.

Pesquisar este blog

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Citação: VIDA EM MANCHETES


- Viu só? Caiu outro avião.
- É. Desta vez foram 85 mortos.
- Já tomei uma decisão: nunca mais entro em avião.
- Bobagem.
- Bobagem é morrer.
- Então não entra mais em carro, também. Proporcionalmente, morrem mais pessoas em acidentes de...
- Mas não entrar em automóvel eu já tinha decidido há muito tempo! Você não notou que eu ando mais magro? É de tanto caminhar.
- Você caminha por onde?
- Como, por onde? Pela calçada, ué.
- Dá todo dia no jornal. “Ônibus desgovernado sobe na calçada e colhe pedestre. Vítima tinha jurado nunca mais entrar em qualquer veículo.” A chamada ironia do destino.
- Quer dizer que calçada...
- É perigosíssimo...
- O negócio é não sair de casa.
- E, é claro, mandar cortar a luz.
- Por que cortar a luz?
- Pensa num dedo molhado e distraído na tomada do banheiro. “Caiu da escada quando trocava lâmpada. Fratura na base do crânio.”
- Está certo. Corto a luz.
- “Tropeça no escuro e bate com a têmpora na quina da mesa. Morte instantânea.” E você vai cozinhar com quê?
- Gás.
- Escapamento. “Visinhos sentiram cheiro de gás e forçaram a porta: era tarde.” Ou: "Explosão de botijão arrasa apartamento.”
- Fogareiro a querosene.
- “Tocha humana! Morreu antes que...”
- Comida enlatada fria.
- Botulismo.
- Mando comprar comida fora.
- Espinha de peixe na garganta. Ossinho de galinha na traquéia. “Comida estragada, diarréia fatal!”
- Não preciso de comida. Vivo de injeções de vitamina...
- Hepatite...
- ... E oxigênio!
- Poluição. “Autópsia revela: pulmão tava pior que saco de café.” Estrôncio 90 francês.
- Vou viver no campo, longe da poluição, do trânsito...
- Picada de cobra. Coice de Mula. Médico não chega a tempo.
- Não saio mais da cama!
- Está provado: 82 por cento das pessoas que morrem, morrem na cama. Não há como escapar.
- Mas eu escapo. A mim eles não pegam. Tenho um jeito infalível de escapar da morte.
- Qual é?
- Eu vou me suicidar.



LUIS FERNANDO VERISSIMO

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

CITAÇÃO: Beleza Americana (1999)



“Eu sempre escutei que você vê sua vida inteira passar pelos seus olhos um segundo antes de você morrer. Para começar, aquele segundo não é apenas um segundo, ele se estica para todo o sempre, como um oceano de tempo. Para mim, era estar deitado no acampamento dos escoteiros, vendo estrelas cadentes. E as folhas amarelas, das árvores de carvalho, que ficavam enfileiradas em nossa rua. Ou a mão de minha vó, o jeito que a pele dela parecia papel. E pela primeira vez eu vi o novíssimo Firebird de meu primo Tony. E Janie. E Janie. E… Carolyn. Acho que eu poderia ter ficado muito puto com o que estava prestes a acontecer comigo. Contudo é difícil ficar nervoso quando existe tanta beleza no mundo. Algumas vezes eu sinto que eu estou vendo tudo de uma só vez e é muito, meu coração se enche como um balão que esta prestes a explodir. Então eu me lembro de relaxar, e paro de tentar me apegar, e então algo flui por mim como uma chuva e eu não posso sentir nada além de gratidão por cada momento de minha pequena vida estúpida. Você não tem ideia do que eu estou falando, eu tenho certeza. Mas não se preocupe um dia você irá entender.”

Extraído do post "Melhores Frases Finais de Filmes" do site Vagante Pop.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

CITAÇÃO: A Máquina de Escrever


Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.
Vende ese rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.
Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.

Vende , além das gravatas, do chapéu,
meus sapatos rangentes. Sem ruído
é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.
Vende meu dente de ouro. O Paraíso
requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.
Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.
Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.

Pode vender meu próprio leito e roupa
para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe, mas poupa
esta caduca máquina em que escrevo.
Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas,tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.
Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro,
mas não! ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!
Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical.

Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.
Pois será para ela uma tortura
sentir nas bambas teclas solitárias
Um bando de dez unhas usurárias
A datilografar uma fatura.
Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.
Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.


Giuseppe Ghiaroni

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O Turco: a máquina que derrotou Napoleão no xadrez

Xadrez é um jogo intrigante e hoje já não é mais necessário ter outra pessoa para jogar com você, basta apenas ter uma máquina como um computador, um celular ou um videogame. Tais máquinas podem vencer até mesmo um campeão mundial com certa facilidade e não é raro a gente ouvir falar de campeonatos pelo mundo todo em que se disputam contra elas. Entretanto, essa podia ser uma realidade bem diferente há 2 séculos atrás, quando computadores nem sequer sonhavam em existir, não é mesmo? Se você pensa assim, saiba que está terrivelmente enganado. Havia uma máquina especial que jogava com tanta maestria que se tornou uma lenda!


   Inventada por Wolfgang von Kempelen, a máquina apelidada de "O turco" era composta de um gabinete com gavetas para guardar as peças e um manequim vestido como eles achavam que um turco se vestia na época. À frente do manequim se dispunha um tabuleiro de xadrez. Um braço móvel tinha uma mão na ponta que conseguia agarrar as peças com precisão e movê-las sem nenhum problema para qualquer parte do tabuleiro.


   Os olhos eram móveis e pareciam observar o tabuleiro e as jogadas dos oponentes, a cabeça podia balançar também. O Turco sempre fazia o primeiro movimento e sempre utilizava as peças brancas.  Há quem diga que ele podia até mesmo conversar com os oponentes com um tabuleiro de letras de até 3 línguas: inglês, francês e alemão.

   Em 1770, Kempelen chegou na corte da rainha Maria Teresa da Áustria e afirmou que sua máquina podia jogar xadrez com qualquer um. Ele abriu o gabinete e mostrou que dentro só haviam engrenagens, correias e que parecia mais um relógio do que qualquer outra coisa. No entanto, sua intenção era mostrar que não havia ninguém lá dentro, nem um anão que pudesse acionar os mecanismos e jogar. Então ele pediu que a pessoa mais intelectual da corte viesse à frente. Um nobre rapaz, o Conde Ludwig von Cobenzl, se apresentou e então começou a disputar a partida com o turco. Algumas jogadas depois e o Turco o derrotou com certa facilidade para o espanto de todos. Como era possível? Não só o Conde foi derrotado, como outros oponentes também em uma média de 30 minutos de jogo.


   Caso a Dama fosse ameaçada pela máquina, o manequim balançava a cabeça 2 vezes. Se o Rei fosse colocado em xeque, ele balançava a cabeça 3 vezes. Entretanto, em caso de um movimento ilegal, ele balançaria a cabeça e colocaria a peça no seu lugar anterior, fazendo uma jogada sua em seguida como forma de penalidade.

   Kempelen  então começou a fazer demonstrações por toda a Europa de sua engenhosa máquina. Às vezes ele era até mesmo pressionado a exibi-la contra a sua vontade. Intrigadas com o funcionamento da fantástica máquina, as pessoas traziam ímãs para ver se ela funcionava com pesos ou magnetismo, mas nunca descobriram algo do tipo. Também não eram raras as vezes em que o gabinete era investigado para tentar descobrir se havia algum operador e mais uma vez nunca encontravam nada. Farto dos assédios, Kempelen  chegou a desmontar a máquina uma vez no intuito de acabar com a fama, mas não adiantou. O próprio rei havia ordenado que fosse montada novamente e que fizesse um tour pelo continente.

   Ouvindo falar da máquina, Napoleão Bonaparte decidiu desafiar o Turco. O resultado não foi diferente: o Turco havia derrotado Napoleão com tanta facilidade quanto havia derrotado os outros oponentes anteriores. Disposto a uma revanche, desta vez Napoleão fez um movimento que favorecia a máquina. De repente o braço móvel esticou e se lançou sobre o tabuleiro, derrubando todas as peças. Tal movimento agressivo surpreendeu a todos na corte, incluindo o imperador francês.

   Apesar de parecer invencível, o Turco podia ser derrotado sim e de fato foi algumas vezes, mas nem assim o público desanimou. Todos queriam conhecer a incrível máquina que parecia ter vida!


   Houveram especulações de que a máquina fosse uma farsa, de que talvez um anão bem pequeno ou uma criança comandasse de dentro do gabinete. Há até quem acreditava que um veterano de guerra que tinha perdido as pernas poderia estar operando a máquina. Também diziam que podia ser uma ilusão de óptica que escondia o operador ou que um demônio estava preso dentro do manequim e era forçado a jogar. Kempelen apenas afirmava que era um mecanismo autômato e que não havia nenhuma manipulação humana por trás de tudo, ou seja, a máquina era totalmente automática.


   Não há nenhum esquema, desenho ou esboço que mostre como era montado o mecanismo do Turco e os desenhos que existem foram feitos por curiosos que sugeriam algumas alternativas de possíveis mecanismos, porém nenhum funcionava como o mecanismo original. Livros e artigos chegaram a ser publicados com teorias sobre o funcionamento da máquina e até alguns famosos nomes tentaram desenvolver protótipos e esquemas de mecanismos. Edgar Allan Poe era fascinado por ela.


   Após a morte de Kempelen, o Turco mudou de donos diversas vezes até ir parar no Museu chinês nos Estados Unidos e ser esquecido em uma sala. Em 1854 um incêndio no Teatro Nacional da Filadélfia alcançou o museu e destruiu para sempre O Turco, levando para sempre o segredo de uma das mais incríveis máquinas autômatas da história.

   Ficaram apenas as reproduções da máquina, mas nenhuma delas funciona exceto as que são operadas por um computador moderno. Muitas destas reproduções são protótipos baseados em desenhos de curiosos. Entretanto, há um homem nos Estados Unidos que afirma ter desenvolvido um protótipo bem fiel à máquina original. Ele diz ter levado cerca de 35 anos para desenvolvê-la e não está disposto a dividir seu segredo com ninguém por enquanto. Às vezes ele o exibe ao público e até permite que se jogue algumas partidas.

No vídeo abaixo é possível se ter uma ideia de como ele se movia.



O Turco até hoje é considerado uma das primeiras máquinas com inteligência artificial, mesmo que muita primitiva.

E você, acha que conseguiria derrotar o Turco?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

TIRINHAS DE ALGUM LIXO DE 2011


Achei agora pouco umas tirinhas que fiz, e nem sabia que existiam mais. Tudo feito no improviso, acho que eu tava tentando entrar num jornal (com um desenho bem mais amador que os dias de hoje, pqp ). Improvisei o botei a cabeça pra pensar e fiz essas quatro. Depois disso em todos esses anos, nenhuma mais, talvez tenha servido vagamente como exercício na época. 





TUBARÃO 2 – EMOÇÕES BARATAS


Tubarão 2 (Jaws 2) de Jeannot Szwarc. Com Roy Scheider, Lorraine Gary, Murray Hamilton.

Na platéia, um pouco de inquietação. Os que viram o trailer, cochicham aos amigos, contando as peripécias que possivelmente vão ver. Os amigos, talvez, não viram. Mais uma vez temos um produto das vorazes usinas de Hollywood. A oportunidade de aproveitar um lucro de US$ 200 milhões de dólares de seu homônimo “Tubarão”, fez crer que “um é pouco e dois é bom”. Todavia, observando as expressões frustradas dos espectadores, à saída do cinema, leva mesmo a conclusão que três já passa de uma idiotice das grandes. Não se pode, realmente, cativar um público com a promessa de emoções baratas. O resultado é que todos saem chamando o tubarão de tubarinho: isso pode ser um depreciativo, como pode também ser um apelido carinhoso. Durante a exibição, algumas piadas nervosas, que mais evidenciam um total desencanto.
Assim se sentem os espectadores durante a após a sessão, onde foi visto um filme cuja má intenção e inocuidade deve ter saltado aos olhos dos mais fieis cultores das profundidades hollywoodianas. Enquanto o primeiro Tubarão ficou cargo do criativo enfant terrible Steven Spielberg (brilhante em Close encounters of the third kind / Contatos Imediatos do Terceiro Grau), o segundo, uma versão pálida e confusa, passou às mãos de um impessoal artesão, egresso da TV, Jeannot Szwarc. O bicho, que é o primeiro remodelado, foi ressucitado por Robert Mattey, mesmo inventor do anterior, a tal ponto que foi forçado a mudar-lhe o sexo: o tubarão é fêmea, não enxerga nada (por isso a coitada engole até helicópteros) e, pasmem! Está grávida. O resultado é uma agressiva piranha, inspiradora de compaixão e pena, eu gostaria de perguntar ao veterano Murray Hamilton como ele se sentiu ao interpretando um papel nessa catastrófica salada. Quem nasceu para ser Szwarc, jamais chegará a Spielberg. Não se salvam nem as insinuações sub-reptícias por debaixo da história, se é que as há, fazendo com que o filme não chegue nem ao gênero “terrorífico”, aproveitando os habitantes de uma fauna catastrófica, em que topamos com abelhas gigantes, ratos monstruosos, aranhas gigantes e formigas cavalares.
Resta saber até onde vai a megalomania do desejo de David Brown e Richard Zanuck, os produtores, que seguem ao pé da letra os princípios de Lavoisier, mas com uma visível adaptação: Em Hollywood, nada se perde, nada se cria: tudo se transforma na razão direta das revelações que podem trazer o mercado. Esse tubarão não passa de uma desmilinguida façanha de parte de uma equipe medíocre. Eu mesmo prefiro um banho de mar aos Domingos.


·    Publicado originalmente no jornal Gazeta de Alagoas, edição de 7 março de 1979.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

ESTAMOS NO VENTO


Para se falar da situação atual da exibição cinematográfica em Maceió, e ser um tanto afoito, não se pode esquecer de cara exatamente com um sujeitinho apavorado, sempre irritado, consumidor declarado de calmantes e aspirinas. Ele atende pelo nome de cretino, crítico de cinema, neurótico, consumidor... Espalha a maldição altissonante de que todos são culpados. Mas, por outro lado, não se pode deixar de remarcar a função do crítico, segundo as más línguas, é resumida na maioria das vezes, em desabonar a produção que 99,99% dos espectadores adoram de todo o coração. São exatamente essas produções que fazem as filas nas bilheteria dos cinemas, arrastando indiscriminadas multidões.  Os exibidores, confiantes em sua função de mediadores, dizem: “Damos o que o espectador gosta. Os críticos, ou uma minoria elitista de visionários, se querem ver os filmes que preferem, construam um cinema particular, ora! Hollywood faz um esforço enorme para vencer a concorrência da televisão e lança um apelo dramático a uma técnica sofisticadíssima para montar Network / Rede de Intrigas, mas os críticos caem em cima. O que eles estão querendo, afinal?
Nessas alturas, alguém pode estar perguntando o que eu estou fazendo aqui. Espero estar fazendo uma crônica, ou um registro, com a intenção de rebater numa tecla já muito batida. Hoje em dia, as preferências individuais são rechaçadas ao nível do grupo pela conquista de uma linguagem massificada, tal como se pode avaliar à luz das teorias machuhanianas: o mundo é uma aldeia global onde um jargão típico, eivado de reprodutividade, se faz mais presente e relevante. A linguagem do cinema é uma daquelas obsoletas, pelo fato de se fazer ausente os mecanismos comuns, dos expediente vulgares de expressão? Não. A reificação da técnica transformou essa linguagem em joguete, após a entrada na nossa feliz amiga, a televisão. Depois de tudo isso, as pessoas que pensam para além do principio do prazer, e se atêm aos valiosos dados da realidade, vêm me perguntar o que está acontecendo com o cinema. Sei lá! Parece-me, entretanto,  o seguinte: aqui ele está levando a pior em relação aos supermercados. Um promissor festival da United Artists nos trouxe apenas um momento de alívio com Esta Terra é Minha Terra / Bound For Glory, de Hal Ashby. Com promessas iguais a essa, o destino de todos nós elitistas, moicanos, será o de nos deslocarmos para as cinematecas ou casas exibidoras com uma platéia de 200 lugares no máximo, sujeitos a pagar – com a razão de quem cobra – um preço exorbitante pela entrada. A população dos futuros cinéfilos,   aqui, será composta de criaturas excêntricas, de pessoas que procuraram reescrever, 80 anos após, o roteiro de Casablanca, filme devorado pelas traças, relegado a um museu, para guardar numa gaveta escondida num armário embutido.


1Publicado originalmente no jornal Gazeta de Alagoas, edição de 3 março de 1979.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

LIGA DA JUSTIÇA – TRONO DE ATLÂNTIDA – DC TENTANTO SE "MARVERIZAR"?


Para começo de conversa, essa não é uma história sobre a Liga, é uma história do Aquaman com uma participação quase irrelevante da Liga. Para aqueles como eu, que se decepcionaram com “Liga da Justiça – Guerra”, eis que a DC parece ter lançado uma animação para fazer com que não reclamemos muito da antecessora, dada a qualidade ainda menor dessa... Antes que tivesse incluído o Aquaman no filme anterior como foi feito nas HQs, (não que a HQ do Geoff Johns com o Jim Lee fosse primorosa)... De qualquer forma, “conheça Arthur Curry”, um pretendente a galã de novela das 8 (na animação, no quadrinho ele faz diferença) que gosta de desabafar com uma lagosta, e quando interrompido dessa sua atividade de lazer, tem o espírito do Guile do Street Fighter baixado no seu corpo o fazendo nocautear vários arruaceiros de bar clichê, não sem antes levar centenas de porradas concedidas.
Arthur vive lembrando do seu pai ( que era um velho transante, pegador de princesas ) e não simplesmente acha normal ter força e vulnerabilidade sobre-humana, além de poder respirar tranquilamente de baixo da água. Está ele em mais de um de seus dias de ressaca, quando por conveniência é visitado por um solitário senhor que diz ter estudado bastante sobre ele e sua espécie, que mal termina suas falas e é esfaqueado pelas costas (que sirva de lição: estudar e se tornar um doutor em algo só vai te fazer morrer de maneira estúpida pra tentar da um sentido pra “jornada de um herói”). Arthur não se importa e volta a lutar com alguns soldados do “temível exército Atlante”, ganhando uma ajuda de Mera, que por sua vez não quer saber de porrada, só de mandar múltiplos fatalitys (Mas claro que isso não choca ninguém, agora se fosse o Super-Homem...) . Ela, como previsível, conta a origem de Arthur, fazendo um tour marítimo com ele até o reino.
Enquanto isso, o meio-irmão maligno de Arthur (infelizmente não tão carismático pelo menos na animação, como o Loki) junta um exercito a parte e sai criando um ataque ao próprio reino, tendo o guerreiro, porém não passada essa imagem aqui – Arraia Negra. -  E o resultado de tudo isso vai ser o mais previsível possível, só que claro, sem momentos fodas como esse:



Deixando o espectador terminar uma história repletas de piadinhas ruins, olhares de tesão da Mera o tempo todo, a Liga participando mais no título do desenho do que dentro dele como o esperado.



Nota: 3.9



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

ESSE É JOHN, UM IDIOTA ÚTIL

  Estava tendo uns meses atrás uma especie de recreação pros alunos onde eu trabalho. Peguei o piloto e desenhei isso na cartolina da parede, levado pelo momento, acabei fazendo uma carapuça que serviu em muita gente, uns disfarçaram, outros olharam com olhar desaprovação, o que achei interessante foram os alunos vindo discutir comigo o desenho, era interessante ver eles lendo o cartaz e vindo comentar o que achavam.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

CINCO JOGOS QUE EU SONHO EM JOGAR UM DIA


Após umas duas semanas sem postar nada, revi um dos meus títulos pra texto e achei esse aqui. Hoje em dia eu não gosto e conheço tanto de vídeo game como há uns oito anos atrás, mas ainda gosto bastante, abaixo segue cinco jogos que eu sonho há vários anos que existam, se algum deles existir ou semelhante, por favor recomende nos comentários.

GTA GOTHAM CITY
 

GTA V é o melhor jogo já feito até hoje para mim. Simples assim. Não preciso nem dizer o quanto ele inovou, ou como a franquia soube explorar o conceito de “mundo aberto” (hoje item recorrente em boa parte dos melhores jogos, e termo recorrente nesse post). Gotham é fascinante para servir de cenário para um jogo como GTA, só que dentro do universo do morcego. Seria uma espécie de casamento aprimorado entre os jogos da série Arkham e GTA V. Pra ficar mais fascinante, além de poder ter a opção online e poder criar o personagem nela, o modo história poderia ser dividido entre o lado dos heróis e vilões, sendo tendo a opção de seleção de três personagens de cada lado, de um Bruce Wayne, Jim Gordon e Alfred e do outro Coringa, Bane e Espantalho.

 




XADREZ ONLINE 3D COM CONSTRUÇÃO DE PERSONAGENS E MODOS DE CÂMERA

 

Xadrez é mais que um jogo, é uma filosofia. Por anos sempre procurei um jogo de xadrez online ou para zerar que obedece todas as regras do mesmo, e no qual pudéssemos construir personagens e ter uma interação realista nos vídeo games. Já vi ser feito para vários esportes, desde golfe á tênis, mas não ainda para o xadrez. Seria bem interessante um jogo no qual além de criar um jogador e andar pelo mundo aberto entre épocas selecionáveis, do final de 1700 para cá, o jogador pudesse rever ou até mesmo presenciar e mudar partidas históricas como a de Napoleão Bonaparte contra o Turco em 1809, além de cada ação sua resultar em várias mudanças no mundo enxadrístico, poder encontrar o Kasparov ainda criança e por ai vai. Um jogo como esse seria “menos agressivo” que GTA, o jogador poderia ir criando uma família e ir passando até os dias atuais de geração em geração. Quem sabe em menos de 20 anos chegue a existir um jogo tão ambicioso como esse?


MARVEL V.S DC

 

Apesar de improvável, comparado com os outros dois, esse é um sonho de décadas e que parece cada vez mais próximo. Como todo gênero predominante em Hollywood que concede rios de dinheiro, eu creio que em menos de dez anos essa “febre” de super-heróis no cinema vai começar a apagar. Acuadas, tanto a Marvel quanto a DC vão se arriscar a algo maior... E na era dos Games, sugiro que vão começar por aqui. Um jogo como Marvel V.S DC com no mínimo 50 personagens jogáveis no modo árcade unindo o melhor de Marvel V.S Capcom e Injustice seria a chama necessária para o então irrealizável filme com esse mesmo nome fosse feito, seria o fechamento de chave de ouro dos super-heróis no cinema.


TREINAMENTO REALISTA NO EXERCÍTO PARA GUERRA DO VIETNAM

 

Já joguei bastantes jogos de guerra, desde Medal of Honor á Call of Duty, (que são excelentes) mas ainda falta algo. O que eu imagino seria um jogo de mundo aberto (mais um vez) onde mostre a real guerra de treinamento em pelo menos metade do jogo. Desde do alistamento, as porradas que leva dentro do quartel, todas as torturas psicológicas para tentar fornecer ao jogador a mínima sensação do sofrimento, orgulho, honra, muitas vezes desonra que é a guerra, e não só uns disparos em linhas inimigas. E uma guerra perfeita para um jogo assim seria mais uma vez a do Vietnam, contendo toda a crueldade de ambos os lados. Filmes como Full Metal Jacket e Apocalipse Now seriam ótimos guias. Além de que seria interessante o jogador poder escolher sobre qual lado ficaria, optando entre jogar na 1° e 3° pessoa.
 


HOMENS DAS CAVERNAS

 

Esse jogo eu vejo próximo a existir. Um mundo aberto no qual o jogador ainda primata, deva sobreviver no mundo sem regras e parcialmente desconhecido da Idade da Pedra. Que teste a inteligência do jogador e não dê nenhuma dica, que apenas o ponha lá, sem nenhuma missão aparente, para que ele vá descobrindo como caçar e comer, se esconder, onde dormir e como conseguir deixar sua “marca” na história.




domingo, 1 de fevereiro de 2015

As Melhores HQs de 2014


Depois da lista dos melhores filmes do ano de 2014, nada mais natural do que seguir com a lista dos melhores quadrinhos também. Sem mais delongas, eis a dita cuja.

10 ° Lugar: O Demolidor de Mark Waid. O Demolidor possui um histórico de boas histórias e bons roteiristas, e o veterano Mark Waid possui um histórico de contar ótimas histórias em praticamente todos os títulos por onde passou. Como esse casamento poderia dar errado?

9° Lugar: A Nova Miss Marvel. Sério, está todo mundo falando sobre ela! Presença obrigatória em qualquer lista dos melhores quadrinhos do ano que passou. A repercussão da HQ foi algo que surpreendeu a própria Marvel, em se tratando de uma premissa encomendada por decisão editorial, o que se vê é uma execução acima da média.

8° Lugar: Os Incríveis X-Men. Esse é um título que existe porque os fãs querem. Depois da Cisma Ciclope e uma equipe tomaram um rumo que era do interesse editorial da Marvel e do outro lado Wolverine se tornou o novo diretor do instituto seguindo os passos de Xavier. Mas ficou faltando aquela velha equipe de heróis mutantes que nos remete à fase clássica de Claremont. Para isso esse gibi está aqui. Saudosismo na veia.

7° Lugar: Jovens Vingadores. Alan Heinberg terminou o que tinha para dizer com a sua Cruzada das Crianças, mas sua equipe ainda tem fôlego e histórias para contar. Uma das coisas mais legais nos Jovens Vingadores é a própria estrutura do título desde a sua primeira encarnação, de acontecer em temporadas. Está sempre terminando e recomeçando. A série está sempre fresca e aberta a novos leitores, sem ter necessidade de mega sagas alterando tudo para justificar o novo número 1. A atual fase segue em perfeita sintonia com o público teen.

6° Lugar: The Wicked & The Divine. Já ouviu falar? Se não, provavelmente logo você vai. Eis um título que vem chamando atenção e se destacando, tendo origem fora do eixo das Duas grandes. Jogando figuras potencialmente heroicas num contexto absolutamente não heroico, esse aqui vai te surpreender, te cativar e permitir escapar um pouco da velha lenga-lenga dos vilões atacando a cidade e os mocinhos aparecendo para defender.

5° Lugar: Existe algum título de qualquer uma das Duas Grandes que tenha uma mitologia tão rica quanto os X-Men? Não, não existe. X-Men vem dar espaço a algumas das personagens mais carismáticas da história mutante, que não recebem o devido tratamento nos títulos polarizados em Ciclope ou Wolverine. E claro, mais um sinal do espaço que o público feminino vem ganhando nesse universo.

4° Lugar: Batgirl. A atual fase que começou polêmica por eliminar do cenário a adorada Oráculo. Mas algo tem que ser dito aqui: Um esforço genuíno em lançar um produto visando um leitor novo. A continuidade da existência de uma indústria em quadrinhos passa obrigatoriamente pela formação de um público novo. E o público novo não tem reclamado do que está sendo feito.

 3° Lugar; Novíssimos X-Men. Um dos títulos mais criticados. Por quem não lê. Uma das ideias mais malucas que o senhor Brian Michael Bendis já teve em toda a sua carreira? Sem dúvida. Uma premissa facilmente questionável? Sim! Mas a execução da "ideia maluca" é impecável. O que qualquer pessoa que efetivamente acompanhe o título vai te dizer é que sobre ele pouco há que se dizer além de salientar a qualidade do material. Quem não está lendo está perdendo. Sucesso hoje, clássico amanhã. Top, top, top.

2° Lugar: Novíssimo X-Factor. O mais incompreendido título dessa lista, sem dúvida. Vítima talvez de um marketing ineficaz por parte da Marvel, esse título muito apreciado por seu fiel público teve sua descontinuidade anunciada recentemente. Um pecado. Peter David que já nos deu 2 volumes do X-Factor não teve medo de ousar e criou uma nova encarnação da equipe, que muitos sequer se deram ao trabalho de conhecer e não imaginam o quanto saíram perdendo com isso. Mas tudo bem, o mesmo Peter David nos dará ainda uma quarta encarnação da série, tão certo quanto laranjas são laranjas.

1° Lugar: Os Fabulosos X-Men Volume 3. "Meus companheiros mutantes, sei que estão aí fora e sei que podem me ouvir. Ninguém mais fará isso por nós, é necessário que lutemos. E se precisarem de ajuda, nós vamos estar lá para ajudar. E aos nossos amigos humanos. Nosso apoio. Nós sentimos o seu amor. E lutaremos por vocês também. Mas aqueles que negarem a nossa liberdade... A Luta está a caminho de vocês". Brian Michael Bendis está escrevendo melhor do que nunca e nos dá a mais forte encarnação de Scott Summers desde... sei lá quando! Esse título é um dos filés da Marvel e indiscutivelmente uma das melhores coisas sendo publicadas atualmente.


Bruno Lincoln


Review HQ: X-Men V4 #4



X-Men v4 #4 com roteiro de Brian Wood e arte de David Lopez, apresenta um interlúdio para a saga Batalha do Átomo, contendo duas tramas nesta edição, focada em Jubileu e Wolverine e Rachel Grey e Tempestade.
A primeira trama se concentra em Jubileu, seu filho Shogo e Wolverine, que passam um dia juntos no Sul da Califórnia, e relembram de seus velhos tempos desde quando se conheceram. Jubilation se desanima por não poder aproveitar totalmente o Sol desde quando se tornou uma vampira, apenas podendo suportá-lo por causa de seu colar de bloqueador de luz.
E assim eles seguem ao shopping em que Jubileu conheceu Tempestade, Psylocke, Vampira e Cristal e as seguiu até a Austrália e lá se tornando uma x-man. Logan a assegura que ela deve adotar oficialmente Shogo, e não deve se prender a rótulos, pois ela é independente e será capaz de cuidar do garoto.  Já no carro, eles passam em frente à antiga casa de Jubileu, Logan tem a ideia de comprar a casa para a ex-mutante, no futuro ter uma moradia com o seu filho.
Enquanto isso, o restante da equipe está com o pássaro negro no Norte da California ajudando um avião caindo com uma asa quebrada, Tempestade acalma um pouco os passageiros, enquanto Psylocke, Kitty e Vampira pensam em algum plano, Ororo vai tirar satisfação com o por quê das ironias de Rachel, e elas têm uma breve discussão. Kitty, Betsy e Vampira vão pra cima do pássaro negro, Vampira pega a telecinese de Betsy e as duas fazem ganchos, arcos e cordas psíquicas para manter o outro avião estável. Kitty mantém Psylocke em pé, assim, Vampira pode continuar a fazer o trabalho. Na cabine do pássaro negro, Rachel e Ororo ainda discutem o que era o mais correto a se fazer no momento da batalha contra Arquea.  Após o toque da Vampira, e a quantidade vasta de energia telecinetica, Betsy começa a ficar muito fraca para aguentar tanta força bruta, Rachel a ajuda com a telecinesia. Após manter o outro avião a salvo, a telecinese que Vampira pegou de Psylocke acaba e ela cai do avião, até a hora que Ororo a resgata a tempo.


Vendo assim, essa edição foi desnecessária, a relação de Jubileu e Wolverine depois de tanto tempo é interessante, e bacana por ele se importar tanto com ela como se fosse sua filha.
A maneira que Wood e Lopez trabalharam os poderes de Betsy foi importante para o desenvolvimento de seus poderes, se tornando ainda mais interessante e vasto.
O principal dessa edição e com certeza a parte mais chata foi às discussões e ironias trocadas por Rachel e Ororo, uma querendo cutucar à outra de quem estava mais certa, se a decisão tática de Tempestade foi tosca, até aí, Rachel estava certa, mas ter uma edição com o foco neste assunto foi chato demais.
Com a saída de Coipel na arte, foi à vez de David Lopez assumir as edições de 4-6 de X-Men, apesar de não estar nem perto do potencial de Coipel, Lopez desenha muito e conseguiu fazer traços agradáveis nestas edições.

As edições 5-6 fazem parte da saga Batalha do Átomo, e “Muertas” é o que vem a seguir.


NOTA: 7,00
Bruno Lincoln