:
- Ah, francamente senhora Waller, eu tomo isso como um insulto. Te asseguro que o patrimônio pessoal que eu declarei ao Fisco ano passado é maior do que a sua família conseguiria juntar em treze gerações de trabalho. Algo tão mesquinho quanto o dinheiro não é a minha motivação para estar aqui. Você tem diante de si um homem que está no topo da pirâmide. Por que estamos trabalhando juntos? Porque dentre as inúmeras opções de trabalho que eu possuía, a senhora foi a única a apresentar um desafio à minha inteligência, algo capaz de intrigar até mesmo o meu brilhante intelecto.

Caminham até a outra ponta do salão. Sobre uma plataforma baixa e protegido por uma cúpula de vidro um singular objeto que arrancaria da boca de qualquer pessoa as palavras “nave espacial”. Pequena demais para ser capaz de acomodar um ocupante adulto, feita de um material semelhante à prata, embora de aspecto fosco. Sua base é oval e inteiramente fechada, sem juntas, dobradiças ou qualquer sinal de ponto de entrada. E em volta dois triângulos isósceles metálicos maiores e dois menores, dispostos os dois primeiros a fazerem às vezes de asas e os dois últimos de cauda.

Luthor:
- A senhora foi a única a colocar na minha frente algo assim.

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Smallville, um vasto campo verde gramado que circunda um lago azul pelo lado direito e por sua vez é circundado por frondosas árvores pelo lado esquerdo.
Dentre as árvores sai correndo uma adolescente. Seu nome é Lana Lang, tem 16 anos, branca, ruiva de olhos verdes e muito bonita. Usando um uniforme escolar e carregando os livros debaixo do braço, ela para na entrada da clareira, olha para os lados e grita.
- Clark?! Clark!

Salta de cima da árvore e cai de pé parado na frente dela um menino da mesma idade. Clark Kent é branco, bonito, de cabelos negros lisos e olhos azuis profundos, um sorriso franco que passa sinceridade. Verdade. Pureza.

Lana:
- Clark!

Clark:
- Lana. Estamos sozinhos aqui?

Lana:
- Sim, estamos sozinhos aqui.

Clark olha para os dois lados
- Só os dois? Tem certeza mesmo?

Lana:
- Absoluta. Mais ninguém aqui. Só os dois.

Clark:
- Excelente.

Lana faz sua cara de desconfiada
- Por quê? Por que “excelente”? Senhor Clark Kent, exijo saber o que o senhor está pensando. Quais são suas intenções?

Clark dá um risinho sacana
- As piores possíveis.

Lana começa a bater nele com seu livro mais pesado
- Ah, seu filho da mãe, seu sem-vergonha!

Clark se encolhe, tentando evitar as pancadas.
- Lana, pare! Era brincadeira! Lana! Não!

Lana continua a golpear cada centímetro do corpo dele que consegue alcançar, até derruba-lo no chão.
- Eu vou te ensinar uma coisa! Seu moleque safado! Nunca mais vai nem pensar em...

Clark, já no chão, protege o rosto com as mãos.
- Paz! Trégua! Água!

Seus débeis pedidos de clemência encontram novas pancadas como resposta. Por fim Clark lha passa uma rasteira e derruba a menina no chão, colocando o seu corpo sobre o dela para imobiliza-la, prendendo as pernas dela com as suas e com os braços fazendo igual.

Clark:
- Paz. Trégua. Meu Deus, que menina mais brava! Eu só estava brincando com você. Tudo bem? Foi só brincadeira! Mais calma? Se eu te soltar você promete parar de me assassinar?

Lana o fita em silencio. Seu rosto centímetros do dele, sua respiração tão perto e esses olhos azuis profundos que parecem puxa-la para dentro deles feito um magneto. Seu peito está colado tanto que ela sente as duas pulsações, como se tivesse dois corações e então volta tudo de novo: Ela sente a garganta seca, borboletas no estomago e o sangue fervendo nas faces. Sempre é assim quando Clark Kent está perto.

Clark:
- Ei, tudo bem com você?

Lana:
- Me solta, Clark. Me solta.

Clark a solta e num salto se põe sentado ao lado dela
- Você ficou vermelha, Lana. Por que você ficou vermelha?

Lana se senta de costas para ele, usando o cabelo para encobrir o rosto enquanto tira a grama e as folhas da roupa com a mão.

Clark (se inclinando para ela, interessado).
- Eu só estava brincando. Você ficou chateada? Sinto muito, eu não queria...

Lana:
- Não! Quem está chateado aqui? Deixa de ser bobo, Clark. – se vira de frente para ele, exibindo o seu melhor sorriso improvisado – Você me chamou aqui, a propósito, para... ?

Clark se põe de pé e estende a mão para que ela também se levante
- Lana Lang, precisamos conversar. Não, não me faça essa cara! Eu sei que em toda a história do mundo nunca vem nada de bom depois que alguém começa um dialogo com “precisamos conversar”. Mas dessa vez é diferente. O que eu vou falar não é coisa ruim. Você sabe que você é a minha melhor amiga no mundo inteiro, não é?

Lana cora ligeiramente
- Não sei. Eu sou?

Clark Segura as duas mãos dela com as suas
- Sim, você é. Então vou te fazer uma pergunta. Na verdade é mais um pedido.

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Projeto Cadmus.
Amanda Waller e Lex Luthor se aproximam da nave.

Luthor:
- Faz dezesseis anos que essa nave caiu em Smallville e o seu pessoal a encontrou. Mais de uma década e meia de estudo. Veio perguntar pelos resultados, Sra. Waller? Se tivesse vindo ontem teria perdido a viagem. Hoje, todavia... – encosta um bastão mecânico que emite faíscas elétricas azuis na base da nave e com a descarga surgem na superfície lisa símbolos semelhantes a hieróglifos.

Amanda Waller:
- Que o metal da nave é feito de substancias que não pertencem à nossa tabela Periódica e dotadas de propriedades peculiares eu já tenho ciência, Sr. Luthor. Meu pessoal já me informou.

Luthor:
- E o “seu pessoal” também já traduziu?

Amanda Waller:
- O quê? Você... Conseguiu traduzir isso?!

Luthor:
- Duas exaustivas semanas. Li cerca de setenta e oito livros de Paleoantropologia à Matemática Filotica. Chego a estar com uma ligeira dor de cabeça. Mas sim. Traduzi esses signos.

Amanda Waller:
- Luthor... Se o que afirma for mesmo verdade...

Luthor volta a bater o bastão elétrico na cúpula da nave e os estranhos símbolos se desenham no metal mais uma vez.
- “Essa nave leva o meu filho, Kal-El, do agora extinto Planeta Krypton. Trate-o como trataria a sua própria criança e verá o tesouro que ele se tornará para o seu mundo.”

Amanda Waller:
- Quero todos os resultados e dados do processo numa pasta na minha mesa amanhã às oito da manhã, para que tudo seja reavaliado pelo meu pessoal.

Luthor:
- Claro que quer, não precisa confiar em mim. Não vai ter que esperar até amanhã. – tira uma pasta do bolso interno do jaleco e entrega a ela – Tive um palpite de que você talvez aparecesse hoje. Pode entregar a quem você quiser que analise. Ou pode lê-lo você mesma. Estou me divorciando do preciosismo verbal e do linguajar excessivamente técnico. Coloquei tudo em termos bem leigos. Em outras palavras eu mastiguei (sem querer ofender a sua inteligência...). Mas leia depois. Você sabe que eu estou falando a verdade. Vamos desse ponto em diante.

Amanda Waller:
- Sempre suspeitamos que essa espaçonave trouxe alguém de algum lugar. E agora você confirmou.

Luthor:
- Fiz mais do que isso. Encontrei o alienígena.

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Smallville, campo à margem do lago.

Clark:
- Claro que você é minha amiga, Lana. Agora fazem dezesseis anos que a minha nave caiu em cima da casa dos seus vizinhos, Sr. e Sra. Kent, matando os pobres coitados. Seus pais me tiraram do lugar antes que as autoridades chegassem, garantindo que aquele dia a policia voltasse levando somente a nave e não eu. Seus pais me deixaram no orfanato de Smallville, para que eu tivesse a chance de passar por uma criança normal, com esse nome, Clark Kent. Clark porque a sua mãe adorava aquele ator do filme “E o vento levou...” e Kent pelo Sr. e Sra. Kent, coitados, que morreram explodidos pela queda da minha nave. Nesses dezesseis anos você tem sido a única a dividir esse segredo comigo. Você não é minha amiga? Claro que é. Por isso agora eu quero dividir um outro segredo com você, um tão grande quanto esse primeiro. Tenho passado por mudanças. (Eu sei, na nossa idade todos nós temos... mas o buraco é mais embaixo). A despeito da minha origem alienígena, eu nunca fui diferente dos outros meninos, certo? Igualzinho a todo mundo, nada de diferente. Até agora. Mas tenho passado por mudanças. Da forma como eu racionalizei a situação, a coisa toda provavelmente se deve ao fato de o planeta de onde eu vim ser diferente da Terra. A gravidade daqui é menor e não consegue me prender do mesmo jeito como faz com vocês, por isso eu sou capaz de saltar a altura de um edifício ou um concentrar e acelerar, quebrando a barreira do som. Também acho que seja efeito da gravidade mais forte de lá fazer com que os corpos dos seus habitantes sejam de alguma maneira mais sólidos e por essa razão eu estou ficando fisicamente mais forte e resistente a ferimentos. Os elementos químicos daqui são com certeza diferente dos de lá, a Física e a Química não funcionam do mesmo jeito, por isso eu escuto coisas que vocês não conseguem ouvir e também posso enxergar através de objetos sólidos (se me concentrar bastante). Eu posso fazer coisas, Lana! Ter esses dons e não usa-los... Eu tenho a chance de fazer a diferença na vida das pessoas.

Lana:
- E está indo embora. Eu sempre soube que Smallville era pequena demais para você, Clark, que um dia você iria alçar voos maiores. Está em você, você nasceu para ser algo. Você tem o brilho do vencedor. Promete que vamos manter contato? Que vai telefonar toda semana?

Clark:
- Na verdade eu ia te perguntar se você quer ir embora comigo agora ou prefere que eu volte depois para te buscar.

Lana:
- Está falando sério?

Clark:
- Muito sério.

Lana salta para ele e o abraça
- Vou com você! Claro que eu quero ir!

Clark:
- Excelente. Um empresário filantropo, o Sr. Oliver Queen, doou um almoço especial para o orfanato de Smallville hoje, convite estendido a toda a comunidade. Vamos comer uma coxa de peru antes de pegar a estrada, tudo bem?

Lana:
- Estamos bem longe do orfanato, nunca vamos chegar a tempo.

Clark a ergue no colo
- Quer apostar?

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Metrópoles, Cadmus.
Amanda Waller:
- E juntando todas essas pistas você concluiu que é uma das crianças do orfanato de Smallville. Sim, baseado nessas evidencias parece mesmo conclusivo. Mas não resolve tudo. Existem duas mil crianças naquele orfanato. Vai ser literalmente como procurar uma agulha num palheiro.

Luthor:
- Por isso simplifiquei tudo. Queimei o palheiro.

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Smallville, orfanato.
Com Lana no colo, Clark avança correndo pelos campos a supervelocidade em direção ao enorme e antigo prédio que serve de sede para o orfanato Gogh/Millar.
Lana aponta para trás
- Clark! Olhe!

Um projétil metálico, um míssil, cortando o céu a uma velocidade impossível, na direção do prédio do orfanato.
Clark põe Lana no chão, na entrada do prédio, e salta sobre o míssil com o punho cerrado e o braço estendido. Impacto. E então o ruído, mas quando some, Clark está de pé sem nenhum arranhão e o projétil já não existe.

Lana grita pela segunda vez
- Clark!

Clark se volte para ela e vê.
Mais cinco mísseis, um vindo de cada direção diferente, todos em supervelocidade. O menino se joga na direção do orfanato a toda velocidade que pode, com a mão estendida, mas o míssil mais próximo passa a três centímetros do alcance dos seus dedos e atinge o alvo. Os outros quatro fazem o mesmo. Da onda de choque surge uma bola de fogo que se propaga e engole todo o terreno.

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Metrópoles, Projeto Cadmus.

Luthor:
- E quando acabar a única coisa a ter sobrevivido vai ser o nosso alienígena.

Amanda Waller:
- Você ficou louco?! Tinha duas mil crianças naquele...

Luthor:
- Dois mil meninos sem mãe ou família, dos quais ninguém vai sentir falta. Agora o grande estado do Kansas vai poder realocar as verbas que sustentavam aquele lugar para um fim de mais proveito para a sociedade (uma pesquisa científica, espero). Não me faça essa cara, Sra. Waller! Foi acordado que eu teria autonomia e liberdade de ação. Toda a pesquisa exige sacrifícios. Os resultados são tudo o que importa. Você é o governo, essa operação é secreta e oficialmente nós dois sequer nos conhecemos. Faça a gentileza de varrer tudo para debaixo do tapete. Agora vamos aos resultados.

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Smallville, local onde sessenta segundos atrás existia um orfanato.
Cinzas e carvão no lugar onde estava o prédio e Clark de joelhos, chorando, diante do corpo carbonizado daquilo que um dia foi Lana Lang.
Ao olhar para trás se vê cercado por meia dúzia de soldados fortemente armados trajando armaduras tecnológicas de última geração.

Soldado;
- Muito bem, garoto. Mãos na cabeça, sem gracinhas.

Clark:
- Foram vocês que fizeram isso? – se levanta e se acende em seus olhos luzes vermelhas feito brasa – Seus filhos de uma puta!

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Metrópoles, Projeto Cadmus.
Luthor e Amanda Waller se encaram em silencio, ambos com os braços cruzados.
Entra um soldado correndo
- Senhor Luthor, senhor Luthor! Recebemos um informe das nossas tropas!

Luthor:
- E então?

Soldado:
- O alienígena, senhor. Nosso pessoal o encontrou e... Ele matou todos eles. Trucidou até os ossos literalmente virarem pó e depois queimou os corpos. Depois desapareceu.

Luthor:
- Oh. Uau, eu... Não é inteiramente impossível que eu tenha errado uma casa decimal em algum lugar dos meus cálculos. Na verdade, “erro” é uma palavra muito forte. Foi mais um... Equivoco não intencional.

Amanda Waller toma das mãos dele o bastão elétrico e com ele toca a base da espaçonave, fazendo aparecerem os estranhos símbolos.
- “Trate-o como trataria a sua própria criança e verá o tesouro que ele se tornará para o seu mundo.” Se o tratarmos bem, ele se tornará uma benção. E se o tratarmos mal, Lex? O que ele se tornará?

Fim do Cap. 01

A Seguir: A Lenda Cósmica dos Lanterna Verdes

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Galeria

Lex Luthor

Amanda Waller

Lana Lang


Clark Kent

"Inútil"




  E um dia como outro qualquer estou lá eu, no meu trabalho durante o horário de almoço sentado com meu caderno na mão, escrevendo, como sempre. Nisso me chega um cidadão e me pergunta “O que é isso?”. “Ah, eu estou escrevendo uma coisa aqui para postar no meu blog”. “Você tem um blog, é?”. “Sim, tenho”. “Legal. Sobre o quê?”. “Ficção”. “Legal. Para que serve isso?”.

Olha aí. Essa é boa. É de se parar para pensar, não é? Para que serve? Então vejamos. Oscar Wilde, lacônico, nos afirma apenas que a arte é inútil. E é, não é? Desdenha ele do próprio trabalho e dos seus colegas? Entendo eu que não é por aí. A arte é inútil porque é tudo aquilo que não está na base da pirâmide, é aquilo que não é o essencial para a sobrevivência da carne, ela é o que ultrapassa, que transcende, que vai além. Ela é o algo mais. Algo. Indefinido. Você não vê com os olhos e não pega com a mão, mas atinge em cheio o seu coração, faz um estrago nos seus miolos, te faz parar para pensar, te leva a sentir. Algo. Não sendo apenas “útil”, não tendo uma função reservada naquela base da pirâmide, não atinge a todos por igual e a alguns sequer atinge, possuindo nós diferentes graus de percepção e sensibilidade. E esse é o legal da coisa. Porque a arte é pra quem gosta. Arte é pra quem entende.

  E temos a ficção. A tradição humana de se ouvir e contar histórias é mais antiga do que se é possível datar, originando-se ainda no período das cavernas, onde ao cair da noite a tribo se reunia em volta da fogueira para partilhar a carne fruto da caçada do dia, e entre uma mordida e outra alguém contava o que havia acontecido hoje com o fulano ou o ciclano. No princípio essas histórias eram todas meio iguais até que um dia, em algum lugar, aconteceu algo singular e improvável com alguém. Esse conto singular e improvável se destacou entre os outros, atraiu maior atenção e os ouvintes chegavam a pedir para escutar a história uma segunda vez, mesmo já conhecendo o final. Impactou quem ouvia e quem contava. Os contadores passaram então a garimpar outros contos singulares e improváveis que prendessem a atenção da plateia. Escasseando os já poucos acontecimentos reais interessantes, em dado momento os contadores passaram a inventar do nada na maior cara dura. E a plateia não se importou, só queria ouvir mais. “Era uma vez o Superman voando pelo céu”. “Sim, sim! E aí? O que aconteceu com o Superman depois disso?”. Nascia a arte da ficção. Não se acha na natureza outra espécie que se dedique a essa arte. Até onde podemos afirmar, é uma coisa exclusiva de humanos. Inútil e sem função na base da pirâmide, ainda assim essencial. A ciência ainda não consegue explicar o como nem o porque, mas precisamos de ficção. Como de água, como de alimento, como de oxigênio. Nós, humanos, temos necessidade de ouvir e de contar histórias. De Ficção. De Arte.

  O Ozymandias Realista é um espaço para isso. Parafraseando Clarice Lispector afirmo que não queremos fórmulas certas porque o objetivo não é acertar sempre. É o nosso laboratório, faremos experiências aqui, algumas vezes acertando de primeira e outras vendo as substâncias sob o cateter entrando em combustão inesperada, voando pelos ares e manchando as paredes. Nesse segundo caso limparemos nossa placa de Petri e recomeçaremos do zero. Vai ser uma viagem interessante. Seja muito bem vindo à bordo.


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