quinta-feira, 30 de julho de 2015

DO FUNDO DO BAÚ -- 04: DEFICIÊNCIA



Saindo do momento Watchmen...




E a saga dos desenhos na parede que aparentemente saem da parede em uma semana continua. Se na semana anterior o tema foi "liberdade", dessa vez foi "deficiência". Esse projeto é bem interessante. O professor como sempre fez seu desenho, e os alunos acompanharam. Isso tá parecendo uma crônica, é involuntário por eu ter lido mais de 200 páginas delas nos últimos dias, mas continuando, é um excelente teste de percepção, de como o aluno enxerga algo, mesmo na inocência de seus 11- 14 anos.

Desenho do professor.


Dessa vez não fiz o desenho de imediato, não tinha muita coisa na cabeça para desenhar. Comecei desenhando um pirata. Na minha mente veio um pirata, na minha imaginação com o traço de Brian Bolland ou Glen Fabry, um pirata erguendo um gancho de sua mão como uma conquista, daí vi que seria muita provocação... Já que o cara tava careca, iria puxar para ou o Professor Xavier que não se limita a própria deficiência, ou o Lex Luthor e sua deficiência moral.

Errei o traço várias vezes, e fui me desconcentrado por uns alunos passando e perguntando se era o Flash Reverso (??!!), que tava parecido, e se não fosse ele, que fizesse ele, outro veio dizer que era o Dr. Manhattan. Mas a principal questão ainda permeava vindo de muitos:

"O que tema ver isso que você ta fazendo com o tema da deficiência?"

Hmmm.

De súbito, desenhei um soco inglês na mão do cara e disse que o que tinha a ver era que colocaria ele dizendo que acabou de quebrar o braço de alguém.

Eles riram e duvidaram. "O senhor não tem coragem", disseram.

Acabei então desenhando um cara que lembra um capanga da máfia, ao mesmo tempo que lembrava algum lutador de arcade. Talvez alguma vaga lembrança de alguém que eu tenha escolhido para lutar no "The King of Fighter 98". "Ele vai ser um mafioso, vou fazer ele como um cara que acabou de ver a ascenssão de poder do Don Corleone (Como mostrado em Poderoso Chefão Parte II), um cara que pretende mata-lo por este ter tomado o lugar de seu antigo chefe (O Don que Robert de Niro mata durante festividades em uma cena brilhante).

Apareceram tarefas para fazer, depois voltei e mudei um pouco a história e não citei Poderoso Chefão, essa é a versão final, tire suas próprias conclusões pelo texto garrancho que eu escrevi, bem como a própria ilustração:


"Diário de Karlos Bukus, 05 de abril de 1933. Eu nasci manco, mas meu pai disse que isso não seria motivo para tropeçar e se agarrar nos outros. Cresci em meio a imigrantes italianos e chineses, divididos entre trabalhadores e mafiosos.

Eu era do primeiro grupo, até levar uma surra por ter sido confudido. Agora sou eu, meu mais bonito terno e mais polido "soco inglês" contra a sorte.

Quem sabe eu estivesse fora das consequências da "Grande Depressão" eu disse-se palavras mais bonitas."

Mas seria injusto não mostrar as ilustrações dos demais. Um deles se inspirou no meu Ulisses e melhorou a ideia, fazendo uma divisão no meio da folha, representando o Demolidor. eu devia ter pensado nisso ao invés de ficar desenhando carecas



A maioria dos desenhos foi mais "We are the world", o meu desenho no meio deles fica quase uma peça fora do lugar, algo que a gente olha e coça os olhos pela ausência de padrão, algo que pode se tornar incômodo.













HISTORIETA DE QUINTA #05?


Acho que é a #05, nem lembro mais onde parei, só sei que são nas Quintas, e que elas nunca faltam. Vou procurar entre vários quadrinhos onde eu botei o Fanzine impresso desses caras, tinha uma história muito bem escrita fazendo paralelo com a corrupção na Petrobras que vale muito a pena ser lida, o tipo de material, que eu como editor da Vertigo publicaria. 







Se você acha isso que o cara fez com garoto cruel, certamente não jogou Ultimate Spiderman do Ps2...





quarta-feira, 29 de julho de 2015

O VALOR DA AMIZADE





O valor da amizade: Indico veemente o The Wall bem como Pink Floyd para ela anos atrás, mas isso não é mencionado, já que misticamente, não existe mas na memória de ambos.

O Iluminado: Passo 30 minutos falando do quanto impressionante é o filme para o Sr e para a "produção" através do Skype, mas isso também não é mencionado, outro ato místico de esquecimento, eu suponho.

Isso sem falar da maneira um tanto vaga que um filme dessa proporção é comentado. Particularmente, vi o filme duas vezes seguidas, assisti um documentário sobre, vou ler o livro e ainda me acho inapto para comentar sobre, mas é claro que o Sr, em todo seu esplendor de comunicação conseguiu desfiar a psique e subjetividade do filme em 5 minutos.

No final a vida é isso, um quarto cheio de mangás e bonequinhos comprados com dinheiro dos pais. 

"O que há entre mim e eles? Oh eu, oh vida?"



terça-feira, 28 de julho de 2015

HÉRCULES -- PARTE 01



Vou começar aqui e agora uma série de transcrições, não de qualquer bobagem, mas de um mito, magistralmente contado pelo historiador Junito Brandão. Ele escreveu o que eu acho de “trilogia suprema da Mitologia Grega”, e seus livros, além de pouco conhecidos pela maioria, são bastante caros, cerca de 100 reais cada. Resolvi transcrever aqui nesse primeiro post, a introdução que ele faz de Hércules, cujo nome correto é Alcides, seu nome só seria esse de fato após a conclusão dos trabalhos. Seria ofensivo e presunçoso se eu simplesmente ler isso e tenta-se contar com as minhas palavras, seria até mesmo um demérito, visto que o Sr. Junito fez uma pesquisa de uma vida para escrever esses três livros, portanto em respeito a esse grande homem, vou compartilhar isso para que mais pessoas possam ler. Vou dividir em umas quatro partes (formatadas para uma melhor compreensão e leitura), são cerca de quarentas e poucas páginas, resumindo ao máximo as várias versões, desse que é considerado o mais bravo e forte dos semi-deuses.

Héracles e os Doze Trabalhos 1 HÉRACLES, em grego `HraklÍ$ (Heraklês), é interpretado em etimologia popular como palavra composta de ”Hra (Héra), "Hera" e kle/o$ (kléos), "glória", ou seja, o que fez a glória de Hera, saindo-se vitoriosamente nos doze trabalhos gigantescos que a deusa lhe impôs. Pergunta, entretanto, Carnoy, se a etimologia citada não resultaria de uma confusão entre o nome da deusa, que o perseguia, e o nome fo« (êra), sem aspiração, e que significa serviço, uma vez que o herói realmente pode ser chamado "aquele que gloriosamente serviu por suas gestas célebres". Quanto ao nome latino do deus, Hércules, este provém do grego Heraklês, possivelmente com um intermediário etrusco hercle. Seja como for, trata-se de mais um nome mítico sem uma etimologia satisfatória. Muito embora seja Zeus, no mito, e não Anfitrião, o pai de Héracles, este vem a ser bisneto de Perseu pelo lado materno, pois Alcmena, sua mãe, é filha de Eléctrion e neta de Perseu. O quadro a seguir torna mais clara a genealogia do maior dos heróis gregos.

Perseu querendo a cabeça de quem fez o remake de Fúria de Titãs...

Já tendo sido mencionados todos os filhos de Perseu e Andrômeda no fim do capítulo anterior, vamos nos preocupar apenas com Alceu e Eléctrion. Enquanto neto de Alceu, o filho de Alcmena é chamado igualmente 'AtoceíSrjç (Alkéides), Alcides, nome proveniente de * M (alké), "força em ação, vigor". Em tese, até a realização completa dos Doze Trabalhos, o herói deveria ser chamado tão-somente de Alcides, pois só se torna a "glória de Hera", Héracles, após o término de todas as provas iniciáticas impostas pela deusa. É assim, aliás, que lhe chama Píndaro, Olímpicas, 6,68: "o rebento ilustre da raça de Alceu". É extremamente difícil tentar expor, já não diria em ordem racional, mas até mesmo com certa ordem, o vasto mitologema de Héracles, uma vez que os mitos, que lhe compõem a figura, evoluíram ininterruptamente, desde a época pré-helênica até o fim da antiguidade greco-latina. Variantes, adições e interpolações várias de épocas diversas, algumas até mesmo de cunho político, enriqueceram de tal modo o mitologema, que é totalmente impraticável separar-lhe os mitemas. O único método válido, a nosso ver, para que se tenha uma visão de conjunto desse extenso conglomerado, é dividir a estória de Héracles em ciclos, fazendo-os preceder dos mitos concernentes a seu nascimento, infância e educação. Vamos, assim, tentar estabelecer uma divisão mais ou menos didática nesse longo mitologema, a fim de que se possa ter uma idéia das partes e, quanto possível, do todo.


Nosso esquema "artificial" funcionará, pois, da seguinte maneira:

1 — nascimento, infância e educação de Héracles;

2 — o ciclo dos Doze Trabalhos;

3 — aventuras secundárias, praticadas no curso dos Doze Trabalhos;

4 — gestas independentes do ciclo anterior; e 5 — ciclo da morte e da apoteose do herói.


O Hino homérico a Héracles, 1-8, em apenas oito versos, nos traça o destino completo do herói incomparável:

É a Héracles, filho de Zeus, que vou cantar,
ele que ê de longe o maior dentre os que habitam a terra.
Aquele a quem Alcmena, na Tebas de belos coros, deu a luz,
após unir-se ao Crônida de sombrias nuvens.
Errou e sofreu, primeiro, sobre a terra e no mar imensos; em seguida triunfou, graças à sua bravura,
e, sozinho, executou tarefas audaciosas e inimitáveis. Agora, habita feliz a bela mansão do Olimpo nevoso
e tem por esposa a Hebe de lindos tornozelos.


Anfitrião, filho de Alceu, casara-se com sua prima Alcmena, I ilha de Eléctrion, rei de Micenas, mas tendo involuntariamente causado a morte de seu sogro e tio, foi banido por seu tio Estênelo, rei suserano de Argos, e de quem dependia o reino de Micenas. Expulso, pois, de Micenas, Anfitrião, em companhia da esposa, refugiou-se em Tebas, onde foi purificado pelo rei Creonte. Como Alcmena se recusasse a consumar o matrimônio, enquanto o marido não lhe vingasse os irmãos, mortos pelos filhos de Ptérela77, Anfitrião, obtida a aliança dos Tebanos e com contingentes provindos de várias regiões da Grécia, invadiu a ilha de Tafos, onde reinava.

Ptérela era um dos muitos descendentes de Perseu. Durante o reinado de Eléctrion em Micenas, os filhos de Ptérela foram reclamar aquele reino, ao qual diziam ter direito, uma vez qui ali reinara um seu bisavô, Mestor, irmão de Eléctrion. Este repeliu indignado as pretensões dos príncipes, que, como vingança, lhe roubaram os rebanhos. Desafiados pelos filhos de Eléctrion para um combate, houve grande morticínio, tendo escapado apenas dois contendores, um de cada família. Foi, por amor de Alcmena, que Anfitrião empreendeu a guerra contra Tafos. Havia, no entanto, um oráculo segundo o qual, em vida do rei Ptérela, a ilha jamais poderia ser tomada, É que a vida do rei estava ligada a um fio de cabelo de ouro que Posídon implantara na cabeça do mesmo. Aconteceu, no entanto, que Cometo, filha de Ptérela, se apaixonara por Anfitrião e, enquanto o pai dormia, arrancou o fio de cabelo mágico, provocando-lhe assim a morte e a ruína de Tafos.

O modo como mostram o Hades em GOW 3 é de uma fidelidade quase impecável.

Ptérela. Com a traição de Cometo, a vitória de Anfitrião foi esmagadora. Carregado de despojos, o filho de Alceu se aprestou para regressar a Tebas, com o objetivo de fazer Alcmena sua mulher. Pois bem, foi durante a ausência de Anfitrião que Zeus, desejando dar ao mundo um herói como jamais houvera outro e que libertasse os homens de tantos monstros, escolheu a mais bela das habitantes de Tebas para ser mãe de criatura tão privilegiada. Sabedor, porém, da fidelidade absoluta da princesa micênica, travestiu-se de Anfitrião, trazendo-lhe inclusive de presente a taça de ouro por onde bebia o rei Ptérela e, para que nenhuma desconfiança pudesse ainda, porventura, existir no espírito da "esposa", narrou-lhe longamente os incidentes da campanha. Foram três noites de um amor ardente, porque, durante três dias, Apolo por ordem do pai dos deuses e dos homens, deixou de percorrer o céu com seu carro de chamas. Ao regressar, logo após a partida de Zeus, Anfitrião ficou muito surpreso com a acolhida tranquila e serena da esposa e ela também muito se admirou de que o marido houvesse esquecido tão depressa a grande batalha de amor travada até a noite anterior em Tebas… Um duelo que fora mais longo que a batalha na ilha de Tafos! Mais espantado e, dessa feita, confuso e nervoso ficou o general tebano, quando, ao narrar-lhe os episódios da luta contra Ptérela, verificou que a esposa os conhecia tão bem ou melhor que ele. Consultado, o adivinho Tirésias revelou a ambos o glorioso adultério físico de Alcmena e o astucioso estratagema de Zeus. Afinal, a primeira noite de núpcias compete ao deus e é, por isso, que o primogênito nunca pertence aos pais, mas a seu Godfather…  Mas Anfitrião, que esperara tanto tempo por sua lua de mel, se esquecera de tudo isto e, louco de raiva e ciúmes, resolveu castigar Alcmena, queimando-a viva numa pira. Zeus, todavia, não o permitiu e fez descer do céu uma chuva repentina e abundante, que, de imediato, extinguiu as chamas da fogueira de Anfitrião. Diante de tão grande prodígio, o general desistiu de seu intento e acendeu outra fogueira, mas de amor, numa longa noite de ternura com a esposa. Com tantas noites de amor, Alcmena concebeu dois filhos: um de Zeus, Héracles; outro de Anfitrião, Íficles.

Acontece que Zeus, imprudentemente, deixara escapar que seu filho nascituro da linhagem dos persidas reinaria em Argos. De imediato, a ira e o ciúme de Hera, que jamais deixou em paz as amantes e os filhos adulterinos de seu esposo Zeus, começaram a manifestar-se. Ordenou a Ilítia, deusa dos partos, (sobre quem já se falou no Vol. II, p. 58) e que, diga-se mais uma vez, é uma hipóstase da própria rainha dos deuses, que retardasse o mais possível o nascimento de Héracles e apressasse o de Euristeu, primo de Alcides, porquanto era filho de Estênelo. Nascendo primeiro, o primo do filho de Alcmena seria automaticamente o herdeiro de Micenas. Foi assim que Euristeu veio ao mundo com sete meses e Héracles com dez! Este acontecimento é narrado minuciosamente na Ilíada, XIX, 97-134. Fazia-se necessário, todavia, iniciar urgentemente a imortalidade do herói. Zeus arquitetou um estratagema, cuja execução, como sempre, ficou aos cuidados de Hermes: era preciso fazer o herói sugar, mesmo que fosse por instantes, o seio divino de Hera. O famoso Trismegisto conseguiu mais uma vez realizar uma façanha impossível: quando a deusa adormeceu, Hermes colocou o menino sobre os seios divinos da imortal esposa de Zeus. Hera despertou sobressaltada e repeliu a Héracles com um gesto tão brusco, que o leite divino espirrou no céu e formou a Via Láctea!

Esse foi o primeiro chocalho de Alcides.
Existe uma variante que narra o episódio de maneira diversa. Temerosa da "ira sempre lembrada da cruel Juno", como diria muito mais tarde Vergílio, Eneida, 1,4, com respeito ao ressentimento da deusa contra Enéias, Alcmena mandou expor o menino nos arredores de Argos, num local que, depois, se chamou "Planície de Héracles". Por ali passavam Hera e Atená e a deusa da inteligência, vendo o exposto, admirou-lhe a beleza e o vigor. Pegou a criança e entregou-a a Hera, solicitando-lhe desse o seio ao faminto. Héracles sugou o leite divino com tanta força, que feriu a deusa. Esta o lançou com violência para longe de si. Atená o recolheu e levou de volta a Alcmena, garantindo-lhe que podia criar o filho sem temor algum. De qualquer forma, o vírus da imortalidade se inoculara no filho de Zeus e Alcmena. Mas o ódio de Hera sempre teve pernas compridas. Quando o herói contava apenas oito meses, a deusa enviou contra ele duas gigantescas serpentes. Íficles, apavorado, começou a gritar, mas Héracles, tranqüilamente, se levantou do berço em que dormia, agarrou as duas víboras, uma em cada mão, e as matou por estrangulamento. Píndaro, nas Neméias, 1,33-63, disserta poética e longamente sobre a primeira grande gesta de Héracles. Anfitrião, que acorrera de espada em punho, ao ver o prodígio, acreditou, finalmente, na origem divina do "filho". E o velho Tirésias, mais uma vez, explicou o destino, que aguardava o herói. A educação de Héracles, projeção da que recebiam jovens gregos da época clássica, começou em casa. Seu primeiro grande mestre foi o general Anfitrião, que o adestrou na difícil arte de conduzir bigas. Lino foi seu primeiro professor de música e de letras, mas enquanto seu irmão e condiscípulo Íficles se comportava com atenção e docilidade, o herói já desde muito cedo dava mostra de sua indisciplina e descontrole.

Num dia, chamado à atenção pelo grande músico, Héracles, num assomo de raiva, pegou um tamborete, outros dizem que uma lira, e deu-lhe uma pancada tão violenta, que o mestre foi acordar no Hades. Acusado de homicídio, o jovem defendeu-se, citando um conceito do implacável juiz dos mortos, Radamanto, segundo o qual tinha-se o direito de matar o adversário, em caso de legítima defesa. Apesar da quando muito legítima defesa cerebrinamente putativa, Héracles foi absolvido. Em seguida, vieram outros preceptores: Eumolpo prosseguiu com o ensino da música; Êurito, rei de Ecália, que bem mais tarde terá um problema muito sério com o herói, ensinou-lhe o manejo do arco, arte em que teve igualmente por instrutor ao cita Têntaro e, por fim, Castor o exercitou no uso das demais armas. Héracles, porém, sempre se portou como um indisciplinado e temperamental incorrigível, a ponto de, temendo pela vida dos mestres, Anfitrião o mandou para o campo, com a missão de cuidar do rebanho. Enquanto isso, o herói crescia desproporcionadamente. Aos dezoito anos, sua altura chegava a três metros! (Nota minha: Fiel a esse fato até hoje só vi o terceiro jogo de God of War)  E foi exatamente aos dezoitos anos que Héracles realizou sua primeira grande façanha, a caça e morte do leão do monte Citerão. Este animal, de porte fora do comum e de tanta ferocidade, estava causando grandes estragos nos rebanhos de Anfitrião e do rei Téspio, cujas terras eram vizinhas das de Tebas. Como nenhum caçador se atrevesse a enfrentar o monstro, Héracles se dispôs a fazê-lo, transferindo-se, temporariamente, para o reino de Téspio. A caçada ao leão durou cinqüenta dias, porque, quando o Sol se punha, o caçador retornava, para dormir no palácio. Exatamente no qüinquagésimo dia, o herói conseguiu sua primeira grande vitória. Acontece, porém, que Téspio, pai de cinqüenta filhas, e desejando que cada uma tivesse um filho de Héracles, entregava-lhe uma por noite e foi assim que, durante cinqüenta dias, o herói fecundou as cinqüenta jovens, de que nasceram as tespíades. A respeito da divergência do tempo que durou essa proeza sexual do filho de Alcmena já se falou na Introdução, Capítulo I, onde se mostrou, igualmente, que a potência sexual de Héracles não teve competidor, ao menos no mito. É possível que nos civilizados tempos modernos a Surmâle de Jarry lhe possa servir de parâmetro...

Ao retornar do reino de Téspio, Héracles encontrou nas vizinhanças de Tebas os delegados do rei de Orcômeno, Ergino, que vinham cobrar o tributo anual de cem bois, que Tebas pagava a Orcômeno, como indenização de guerra. Após ultrajá-los, o herói cortou-lhes as orelhas e o nariz e, pendurando-os ao pescoço de cada um, os enviou de volta, dizendo-lhes ser este o pagamento do tributo. Indignado, Ergino, com um grande exército, marchou contra Tebas. Héracles desviou o curso de um rio e afogou na planície a cavalaria inimiga. Perseguiu, em seguida, a Ergino e o matou a flechadas. Antes de retirar-se com os soldados tebanos, impôs aos mínios de Orcômeno o dobro do tributo que lhes era pago por Tebas. Foi nesta guerra que morreu Anfitrião, lutando bravamente ao lado do filho. O rei Creonte, grato por tudo quanto o filho de Alcmena fizera por Tebas, deu-lhe em casamento sua filha primogênita  (Nota: Essa é a mais mencionada como esposa de Hércules nas histórias, inclusive nas animações da Disney) , enquanto a caçula se casava com Íficles, tendo este, para tanto, repudiado sua primeira esposa Automedusa, que lhe dera um filho, Iolau. De Héracles e Mégara nasceram oito filhos, segundo Píndaro; três, conforme Apolodoro; sete ou cinco, consoante outras versões. Não importa o número. Talvez o que faça pensar é a reflexão de Apolodoro de que Héracles somente foi pai de filhos homens, como se de um macho quiçá só pudessem nascer machos… (Apol. 2,7,8).

Hera, porém, preparou tranqüilamente a grande vingança. Como protetora dos amantes legítimos, não poderia perdoar ao marido seu derradeiro adultério, ao menos no mito, sobretudo quando Zeus tentou dar a essa união ilegítima com Alcmena o signo da legitimidade (Diod. 4,9,3; Apol. 2,4,8), fazendo o menino sugar o leite imortal da esposa. Foi assim que a deusa lançou contra Héracles a terrível LÚssa (Lýssa), a raiva, o furor, que, de mãos dadas com a °noia (ánoia), a demência, enlouqueceu por completo o herói. Num acesso de insânia, ele acabou matando a flechadas ou lançando ao fogo os próprios filhos. Terminado o morticínio dos seus, investiu contra os de Íficles, massacrando a dois. Sobraram dessa loucura apenas Mégara e Iolau, salvos pela ação rápida de Íficles. Recuperada a razão, o herói, após repudiar Mégara e entregá-la a seu sobrinho Iolau, dirigiu-se ao Oráculo de Delfos e pediu a Apolo que lhe indicasse os meios de purificar-se desse ¢koÚsio$ fÒno$ (akúsios phónos), desse "morticínio involuntário", mas, mesmo assim considerado "crime hediondo", na mentalidade grega. A Pítia ordenou-lhe colocar-se ao serviço de seu primo Euristeu durante doze anos, ao que Apolo e Atená teriam acrescentado que, como prêmio de tamanha punição, o herói obteria a imortalidade. Existem variantes acerca dessa submissão de Héracles a Euristeu, que, aliás, no mito é universalmente tido e havido como um poltrão, um covarde, um deformado física e moralmente. Incapaz, até mesmo, de encarar o herói frente a frente, mandava-lhe ordens através do arauto Copreu, filho de Pélops, refugiado em Micenas. Proibiu, por medo, que Héracles penetrasse no recinto da cidade e, por precaução, mandou fabricar um enorme jarro de bronze como supremo refúgio. E não foi preciso que o herói o atacasse, para que Euristeu "usasse o vaso". Mais de uma vez, como se verá, o rei de Micenas se serviu do esconderijo, só à vista das presas e monstros que lhe eram trazidos pelo filho de Alcmena. Numa palavra: Euristeu, incapaz de realizar mesmo o possível, impôs ao herói o impossível, vale dizer, a execução dos célebres Doze Trabalhos.

Dizíamos, porém, que existem variantes, que explicam de outra maneira a submissão de Héracles ao rei de Micenas. Uma delas relata que Héracles, desejando retornar a Argos, dirigiu-se ao primo e este concordou, mas desde que aquele libertasse primeiro o Peloponeso e o mundo de determinados monstros. Uma outra, retomada pelo poeta da época alexandrina, Diotimo, apresenta Héracles como amante de Euristeu (???!!) . Teria sido por mera complacência amorosa que o herói se submetera aos caprichos do amado, o que parece, aliás, uma ressonância tardia do discurso de Fedro no Banquete de Platão (tinha que ser daí mesmo...) , 179. As variantes apontadas e outras de que não vale a pena falar, bem como a "condição de imortalidade", sugerida ou imposta por Apolo e Atená, provêm simplesmente da reflexão do pensamento grego sobre o mito: a necessidade de justificar tantas provações por parte de um herói idealizado como o justo por excelência. Para as religiões de mistérios, na Hélade, os sofrimentos de Héracles configuram as provas por que tem que passar a psiqué, que se libera paulatina, mas progressivamente dos liames do cárcere do corpo. 96 3 Os Doze Trabalhos são, pois, as provas a que o rei de Argos, o covarde Euristeu, submeteu seu primo Héracles.

Num plano simbólico, as doze provas configuram um vasto labirinto, cujos meandros, mergulhados nas trevas, o herói terá que percorrer até chegar à luz, onde, despindo a mortalidade, se revestirá do homem novo, recoberto com a indumentária da imortalidade. Quanto ao número DOZE, trata-se de algo muito significativo. Para Jean Chevalier e Alain Gheerbrant7 "é o número das divisões espaço-temporais, o produto dos quatro pontos cardeais pelos três níveis cósmicos. Divide o céu, visualizado como uma cúpula, em doze setores, os doze signos do zodíaco, mencionados desde a mais alta antigüidade (...). A combinação de dois números 12x5 origina os ciclos de 60 anos, quando se culminam os ciclos solar e lunar. Doze simboliza, pois, o universo em seu desenvolvimento cíclico espaço-temporal. Configura igualmente o universo em sua complexidade interna. O duodenário, que caracteriza o ano e o zodíaco, representa a multiplicação dos quatro elementos, água, ar, terra e fogo, pelos três princípios alquímicos, enxofre, sal e mercúrio, ou ainda os três estados de cada elemento em suas fases sucessivas: evolução, culminação e involução". Na simbólica cristã, o doze tem um significado todo particular. A combinação do quatro do mundo espacial e do três do tempo sagrado, dimensionando a criação-recriação, produz o número doze, que é o do mundo concluído. Doze é outrossim o número da Jerusalém celeste: 12 portas, 12 apóstolos, 12 cadeiras...; é o número do ciclo litúrgico do ano de doze meses e de sua expressão cósmica, que é o Zodíaco. Para os escritores sagrados doze é o número da eleição, o número do povo de Deus, da Igreja. Jacó gerou doze filhos, ancestrais epônimos das doze tribos de Israel (Gn 35,23sqq.). A árvore da vida estava carregada com doze frutos; os sacerdotes tinham doze jóias. Doze eram os Apóstolos. A Jerusalém celestial do Apocalipse 21,12 estava assinalada com o número doze: "E tinha um muro grande e alto com doze portas; e nas portas doze anjos, e uns nomes escritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel". Logo a seguir, em 21,14, diz o Apocalipse: "E o muro da cidade 78. Op. cit., p. 365sq. 97 tinha doze fundamentos e neles os doze nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro". E o doze e seus múltiplos continuam por todo o Capítulo 21. Os fiéis dos fins dos tempos serão 144 000, 12 000 de cada uma das doze tribos de Israel (Ap 7,4-8; 14,1). Também em torno da Távola Redonda do rei Artur sentavam-se doze cavaleiros. Doze é, por conseguinte, o número de uma realização integral, de um fecho completo, de um uróboro. Desse modo, no Tarô, a carta do Enforcado (XII) marca o fim de um ciclo involutivo, seguido pelo da morte (XIII), que deve ser tomado no sentido de renascimento. Mostraremos esse décimo terceiro trabalho de Héracles… Voltemos às fadigas do herói-deus dos Helenos. Os mitógrafos da época helenística montaram um catálogo dos Doze Trabalhos em duas séries de seis. Os seis primeiros tiveram por palco o Peloponeso e os seis outros se realizaram em partes diversas do mundo então conhecido, de Creta ao Hades. Advirta-se, porém, que há muitas variantes, não apenas em relação à ordem dos trabalhos, mas igualmente no que tange ao número dos mesmos. Apolodoro, por exemplo, só admitia dez. Exceto a clava, que o próprio herói cortou e preparou de um tronco de oliveira selvagem, todas as suas demais armas foram presentes divinos: Hermes lhe deu a espada; Apolo, o arco e as flechas; Hefesto, uma couraça de bronze; Atená um peplo e Posídon ofereceu-lhe os cavalos.




Pronto. Espero que tenham achado interessante, o próximo post será dos doze trabalhos. Apesar de ainda ser resumido, é sempre bom ver várias fontes, cada qual acrescenta mais um pouco. Eu recomendaria esse vídeo aqui como um “dever de casa” da “aula” de hoje. Para não ficar muita informação de uma vez só, e melhorar a qualidade, esse post será lançado semanalmente. Até a próxima Terça.




LIGA DA JUSTIÇA – DEUSES E MONSTROS


“Luthor era um elitista frustrado cuja influência estava diminuindo. Eu venho do povo, Srta. Lane. Eu fui criado por um casal de imigrantes, eu já passei por dificuldades. Se eu faço justiça com a mão pesada é porque eu estava no lado que sofria, mas eu estou aqui quando o meu país precisa de mim. Cadê o Lex Luthor? Sumido! Ausente!”  

Um brinde a Jack kirby, sem ele, não estaríamos aqui.
  Criatividade e nostalgia: dois elementos que se combinam e fazem dessa animação um material de qualidade que há muitos os fãs queriam com a Liga. Somos apresentados a uma versão sombria e violenta da Liga que crescemos assistindo, algo que temos tudo para não gostar, e acabamos nos rendendo ao exercício bem executado do “e se”. E se Super-Homem fosse filho de Zod e criado por pais imigrantes ilegais dos EUA? E se Batman fosse de fato seu adversário Kirk Langstron, aqui sobre a forma de um controlado vampiro? Diana uma guerreira cruel filha dos Novos Deuses? (Ah Rei Kirby, se o Sr estivesse vivo para ver isso).

Luthor, no ápice da genialidade e frustração com a própria humanidade.

Parece ser mais um “Eu já vi isso antes, mais uma das histórias de Terras Paralelas” se não fosse à execução corajosa que a animação segue. Não apenas referenciando o extenso universo DC, ele até manda indiretas como o Lex Luthor não limitando o intelecto dele a alguém tão “pequeno” quanto o Super-Homem, quando de fato há universos a serem descobertos. E está ai a síntese do que a animação se propõe: ao invés de ficar nos velhos confrontos, romper de fato a barreira que faz com que personagens que não evoluem significativamente em décadas nas mensais, possam transgredir nos poucos mais de 60 minutos de projeção, deixando o telespectador incrédulo com o que acabou de ver, ansioso para que aquele universo continue e expanda-se mais.

“Uma das melhores histórias da Liga”, mas que de fato não é sobre a Liga seria meu modo de definir, tão qual dizem semelhante com o “Supremo” de Alan Moore, só que esse com a figura do Homem de Aço. O que parecia ser só mais um desenho bobo se mostra uma excelente parábola sobre “o meio influir no que o individuo tende a ser, mas sua essência ser uma escolha inegável de si”, com flertes a obras como Watchmen, Exterminador do Futuro 2, e Authority para citar os mais expostos. É necessário dizer que um “flerte” de uma obra com outras sempre é algo contraditório. O que pode ser uma jogada inteligente quando bem executado, pode se tornar um plágio ridículo sem personalidade própria, felizmente, Deuses e Monstros é o primeiro caso.


Também existe o viés cínico do desenho em relação à suposta postura genérica que o super-herói deve seguir. Um claro exemplo disso é o Super-Homem não ser o clássico patriótico que veste as cores do país, mas um amargurado ser poderoso sem a inocência e otimismo conhecido do personagem, um fator, reforço, dentro do contexto maior que a obra oferece. Batman se mostra um exímio detetive como sua contraparte tradicional, embora seja ainda mais introspectivo, e eu diria, mais humilde, embora carrasco, eis mais outras das irônicas complexidades dos personagens, por ultimo, mas de relevância igual, a Mulher-Maravilha não como amazona, mas pertencente a um conflito maior que pode ser o tema da sequência da animação.

 

O calcanhar de Aquiles da obra talvez seja o vilão, embora o objetivo desse, seja uma versão extremista do domínio do mundo inicial que o próprio Super-Homem idealizava, embora a execução de seu plano maior seja brilhante no decorrer do desenho, uma espécie de Ozymandias mais ficcional e menos realista.



“Hora de olhar para frente. Conhece o ditado? O passado é como outro planeta.”


Reupado em RMVB legendado:






segunda-feira, 27 de julho de 2015

WOLVERINE V.S MULHER MARAVILHA?


Mugen não é o game que os gamers precisam, mas o que eles merecem. Baixando um jogo desse, colocando um joystick na usb, pra quê vou precisar de um Play 3? Haw haw haw.


Tem isso aqui também, acho que ainda tá em desenvolvimento. A atriz escolhida para Mulher-Maravilha parece ter saído de uma pintura de Alex Ross. Esses caras são fodas.


E mais Mike Deodato Jr:


FOI UMA HONRA LUTAR NA TRUTAS WAR


   Recentemente acabou a Trutas War, megasaga do Baile dos Enxutos. Tudo nasceu de um conflito que acabou virando uma piada interna. Uma piada tão repetida, não só pelos colabores, mas pelos comentaristas, que um cara chamado Ex-Jesse Custer "Reverendo" acabou fazendo uma megasaga. Caso não frequente o BDE como assim, não?, eu explico rapidamente.

Lá para Abril, a página do Facebook dos caras recebeu uma ameaça de agressão física ao colaboradores, sobre a alegação de que o site era completamente "marveco" e xingava quase tudo da DC. Daí, essa designação sobre o arquétipo do cara briguento, intolerante, que impõe o que pensa na base da porrada e ameaça: o truta.


Não foi questão de tempo para o Reverendo somar isso ao que chamam de "mimimi" nos comentários, essa definição eu creio não precisar explicar, embora eu tenha uma visão diferente do que seja o "mimimi"... Mas isso é para outro post. Abaixo as quatro partes do conto, para minha surpresa, eu virei um participante ativo (opa) a desde primeira edição, não deixe de ler antes do excelente texto do King "O Radicalismo Fútil dos Fanboys" antes.

PARTE 01 -- AGE OF TRUTA

PARTE 02 -- CRISE DAS INFINITAS TRUTAS

PARTE 03 -- TRUTA WORLD

PARTE 04 -- FINAL.



"Tio Ultimate: Você ainda está vivo, Ozymandias? Pensei que havia morrido após ter te excluir definitivamente do A&C, por tocar em assuntos proibidos…
Ozymandias Realista: Ao contrário Tio, isso era tudo parte do plano. Sabia que vocês tinham um pé com trutas!"

sábado, 25 de julho de 2015

DO FUNDO DO BAÚ #03



O citado desenho do Ulisses que eu fiz essa semana. Um humilde tributo, a esse que eu considero o Batman da mitologia grega. Muitas crianças perguntaram se eu tinha desenhado "o Arrow", e eu educadamente respondia: "O Arrow é uma versão de viadinho desse daqui". Por coincidência, teve uns alunos do 6º ano que ia estudar mitologia, e já chegavam animados pra professora falando sobre o Ulisses. É engraçado que a maioria das pessoas assiste e lê tanta coisa derivada da mitologia grega, mas muitas vezes não para para ler de fato a própria. Tem uma porrada de alunos lá que eu vivem lendo "Percy Jackson", assistindo "Fúria de Titãs" ou zerando os God of War, mas entretanto não sabe quem foi Édipo... Sem falar na grandeza que os gregos deixaram em cultura para civilização ocidental.


Sobre o desenho em sí, foi só um rascunho de como eu imaginei que Ulisses poderia ser. Barbudo, cabelo grande, porém aparado, cicatrizes de guerra, um olhar de vingança, ao mesmo tempo que confuso após voltar para casa, sem falar que ele ainda se disfarçaria de mendigo para entrar no próprio reino, o qual estava cercado por "pretendentes" a sua mulher, todos covardes gananciosos certos de que Ulisses havia morrido, dada tantas décadas que não voltava para casa. Esse arco que ele carrega, foi forjado pelo próprio Apolo, dado por um dos que foi discípulos de Hércules, enquanto Ulisses ia para a Guerra de Troia. Na minha visão, o ego de Ulisses o permitiria que ele esculpisse uma placa de metal com o rosto do ciclope que ele vencera no passado. E o carregaria ali, como um sinônimo de seu intelecto sobre a mais aterradora monstruosidade. 

Esse projeto de desenharem em uma cartolina que ficava na parede, é uma iniciativa de um professor de inglês bem simpático, que porventura é ilustrador profissional, faz capas de livro e tudo. Sempre que ele pode, coloca as cartolinas, faz um desenho modelo e dá um tema. Sempre que eu posso eu coloco as cartolinas com ele, para depois desenhar em uma. O tema dessa vez foi "Liberdade". O grande vacilo mesmo foi desenhar as flechas com as pontas para cima.

E para salvar o post:









E essa imagem que eu achei ontem, porque nunca pensei nessa piadinha? Tô rindo desde ontem dessa droga:




sexta-feira, 24 de julho de 2015

MEGA POST: NOVOS VINGADORES (New Avengers)



Tudo citado tem para download, mas não espalha, se não me mandam outro aviso.

Pode parecer fácil escrever sobre Brian Michael Bendis, mas não é. Fora Ultimate Spiderman, bem como sua fase em Demolidor, aqui parece ser um título que faz síntese do estilo dele que inclui:

·         * Diálogos cheio de piadinhas.
·         * Parcerias “inusitadas entre personagens da Marvel”,
·   * Mania de reunir vários artistas na ultima edição, fazendo uma respeitosa despedido ao título que assumiu.
·         Arcos muitas vezes mais longos do que deviam ser.
·         * Mais piadinhas.
·         * Personagens da Marvel tão antigos que você nem conhecia.
·         * Invasões feitas por vilões a cada 10 segundos.
·      *Desmascaramentos do Homem-Aranha, não importa a situação, se isso não acontecer, não é o Bendis escrevendo.
·       *  Muitas páginas duplas de leitura.
·         Heróis trocando mais piadinhas em meio a lutas contra dezenas.
·  * Luke Cage levando as maiores porradas e voltando sem camisa (Hmm... Bendis)
·   + Wolverine sempre levando os golpes mortais. Os vilões simplesmente devem pensar “Por que acertar um tiro ou uma facada em alguém que pode morrer? Vamo acertar o Wolverine para ele voltar a acabar com a gente.”
·        +  Doutor Estranho mais apelão do que moleque de 12 anos com cheats em GTA.
·        +  Cafés da manhã onde o Aranha sempre vai mencionar o Osborn.


[Rápida contextualização]: Como se você precisa-se: Tudo isso é logo depois de “Vingadores: A Queda”, algo que nunca li, mas sei do resumo que sempre trata-se de “Feiticeira Escarlate enlouquece mais uma vez e destrói a formação original. Esse conto saiu até em um encadernado da Salvat. Mas vamos ao que interessa:

NEW AVENGERS VOL. 1 (#01 Ao #65)

Os Vingadores sempre foram à linha moral maior dentro da Marvel. Apesar desse lugar antes ser do Quarteto, a grande verdade é que o Capitão sempre foi aquele a qual gregos e troianos se sentam à mesa para ouvir o que ele tem a dizer. Enquanto houver Capitão, sempre existirá Vingadores, pelo menos, isso a maioria dos leitores pensavam, até um certo B.M.B resolver trazer um ex-mercenário do gueto e mostrar que a liderança pode vim dos lugares mais improváveis, bem que a vontade de se fazer algo pela comunidade faz com que os mais excêntricos seres possam se unir em objetivo similar, essa sim, deve ser a essência dos Vingadores.
 Parecia mais um crossover despretensioso e de rotina: Um grupo de heróis aparecendo a esmo para combater uma fuga de uma prisão de metahumanos, algo supostamente encabeçado por Electro, e sim, ele é apenas um dos muitos “vilões B” do Universo Marvel que Bendis coloca em um plano maior, pois como as boas histórias, nada é aleatório, nem mesmo o encontro inicial dos heróis.

Apesar de muita comédia (inteligente, friso mais uma vez), um ponto recorrente nas histórias são a falta de crença em si mesmo de muitos heróis, ao ponto dos poderes serem algo que nem sempre podem funcionar para uns. Um personagem inserido de bom grado é o Sentinela, uma espécie de “Super-Homem esquizofrênico com agorafobia”, um de muitos flertes que Bendis dá a DC, algo que dentro da lógica de seres poderosos e psicologicamente problemáticos travando uma guerra genética no século XXI faz sentido dentro de um enredo do que se propõe a ser a nova face dos Vingadores.

Após um arco inicial instigante mostrando a represália do “Blecaute” (algo usado no primeiro episódio do desenho animado dos Vingadores – Os Heróis mais poderosos da Terra, o Capitão sugere chamar todos os presente e formar uma nova equipe, apesar de um pouco de contragosto do Stark, nesse tempo, grande parceiro do Capitão. Após outro arco que mostra uma infiltração na SHIELD (Oi? Capitão 2 quem?) e trás o Wolverine para a equipe (dessa vez, a contragosto do capitão que considera ele mais um assassino que alguém de bem), está armado um dos títulos mais legais dos Vingadores até hoje. Não algo extremamente complexo como o de Hickman, mas algo divertido, porém inteligente. Um verdadeiro passeio pelo universo Marvel, Bendis faz personagens antes obscuros como Luke Cage, Gavião-Arqueiro e principalmente Doutor Estranho.

Vou colocar todos esses putos aqui pra não usar metade, bem como fazer o McNiven trabalhar por dez...

Não apenas um grupo de adultos vestidos com roupas coloridas, porém indivíduos cada qual querendo ser ouvido. A exemplo de quando Luke Cage leva os parceiros para a periferia onde vivia para fazer uma “ronda educadora”. E isso é só um dos artifícios usados para tirar a aura mítica que uma super-equipe possa ter.

Cadê a valentia, Norman?
Um defeito bem exposto dessa empreitada é o enredo principal ser constantemente interrompido por megasagas. Quando não estão em arcos de 95% de ação, personagens como Luke e Jessica se casam e tentam criar uma bebê em meio a dezenas de explosões e perseguições, muitas vezes, de ex-aliados. É importante notar o espírito de família que a equipe tem entre si, permanecendo nas piores situações, ora caçados como animais por Tony Stark na Guerra Cívil, ou mesmo por Norman Osborn em Reinado Sombrio. Uma leitura no melhor estilo Marvel. Olha só para mim, li isso há tanto tempo, que nem sei mais o que dizer sobre.

FUCKING THE RULES! I HAVE MONEY!





NEW AVENGERS VOL. 2 (#01 ao #34)




   Embora uma boa série, é notável que é bem inferior a anterior, apesar de ainda ser o Bendis nos roteiros. Tudo que ele tinha exagerado no volume I, tal qual arcos longos com ação que perde a graça, ele parece ter multiplicado aqui, além de inserir ainda mais personagens, a exemplo do Coisa, e fazer longas explicações para “fodonizar” personagens buchas como a Harpia. Mas tirando isso, é formado um trio dos heróis de aluguel dentro dos Novos Vingadores composto por Punho de Ferro, Demolidor e mais uma vez Luke Cage, algo que os que acompanham a mais tempo talvez sempre queiram ter visto nos Vingadores.

É bem explicito que os membros, diferentes da Liga da Justiça, não são colocados como deuses que vão definir o futuro da humanidade, mas sim alguns amigos que tem como hobby enfrentar as ameaças que aparecem. É palpável a humanidade dos personagens, como Luke ter que escolher entre continuar casado ou ir para a guerra, o Aranha como sempre fazendo piadinhas sobre como sempre não consegue ganhar as coisas, Demolidor tímido, porém eficaz. Doutor Estranho na luta contra demônios ao tempo que trás seu aprendiz para ser o “novo Jarvis” (e esse ameaça que se bagunçarem a cozinha, ele bota fogo na casa).

Wolverine mesmo, se autoironiza: “Meu verdadeiro superpoder é ficar em várias equipes”. Esse é o tom da série, algo que eu acho que Johns tentou fazer com a Liga dos Novos 52 e falhou miseravelmente. Bendis comete outro erro: tentar fazer coisas que foram legais no volume I darem certo outra vez, a exemplo de um retorno totalmente sem nexo do Norman Osborn. Já perto de desistir, fui surpreendido por um tom instigante das histórias a partir do arco “Vingadores V.S X-Men”, em um conflito moral dentro dos Iluminattis onde o Professor protagoniza uma ótima cena no qual fala de imoralidade enquanto imoralmente lê as mentes de todos presentes. Ou mesmo Reed, sempre realista e frio, perguntando se o real motivo para se parar os mutantes são por eles representarem uma ameaça ou a maior ameaça que eles podem representar pode ser o fim das ameaças, bem como o fim do propósito de guerra de cada, em especial o Capitão, um clichê de questionamento habilmente colocado em uma quadrinho que aparentemente só servia para lutas “massavéias”. Entretanto, para meu descontentamento, tudo teve que terminar em um arco místico prolongado e... Hickman resolver assumir no Vol. 3, mas isso é história para outro dia...



Uma ressalva: Uma equipe formada décadas atrás por Nick Fury, incluindo o Pai da Silver Sable, Dentes de Sabre, Kraven, Namora e outros foi a maior sacada desse vol. II, sem falar de ser tudo desenhado pelo Howard Chaykin, que deu um “Q” de filme de espionagem antigo.

Imagina só o Garth Ennis escrevendo um título com esses caras, só imagina.