domingo, 31 de julho de 2016

Review: Cidade Selvagem (Editora Mythos)

Leia o review de Cidade Selvagem, formato americano, capa dura, 168 páginas, publicada pela Editora Mythos, escrito por Warren Ellis e desenhos de Ben Templesmith.


Sinopse:
Jogado numa zona urbana a beira do colapso, a Cidade Selvagem conhecida como Snowtown, o detetive Richard Fell está começando sua vida de novo. Num lugar onde nada parece fazer sentido, Fell se agarra a única coisa que ele sabe ser verdade… todo mundo está escondendo algo, inclusive ele.

Review:
O detetive Richard Fell foi transferido para uma cidadezinha chamada Snowtown que tem apenas três detetives e meio, um tenente conformado, passivo e sem esperança, e muita injustiça e impunidade. Tratando de casos como um morto por overdose de álcool, uma grávida que teve seu feto arrancado, corpos desovados no cais, um atirador frustrado, uma negociação de uma suposta situação de reféns e muito mais, Fell só pode contar com suas habilidades e seu senso apurado de justiça.

Excelente material policial, onde é possível observar uma visão realista, porém, sem ser pessimista, do sistema judicial. O dia-a-dia do protagonista que precisa continuar trabalhando para proteger e servir, enquanto se adapta a uma realidade bem diferente de onde estava. Leitura obrigatória.


Por Roger

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O Espetacular Homem-Aranha: Negócios de Família


"Meus pais morreram quando eu era pequeno. Mal me lembro deles... Mas me deixaram com o irmão do meu pai, Ben, e sua esposa, May. E ninguém nunca mencionou irmãos, nunca."

Ouvi falar dessa estória há uns bons anos, quando ela foi anunciada e eu postei a notícia no meu blog. O Homem-Aranha viajaria pelo mundo em uma aventura contra o Rei do Crime e nessa ele descobria que tinha uma irmã. Foi publicado recentemente no Brasil e ainda pode ser encontrado por R$23,90. Um dos co-roteiristas é um dos meus favoritos, o grande Mark Waid. Mesmo assim eu adiei tanto ler essa graphic novel por dois fatores que cobriram a atenção que dou ao Waid. 1.As estórias do Aranha tavam mal das pernas e não é de hoje. 2.Ah, uma irmã pro Homem-Aranha? Fala sério...


Mas Mark Waid continua sendo um fator positivo bem considerável e... enfim, ele ganhou, eu li a estória. O design do encadernado é bem bonito e há uma introdução bem otimista. Quem escreveu essa introdução foi o... Dan Slott... E eu não dou muita moral pra ele não, então não chegou a mexer muito com as minhas expectativas. Tanto quanto promete a sinopse, a graphic novel já começa de forma bem tranquila, sem alguma introdução grandiosa. O Rei do Crime fica um pouco de lado enquanto Peter entra em contato com Teresa, que pasmem, afirma ser filha de Richard e Mary Parker, ou seja... ELA É IRMÃ DO HOMEM-ARANHA!


Você então verá uma aventura de 007 ou Indiana Jones protagonizada pelo Homem-Aranha. Peter e Teresa vão viajando pelo mundo para decifrar o mistério relacionado ao seu parentesco enquanto são perseguidos por soldados mercenários de intenções esfumaçadas. O desenrolar não conta com nenhuma conspiração muito mais complicada, é uma verdadeira mistura entre uma estória convencional do Amigão da Vizinhança com as estórias do Jason Bourne. Conforme vai engrenando dá pra notar que o Waid e James Robinson capricharam em dois pontos do protagonista: Primeiro, as habilidades dele lutando nas sequências de ação; segundo a personalidade sarrista do personagem.


Como fica claro na imagem acima... as ilustrações não são mole. São cerca de 100 páginas, consideravelmente suaves de ler, demora nada. Mas o verdadeiro deleite está nos desenhos. Werther Dell'Edera desenha bem pra caramba, já é digno de estar na graphic novel. Eis que... quem cuida dos pincéis é Gabrielle Dell'Otto e, cara, o trabalho com as cores é S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L. Sei que dá pra ver pelas imagens, então não vou enrolar muito. Cara, tem partes que chegam a lembrar o Alex Ross. Acho que fica claro a qualidade do negócio, né? Só de dar uma folheada nas páginas já chama a atenção. Eu até já tinha visto alguns trabalhos dele, mas sem saber que eram dele.


As estórias que exploram os mistérios dos pais falecidos do Homem-Aranha fogem um pouco das tramas mais recorrentes do personagem. Elas costumam ser ou amadas ou odiadas, já que a origem do personagem foi feita de forma bem simples, complicar muito às vezes corre o risco de uma descaracterização. Aqui não é o caso, é simples e bacana de acompanhar, como eu falei, lembra as estórias do Jason Bourne e as ilustrações fantásticas ainda passam uns flashbacks bem bacanas dos pais do Peter como agentes da C.I.A., há umas referências que vão agradar aos fãs antigos da Marvel. Bem, quanto à trama, não dá pra não dar uma atenção especial tendo o nome do Mark Waid na capa. Pra quem não sabe, ele escreveu "Reino do Amanha" e fases super cultuadas do Flash, do Superman, do Quarteto Fantástico e, mais recentemente, do Demolidor. Aqui a trama é a mais simples possível. Se o teor não fosse meio diferente por se tratar especificamente do Homem-Aranha, daria até pra chamar de "clichê". Há nenhuma surpresa muito grande, o roteiro não chega a ser extremamente óbvio, mas dá pra dizer que é bem previsível.


Mas... concluindo eu dou Nota 8,0 para essa graphic novel. Por que? Ah cara, ela é divertida, vale a experiência. O roteiro simples é ressaltado apenas por ter o Waid envolvido. E mesmo assim, a narrativa é super competente, ou seja, tem nada de errado, ele escreve bem pra cacete, só não é um roteiro ambicioso. De sobra há as pinturas incríveis, o que realmente chama a atenção, um trabalho digno de nota. Como fã do personagem, você realmente não deve ler "Negócios de Família" esperando algo que vá mudar sua perspectiva sobre o Homem-Aranha ou adentrar seu Top 10. É nada disso. Mas vale a pena, repito que é bem divertido e a narrativa é competente. Há todo um tom cinematográfico que inclusive supera alguns filminhos vergonhosos que já tivemos do aracnídeo, daria uma ótima animação, de verdade.

Mark Waid chegou a vir na Comic-Con XP de São Paulo, ano passado.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A Decade of DIO: 1983 - 1993



"DIO se tornou essa conglomeração de Sabbath e Rainbow."


É um ótimo momento para publicar um post homenageando a carreira solo do Ronnie James Dio; como a esse ponto eu já fiz com o Ozzy Osbourne, o Paul Stanley, o Wolf Hoffman, o David Bowie e o Alice 'mestre' Cooper. Por que um ótimo momento? Bem, qualquer momento seria adequado levando em consideração que o cantor já morreu há uns anos, em 2010, vítima de câncer. Sua influência é inegável, então meio que em qualquer momento eu podia chegar "ae, vou falar do Dio aqui, porque ele é muito foda, não precisamos de desculpa pra fazer isso". Mas é um bom momento porque dia 22 de julho eles lançaram a caixa da nova coleção cobrindo uma década da carreira solo do metaleiro. Sua passagem na banda chamada justamente de... DIO!


O conteúdo é muito bom, homenageando toda essa fase que é incrível, e achei a capa muito legal, passando bem a postura de guerreiro que tem a obra dele. Bem, vou avaliar os álbuns da coleção aqui, mas lembrando que é essa década específica, de 1983 até 1993. Há outros trabalhos posteriores dele, mas vamos focar nessa década; podemos mencionar o resto brevemente.


O pequeno grande Dio!


Acho que como para todo fã do gênero de Metal, dá uma sensação de orgulho e satisfação em escrever sobre Ronnie James Dio. Ele deixou muito para nós que compartilhamos dessa cada vez maior e mais integrada vertente cultural. É uma honra!!! Vamos lá! A primeira banda de Dio foi o "Elf". É a parte mais desconhecida de sua carreira, mas na época chamava a atenção do gigante "Deep Purple". Quando este se desmontou o guitarrista Ritchie Blackmore formou o "Rainbow" com a maior parte dos integrantes do Elf. Faça-se mágica! Rainbow é considerado por todos os motivos possíveis e imagináveis uma das melhores bandas de Heavy Metal que já existiu. Apesar da banda ter prosseguido com o guitarrista Blackmore (I Surrender, Spotlight Kid), a curta duração da primeira formação foi provavelmente o que levou a banda a hoje não ser tão popular no grande público. A formação com o Dio durou apenas três anos, de 75 à 78. Mesmo assim... há "Long Live Rock and Roll", "Man On The Silver Mountain" e "Rising". Não preciso defender esses trabalhos, as músicas falam por si próprias. Qualquer um que ouve nota que o negócio não era brincadeira, bem comum as pessoas ficarem com  aquela reação: "Mas como eu nunca tinha ouvido isso antes?!"


Ritchie Blackmore tinha objetivos diferentes para o futuro de sua carreira e Dio ficou por conta própria. Bem, essa foi a melhor coisa que poderia acontecer, já que ele foi chamado pelo Tony Iommi para completar sua banda "Black Sabbath", que havia ficado sem vocalista com a demissão do Ozzy Osbourne. Dois álbuns foram produzidos, o "Heaven and Hell" e o "Mob Rules". Depois eles se separaram por causa de brigas absurdas (resumindo, o Tony e o Geezer já não conseguiam trabalhar em conjunto de tanto que usavam droga) só voltando na outra década. Enquanto isso o Dio junto com o Vinny Appice fizeram uma nova banda que foi simplesmente chamada de "DIO".


Holy Diver (1983)


"You got desire, so let it out! You got the power, Stand Up And Shout!"

Sem dúvida, o primeiro é o que ficou mais famoso. Talvez por causa da faixa-título, a famosa "música da aula de guitarra", hehe, quem não conhece? É inegável que foi o início de uma grande era. Apesar da atenção maior ficar sobre o vocalista, afinal, a banda tem o nome dele, DIO não era qualquer bandinha solo não, apenas um tipo de "Dio & Seus Amigos". Veja só, o baterista era o Vinny Appice, que havia gravado o "Mob Rules" no Black Sabbath. O baixista era ninguém menos que Jimmy Bain, que tinha acompanhado o Rainbow em sua melhor fase! O guitarrista era o grande Vivian Campbell, que viria a tocar no Def Leppard.


"Stand Up And Shout" já é um início grandioso, parece uma convocação, como dá pra notar pelo título. Em seguida já vem a faixa-título que marcou pra sempre. Dio continuava cantando melodicamente com muita competência, ao mesmo tempo que demonstrava agressividade gritando como só ele nas faixas mais pesadas. De forma geral dá pra notar que o que mais há são metáforas com coisas fantásticas e medievais, como já rolava em seus trabalhos anteriores. Ao mesmo tempo também há faixas com explícita profundidade dramática, como "Straight Through The Heart" e "Rainbow in the Dark", duas das principais. Uma sequência destruidora e uma ótima introdução do que viria pela frente.



The Last in Line (1984)


"Sail on, sing a song, carry on..."

"The Last in Line" também é muito bom, um maremoto de clássicos! Creio que só não é tão consagrado quanto o anterior, pelo anterior ter sido, afinal, o primeiro. Eu não conseguiria escolher um dos dois, declararia um empate, pra mim chega a parecer aqueles álbuns que poderiam se chamar "Parte 1/Parte 2". "Speed At Night" por exemplo, parece uma nova versão de "Stand Up And Shout", mas claro que não há só um remexido do que já havia sido ouvido. Na verdade pra mim um ponto que é muito melhor nesse são as letras. Parece que o Dio está se encontrando melhor, é como se já rolasse uma síntese do que ele procura passar pela sua obra.



Sacred Heart (1985)


"Whenever we dream, that's when we fly. So here is a dream just for you and I!"

Esse não é ruim não, mas ele apenas não inova, sendo o menos expressivo da primeira trilogia. A capa deve ser uma das mais legais, é bem a cara da banda. Há faixas bem fortes, continua sendo um ótimo trabalho como os anteriores, mas esse não marcou tanto. Foi o último com a formação imutável. As composições continuam no mesmo estilo, com Dio conseguindo fazer temas que pareceriam bobos, como os recorrentes arco-íris, soarem pesados; vide a faixa "Rock and Roll Children".



Dream Evil (1987)


"They'll take your diamonds, and than give you steel. You'll be caught in the middle of the madness, just lost like them! Part of the pain they feel!"

Este é um subestimado pelo próprio Dio, mas também acho que rivaliza com o próprio "Holy Diver", devem haver mais pessoas que concordam comigo. Todas as faixas são incríveis! Mas se você ver certas entrevistas com o Dio dá pra notar como ele leva muito em consideração o processo pessoal da produção do álbum no que ele acha dele, independente do resultado, isso inclui a relação dele com os colegas de banda. Aqui parece que ele ficou decepcionado com a saída do Vivian Campbell. Mas Craig Goldy complementou a banda muito bem substituindo o guitarrista original. O resto da formação é a mesma, com Bain, Appice e Schnell nos teclados. Como eu disse, apesar de serem reconhecidos como trabalhos solo do Dio, na verdade é uma baita banda que se manteve. "Dream Evil" é o quarto álbum e perde em nada o fôlego. Com faixas como "Night People", "Sunset Superman" e "All The Fools Sailed Away" não soa como exagero dizer que na verdade aqui eles tomaram um novo fôlego, isso sim.



Lock Up The Wolves (1990)


"You can hide in a circle, it's a way to survive. Be another number, at least you'd be alive..."

Muitos desses artistas clássicos de Metal viraram bem a década e o Dio não foi exceção. Assim como o Ozzy Osbourne tem o "No More Tears" com o Zakk Wylde, o Alice Cooper tem o "Hey Stoopid" e o Motörhead o "March or Die", Dio não ficou pra trás com o "Lock Up The Wolves", mesmo não sendo tão famoso. Nesse ponto as letras dele já pareciam que só ficavam cada vez melhores, como se ele já tivesse pego o jeito na época do Black Sabbath e não tivesse perdido mais. Todas as faixas são muito pesadas, vale a pena deixar tocando do início até o final. A faixa que eu mais gosto é a segunda, "Born on the Sun", uma das minhas favoritas de toda a carreira dele. A voz do baixinho também se manteve.



Engraçado que aqui mudou a formação toda. O Dio fez um concurso para escolher o novo guitarrista, Rowan Robertson, que na época só tinha 16 anos! Ou seja, ele não estava com medo de mudar, mas o resultado não foi nada experimental ou alternativo, pelo contrário! É um trabalho extremamente direto e eficiente, pra guardar com orgulho na coleção.


Strange Highways (1993)


"Can't you tell? That all the wishes you've made have filled up the well?"

"Strange Highways" parece puxar seu irmão mais velho. Não o "Lock Up The Wolves", mas o "Desuhmanizer" (1992), trabalho inesquecível que foi feito em um breve retorno do Black Sabbath com Dio e Appice. Pra quem conhece o Desuhmanizer (se não conhece trate de ir conhecer), sabe como é. Um ritmo meio lento, mas extremamente pesado. É assim que soa "Strange Highways", até o Tony Iommi, guitarrista do Sabbath, fala que a letra de "Hollywood Black" havia sido escrita pro álbum do Sabbath, mas o Dio pegou e usou nesse álbum. O próprio Dio admite que o que ele fez foi o que teria trabalhado em um futuro com o Sabbath se eles não tivessem se separado brigando novamente (foi a segunda vez, sendo a primeira no início dos Anos 80, antes de formar o "DIO").


Não é por nada que soa tão do mal. A primeira faixa já surpreende pelo nome, "Jesus, Mary and The Holy Ghost". Dio nunca havia se referido à religião de forma tão clara antes. Ele apenas falava de pecado ("sin") como uma coisa boa, como um caminho que valia a pena, mas é em uma pegada completamente diferente de coisas como Marylin Manson; tá mais virado pra mesma forma que ele fala de mágica, algo pro lado de procurar a verdade, procurar a força em você mesmo. No Black Sabbath você encontrava uma ou outra mais forte como "Heaven and Hell" e "TV Crimes". Ele já explicou que seu lado cínico quanto à religião veio de sua educação em um colégio de freiras. Em "Jesus, Mary and The Holy Ghost" ele deixa isso mais claro do que nunca.

"Prime time, nursery rhyme, did you see the teacher?
Sister, black and white, what she gonna do?
They say eye for eye, tooth for tooth
But don't hurt your brother"

"Horário nobre, cantiga de ninar, você viu a professora?
Irmã de preto e branco, o que ela vai fazer?
Eles dizem dente por dente, olho por olho

Mas não machuque seu irmão"

Também tem "Evilution" em que parece ser um cara no Inferno falando sobre a Terra como um lugar ridículo.

"Oh, neon names play neon games
Showing it to the public
I hate you and you hate me
And everybody smiles"

"Oh, nomes fosforescentes jogam jogos fosforescentes
Mostrando ao público
Eu odeio você e você me odeia
E todo mundo sorri"

Além da sonoridade lembrar os novos subtipos de Metal que estavam surgindo na época, todo o tom lembrava mais "Black Sabbath" do que "DIO". Claro que houveram os saudosistas que acharam isso ruim, mas o resultado foi muito bom, inclusive porque "Desuhmanizer" tá na lista de favoritos de todo mundo, não é como se fosse ruim lembrar ele, haha. Aqui já há outro guitarrista inédito, o Tracy G, mas Appice do Black Sabbath retorna à bateria.


E acabamos por aqui. Além dos álbuns com o "Black Sabbath" e o "Rainbow", depois de 93 ainda tiveram vários álbuns da carreira solo dele antes de sua morte em 2010. Eu pensei em avaliá-los brevemente, mas creio que posso deixar para um novo post caso vocês tenham curtido este, aí eu analiso com mais detalhes. Esses primeiros seis álbuns já são uma baita demonstração da criatividade e competência do bom e velho Dio.




"Eu não acredito em Paraíso e Inferno como um lugar que você vai, sabe, quando você morre vai para baixo e queima por um tempo, ou se for bom vai para cima e é feliz por um tempo, ou um purgatório onde bebêzinhos são pendurados. Acho que qualquer um que veio com essa ideia de um lugar onde criancinhas ficarão penduradas pelo resto da vida ou é a pessoa mais doente da Terra, ou a mais imbecil... acho que ambos se aplicam. Então eu não acredito em nenhuma dessas coisas. A minha crença de Paraíso e Inferno é que Paraíso e Inferno são aqui. É onde nós estamos. Esse é o Paraíso e esse é o Inferno, você faz o seu próprio Paraíso, você faz o seu próprio Inferno. Inferno, Bem ou Mal, Deus, o Demônio; reside em cada um de nós. Eu não tenho que ir para um lugar pra rezar. Rezo dentro de mim mesmo, rezo para quem eu quiser e tenho os mesmos resultados. Eu não preciso ser julgado por um padre que sou mal, ou ser julgado por uma freira que não estou estudando o meu projeto propriamente e ser acertado na mão por uma régua. Quem é você pra fazer isso comigo?! Ser ensinado que aqui está Deus em um pedaço de madeira de Gaza. Não é a forma que eu quero levar a vida, não é a forma que quero pensar nisso. E com todas as religiões que há, pregando as mesmas coisas, é realmente uma grande homogeneização, de qualquer forma no fim do dia todos acreditamos na mesma coisa, que todos temos uma escolha entre Bem e Mal. Então faça a sua escolha, é disso que se trata para mim.

Então, escrevendo essas canções, talvez tenha trazido um pouco o meu lado cínico, mas o que trouxe para mim é o que eu acredito na Vida e que, sabe, nós somos os Últimos na Fila (Last in Line) e há o Paraíso e o Inferno se você considerar que é o que as pessoas fazem com você que torna isso Paraíso e Inferno (Heaven and Hell), que é no que cai a canção, 'o  mundo é cheio de reis e rainhas que cegam os seus olhos e roubam os seus sonhos', isso é Paraíso e Inferno. O Paraíso é quando as pessoas dizem o quão bem elas vão te tratar e o Inferno quando você descobre que 'era tudo uma mentira, não era?'. Isso é o que são Paraíso e Inferno para mim."

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quarta-feira, 27 de julho de 2016

40 casos bizarros de histeria coletiva - parte 1

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Pode acontecer na sua rua, na sua escola, na sua igreja, no seu trabalho, na sua cidade. Sintomas comuns e que surgem de repente, mas que atacam as massas e provocam o pavor. A histeria coletiva é uma realidade e os casos relatados ao longo da história não são poucos. Por mais que a ciência explique e tente evitar, todos nós estamos propensos a passar por isso, mas não se preocupe, é algo passageiro.
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Alguns casos merecem destaque e são deles que iremos falar agora:
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A praga do Pokémon – a série japonesa de desenhos do Pokémon foi um baita sucesso no final dos anos 90. O mundo conheceu as simpáticas criaturinhas que enfrentavam as batalhas mais alucinantes e divertidas da TV. Porém, em 1997, um episódio ficou marcado na história do Japão. O episódio com o Pikachu emitia luzes piscantes que causou convulsões, náusea e dores de cabeça em crianças. Cerca de 12 mil crianças foram acometidas do mal. Apesar de os médicos suspeitarem de um tipo raro de epilepsia fotossensível na época, foi só em 2001 que os especialistas entenderam que tudo não tinha passado de histeria coletiva, já que a mídia sensacionalista cobriu o assunto de forma agressiva. Há um episódio dos Simpsons que satiriza esse episódio.
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Os Batmans da Lua – em 1835 Richard Locke publicou uma matéria sensacionalista em um jornal de Nova York. Ali ele contava como o astrônomo Sir John Herschel tinha feito uma descoberta incrível no Cabo da Boa Esperança. Com um telescópio potente criado por ele mesmo, Herschel conseguiu ver a superfície da Lua com precisão e encontrou nela torres e criaturas bem estranhas. As “vespertilio-homo” (literalmente homem-morcego) tinham o tamanho de homens, asas negras como de morcegos e voavam livremente pelas cidades com torres. Em um mês foram vendidas 60mil cópias e logo as pessoas começaram a relatar avistamentos estranhos na Lua. Algumas diziam terem sido visitadas pelos homens-morcego e outros relataram que tiveram suas fazendas atacadas por eles. Tiveram até histórias de sequestros de pessoas pelos homens-morcego e quase todos os dias tinham novas notícias publicadas sobre o caso. No entanto, Herschel desmentiu a história e revelou ter encontrado uma nova lua em outro planeta e não vida na Lua, como diziam. Mesmo assim as histórias de avistamentos estranhos continuaram surgindo até o começo do século XX.
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domingo, 24 de julho de 2016

Review: Batman – Noites de Gotham (Editora Abril)

Leia o review de Batman – Noites de Gotham, edição especial em formatinho, 100 páginas, publicada pela Editora Abril em junho de 1994. Reúne a minissérie Batman – Gotham Nights em quatro partes, lançadas nos EUA em 1992, escrito por John Ostrander e desenhos de Mary Mitchell.


A Central Ferroviária Robinson em Gotham é o local onde muitas pessoas de diversas etnias e formações vem e vão todos os dias. Lá, ficamos conhecendo Joel Mayfield e sua esposa Emma. Joel descobre que tem poucos meses de vida. Dionísio Viella, ex-criminoso livre sob condicional que desconfia da fidelidade de sua esposa e não consegue mais se adaptar a uma vida honesta. Rosemary Hayes, funcionária de uma loja de donuts que nutre uma paixão platônica por um costumeiro cliente Frank, e que ela acredita ser o Batman. E dois amigos – Jimmy Ciccerone e Jennifer Lee, duas vidas ligadas por tragédias pessoais. A partir daí, cada um, à sua maneira irá agir de um modo que todos eles, de alguma forma, irão se interagir no clímax dessa história.

Criar uma história cujo protagonista não é o Cavaleiro das Trevas, mas sim, a cidade de Gotham e seus habitantes foi uma ideia muito interessante. Na verdade, a população de Gotham ganha um destaque à parte. É possível sempre perceber várias pessoas se interagindo como plano de fundo enquanto os quadros mostram um dos personagens principais, além da variedade de idiomas, deixando claro a diversidade e grandiosidade da cidade. Uma revista que me agradou demais e recomendo à todos que desejam uma leitura sensível, inteligente e consistente. Leitura altamente recomendada.


Por Roger

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Contemple a edição em 3 volumes de Jerusalém


Já foi revelado o pack que trás o novo livro do Alan Moore separado em três volumes. A arte da capa foi feita pelo próprio escritor com o intuito de representar Northampton (cidade-natal onde vive) nos planos físico e metafísico, que é como se passará o grande livro. As fotografias foram tiradas pelo Mitch Jenkins, parsa do feiticeiro que já trabalhou com ele dirigindo aquele "The Show" sobre purgatório, em que o Moore até chegava a atuar no final.

Quem disse que o Alan Moore não tem amigos?

As fotos foram reveladas, pois na Inglaterra o lançamento já será dia 15 de setembro. Haverão duas versões, esta dividida em três partes que pode ser vista na foto e um volume único de 1200 páginas em capa dura. É o segundo livro de Alan, o primeiro foi "A Voz do Fogo", de 1996, também tratando de viagens existenciais em torno do território onde ele foi criado. A diferença é que agora tem muito mais Glycon e cogumelo na fórmula, já que se tratará de uma narrativa maior que...

- Ilíada + Odisséia
- Guerra e Paz
- Guerra dos Tronos
- Senhor dos Anéis
- A Bíblia Sagrada

Alan é mais famoso pelo seu trabalho como escritor de HQs, mas há pouco tempo declarou que pretende se aposentar do território após concluir a série da "Liga Extraordinária" com um último volume.


Veja a definição de "Jerusalém" escrita pelo autor. Já vá avisado que é viagem, amiguinho...


"Num espaço de pouco mais de um quilômetro quadrado de decadência e demolição daquilo que uma vez foi a capital da Inglaterra Saxônica, a eternidade se arrasta por entre blocos de edifícios que, se inflamados, são como uma sentença de morte. Cravado no amarelo-sujo da narrativa do distrito, entre seus santos, reis, prostitutas e derelitos, uma espécie distinta de temporalidade humana se processa, uma simultaneidade adulterada que não diferencia entre as poças coloridas por manchas de óleo e os sonhos despedaçados daqueles que por elas navegam. Espíritos malignos, mencionados pela última vez no Livro de Tobias, esperam em escadarias fétidas de urina, os espectros delinquentes de crianças desafortunadas minam um século com túneis e, nos salões acima, os trabalhadores com sangue de ouro resumem o destino a um torneio de sinuca.

Alamedas que desapareceram produzem suas próprias vozes, feitas de palavras perdidas e de dialetos esquecidos, para falar de suas lendas corrompidas e contar sua genealogia surpreendente, histórias de família, de escândalo, loucura e maravilha. Há uma conversa que se passa na Catedral de Saint Paul, no domo atingido pelo relâmpago, um nascimento nos paralelepípedos da rua Lambeth Walk, um ex-casal sentado a noite inteira nos degraus gelados da entrada de uma igreja gótica, e um bebezinho que passa onze capítulos engasgando com uma pastilha para tosse. Uma exposição de arte está sendo preparada, e acima do mundo um velho nu e um lindo bebê morto correm ao longo do Sótão do Sopro rumo à ardorosa morte do universo.

Uma mitologia opulenta para aqueles sem um penico para urinar, pelas labirintescas ruas e páginas de Jerusalém caminham fantasmas que cantam versos de riqueza e pobreza; da África, e hinos, e nosso milênio maltrapilho. Eles discutem o Inglês como uma língua visionária de John Bunyam a James Joyce, discursam a ilusão da mortalidade pós-einsteiniana, e insistem que a favela mais cruel é a cidade sagrada e eterna de Blake. Feroz em imaginação e entorpecente em abrangência, esta é uma história de tudo contada de uma sarjeta que não existe mais."


Infelizmente, no Brasil o lançamento está previsto apenas para o final de 2017. Mas pra quem ainda não conhece, lançarão uma versão completa de 384 páginas da passagem do barbudo pela revista do "Miracleman", contando com galerias de capas e esboços. Deve sair em agosto já, mas o preço não foi confirmado. A previsão é de uns 90 reais. O que me chamou a atenção mesmo é que estão planejando de futuramente publicar a passagem do Neil Gaiman compilada, essa eu nunca li, só ouvi falar.


Temos um post avaliando grande parte da carreira de Alan Moore:


Mulher-Maravilha: Sangue


- Meu pai... valoriza muito a fidelidade, mas--
- Ele mesmo não é muito fiel.
- Perspicaz. Notei isso assim que bati os olhos em você. E não, não é. Ele... dá suas voltinhas. Irrita profundamente a esposa.
- Esposa dele... Mas não sua mãe?
- Como falei. Ele dá suas voltinhas. Agora, preciso descobrir aonde foi. Ele anda sumido.

Esse encadernado saiu há um tempinho já, mas hoje eu vi que ainda se encontra nas bancas, então ainda vale a pena resenhar. Já era hora e finalmente começaram a publicar a surpreendente e competente série da maior heroína da DC Comics na era dos Novos 52. A maioria que me acompanha já deve saber faz tempo o quanto eu curto, aprovo e recomendo essa fase toda de aventuras da Amazona. Inclusive deve ter sido a última série de HQs que eu acompanhei as edições mensalmente, realmente aguardando e conferindo todos os dias se já havia saído a edição nova. Não é por nada que no final de 2014, quando saiu a última edição eu peguei e fiz um post gigantesco no meu antigo blog, você pode conferi-lo no belo link abaixo:

http://douglasjoker.blogspot.com.br/2014/12/fim-de-arco-da-mulher-maravilha-devia.html

Desde então eu venho recomendando essa série a todo mundo que parece conveniente e... até hoje adivinha a quantidade de pessoas que conferiram? A mesma de que assistiram "Uma Aventura LEGO" (sem eu esfregar o DVD na cara): ZERO. Com o lançamento desse encadernado teve um amiguinho meu que resolveu aceitar minha recomendação e comprou. O que ele me falou foi o seguinte: "A Mulher-Maravilha tem um universo muito legal! Como eu não sabia disso?". HA! Eu falei que era bom!!!


Então... sem mais delongas...


Análise de "Mulher-Maravilha: Sangue"


Logo no início essa série já carrega as melhores características que a sustentaram por três anos. Não há um tom de introdução, a primeira estória já coloca a heroína em batalha. Zeus, o deus dos deuses, pulou a cerca e agora já há interessados em eliminar o novo semideus que está no útero da mortal Zola. Hermes, o mensageiro dos deuses, chama a Mulher-Maravilha para ajudá-los e assim se dá a aventura. A trama maior conta com a super-treta dos deuses que tem segundos interesses após Zeus aparentemente ter sumido sem qualquer explicação, deixando assim... o tentador de ser sentado trono do Monte Olimpo vazio.

Discórdia é como o Coringa do universo da Mulher-Maravilha

Irmãos, filhos e sua enfurecida viúva... Zeus deixou pra trás todo um elenco de sujeitos interessados no seu posto e sem qualquer escrúpulo no coração. Esse início introduz todos esses principais personagens e você não só os conhece bem como também já simpatiza em pouco tempo. Como dá pra ver pelas imagens, todos os personagens foram refeitos para os Novos 52 pelo desenhista Cliff Chiang, e alguns por Tony Akins, que se encarrega das últimas edições compiladas. Tem nada a ver com versões clássicas ou mesmo que estejam mais populares em outro trabalho moderno, foram eles mesmos que criaram pra se adequar com a nova estória de Brian Azzarello. A não ser que você seja muito apegado a alguma versão que já curte, os deuses não só estão legais como são introduzidos com bastante competência em sequências marcantes. Ares, o deus da guerra, além de estar em uma versão inédita é apresentado de forma sombria e estilosa, é impossível não gostar dele. Não faltam diálogos com discussões metafóricas sobre o que os deuses representam. E como diz a Discórdia: "Nesta família há dois tipos de membros. Aqueles contra você e aqueles contra você", então o leitor não demora pra notar que aqui ninguém é amiguinho.

A nova versão de Ares, o deus da guerra. Antes um vilão clássico da personagem, aqui ele não é inimigo da Mulher-Maravilha.
Mesmo no início, também há uma importante subtrama da personagem principal! A amazona tem verdades sobre sua origem reveladas, coisas que ela não soube a vida toda. Isso não só mexe com o emocional dela, como também é influente pra todo o entrelaçado de acontecimentos. As variáveis e acontecimentos passados influentes pra trama são todos muito bem narrados. Brian Azzarello continua um escritor sem igual, um dos meus favoritos da atualidade, tudo flui tão bem que você lê quase sem perceber. Neste reboot a personagem e sua mitologia são tirados da zona de conforto e os envolvidos souberam desenvolver tudo com inesperada maestria. Mesmo "Sangue" contando apenas o início da série já há altos e baixos.


Lendo pela segunda vez tive a mesma sensação de quando li há uns anos atrás. É tão divertido que antes mesmo de terminar dá vontade que esse universo seja replicado em algum outro lugar, qualquer outro lugar! Uma série, um filme, um jogo, qualquer coisa. Mas que eu saiba, por enquanto essa trama da amazona ficou por aí mesmo.

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Alguns avisos relacionados a aquisição do encadernado: "Sangue" trás seis edições, mas essa série por inteira foi bem redondinha; a trama ou qualquer subtrama passam longe de terminar aqui. Não espere algo com início, meio e fim. Muito pelo contrário, há um final super aberto. Mas se vale a pena? Vale com certeza. A série toda com Azzarello, Chiang & Akins durou 36 edições, ou seja, se manterem esse tamanho (e lançarem tudo) dará um total de seis encadernados. É uma coleção, mas vale a pena? Vaaaaaale.

A "Saga do Monstro do Pântano" que terminou ano passado foram seis edições. Eu comprei tudo, valeu a pena.

Fazendo um comparativo, é mais barato que esses encadernados da Salvat e da Eaglemoss. Claro que é mais fino, mas provavelmente seja melhor que a maioria dessas coleções (ao menos os volumes mais recentes). Recomendo de olhos fechados e ainda devo continuar recomendando por muito tempo. Como aquele último do "Aquaman: As Profundezas" que eu recomendei; "Mulher-Maravilha: Sangue" é só o início e depois fica cada vez melhor.

Indispensável para fãs da Mulher-Maravilha, de Mitologia Grega e de boas aventuras.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Alice Cooper&David Bowie: artistas no FULL POWER


"Eu quero fazer isso, mas quero fazer melhor. Quando todo mundo é normal, eu sou estranho, quando todo mundo é estranho, eu sou mais ainda." Alice Cooper

"Não sei pra onde vou daqui, mas prometo que não será entediante." David Bowie

Melhor já começar esclarecendo uns pontos... O que David Bowie e Alice Cooper atualmente têm em comum? Não quero confundir ninguém, então vamos já deixar claro que diferente do Bowie, Alice Cooper NÃO está morto. Também houve nenhuma colaboração fundamental entre os dois; seja alguma homenagem específica ou mesmo nas suas artes. Apesar de serem ambos reconhecidos como roqueiros e serem da mesma época, não é totalmente errado afirmar que eles são de movimentos bem diferentes.



Viu?

O cara é de outro rolê.

Então por que um post do tipo? Falando bem dos dois se não há qualquer tipo de dueto clássico executado por eles ou coisa assim?

Bem... é porque ambos os alienshomens compartilham de uma expressiva característica em comum...


 Eles compartilham de um infinito e fascinante...







FULL POWER!!!




Aberrações dos Anos 70... No more Mr. Niceguy!


"Eu queria ser um músico porque... parecia rebelde, parecia subversivo." David Bowie

Não dá pra negar que a primeira coisa que os dois faziam no início de suas carreiras era de primeira chocar com suas aparências. Depois influenciaram todo um movimento os tornando menos diferentes na multidão. Do lado do Alice tem todo o shock rock, com caras como KISS e Twisted Sister; o David Bowie tem todos esses freaks do mundo fashion pop, como a mais recente Lady Gaga, que até usava aquela maquiagem no rosto em homenagem a ele.


Mas antes de tudo, a primeira coisa que eles pareciam ao bater do olho eram aberrações. Não eram a princípio o tipo de músicos que estão tentando ser sexy e atraentes. Engraçado, faz pouquíssimo tempo saiu uma música do Rob Zombie que fala bem isso (de forma cômica); se chama "The Life and Times of a Teenage Rock God/A Vida de um Deus do Rock Adolescente", onde no refrão ele diz "Sou um deus do rock adolescente! Todos os esquisitos vem me venerar!". Até engraçado usar esse exemplo, já que Zombie é assumido fã de Alice e considerado por muitos uma versão moderna dele, até introduziu a sua banda no Rock and Roll Hall of Fame em 2011.


Claro que Bowie no caso era uma fera no mundo da moda, desenhando seus próprios figurinos; observando todo o percurso da sua carreira dá pra ver várias performances dele todo elegante. Mas no princípio não era assim... Enquanto Alice parecia uma bruxa corcunda e magrela saída de um filme de terror, Bowie chegou até a usar um alienígena como persona...



Can you hear me, Major Tom?


"Não consigo pensar em termos conceituais. Pra mim é automático. Eu faço um trabalho conceitual dentro da minha cabeça." Alice Cooper

Os trabalhos conceituais são uma das características mais cativantes de ambos. É interessante começar pelo David Bowie, pois os dele refletem nos próprios personagens que ele ficou tão famoso incorporando. O principal deve ser Ziggy Stardust, que ele declarou ser... um alienígena andrógino. Bowie misturava o fascínio pelas viagens espaciais que tinham começado na época junto com os tabus de sexualidade, fatores que o marcaram pra sempre. Mais do que músicas como "Starman" e "Space Odditty", é só ver o nome do álbum "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars". Que raio de nome é esse, cara?! Parece até o nome de uma estória e não é por pura coincidência! O cara criou toda uma fantasia em torno de sua música, é só conferir vídeos dele fazendo atuações até hoje apaixonantes caracterizado como Ziggy.


No caso do Bowie um dos melhores exemplos é o clipe "Ashes to Ashes" em que ele mesmo vive vários personagens e chega a mencionar o "Major Tom" da famosa "Space Oddity". Um exemplo irado é o "Diamond Dogs"(1974), baseado em um dos livros preferidos de Bowie (e de quase todo mundo), o distópico "1984", de George Orwell. As menções são tão claras que nem parece certo chamar de referências. Uma das melhores faixas se chama justamente "1984", entre outras como "Big Brother" e "We Are The Dead". Também há a famosíssima "Rebel Rebel".


Já Alice quando largou da banda original (identificada como "Alice Cooper Band", pra não confundir com a extensa carreira solo do vocalista) já lançou logo um dos álbuns conceituais mais famosos da época: "Welcome to My Nightmare"(1975). Alice pode não ser um instrumentista versátil como Bowie, mas estava (como sempre esteve) muito bem acompanhado merecendo também o título de camaleão da música. Em Nightmare vemos Alice passar por vários estilos musicais conforme narra a desventura de seu alter-ego que ficou preso em um mundo de pesadelos. Apesar do visual de terror contando com músicas como "Killer" e "Ballad of Dwight Fry", em Nightmare ele se consagra como o rei do território, contando com faixas como "Black Widow", "Devil's Food" e a inesquecível "Steven", sobre um garoto que é atormentado pelo fantasma de seu irmão mais novo que morreu ainda bebê. Há até uma caricata introdução de Vincent Prince! Ícone do mundo antigo de terror!

Alice Cooper sendo guiado por Vincent Price em seus pesadelos. Na época foram feitos vários vídeos de divulgação misturando música, terror e humor.

Nesse álbum que houve a tocante "Only Women Bleed", sobre abuso e violência doméstica contra mulheres (cuja qual meio que recebeu "sequências" em outros trabalhos conceituais, as igualmente competentes "Take It Like a Woman" e "Every Woman Has a Name"). Em "Hey Stoopid", dos Anos 90, Alice menciona o personagem Steven novamente em "Wind-Up Toy", que é sobre o tormento de uma criança mais uma vez. Sem falar que todo o álbum foi sequenciado com "Welcome 2 My Nightmare"(2011).

Até que é simpático. Fala a verdade? Você não entraria no pesadelo se ele te convidasse?


I purpose a toast... to Jimi's soul!


É mais difícil de identificar com o David Bowie, mas apesar de todos os personagens, as vidas pessoais dos artistas também foram propositalmente refletidas em seus trabalhos conceituais e com excelentes resultados! Com David é mais difícil de notar pois ele muda de personagem muito constantemente, personagens que tem até outro sexo, então fica mais claro quando são músicas sobre o seu irmão, que tinha esquizofrenia (era um problema comum na família dele) e quando adulto se matou. Músicas como "The Bewlay Brothers", "Aladin Sane" e "Jump They Say" são sobre a complicada situação presente em sua família, e principalmente no seu irmão, que era mais próximo.


Na já mencionada "Ashes to Ashes", Bowie também não deixa de fazer breves comentários sobre a dependência química que ele estava tentando superar na época "Time and again I tell myself I'll stay clean tonight (...)/We know Major Tom is a junkie". Dizem que ele quase foi dessa pra melhor com o costume de usar cocaína que tinha quando era mais jovem.




Alice apesar de não ter tido problemas com drogas mais graves, como cocaína, era um grande viciado em álcool, bebendo tanto que chegou a um ponto que vomitava sangue todos os dias. Após o pedido de divórcio de sua parceira Sheryl ele concordou em ir se tratar. Mas na época... ainda não haviam se desenvolvido serviços especializados e dependentes químicos iam pra manicômios... aqueles mesmos onde vão PSICOPATAS! Daí saiu "From The Inside", o bem humorado álbum conceitual em que Alice narra sua experiência internado. Todas as músicas são sobre as pessoas que ele conheceu por lá, fazendo um de seus trabalhos mais notáveis. O próprio nome das faixas deixa claro se tratar de personagens: "Jacknife Johnny", "Nurze Rozetta" e Millie and Billie". Na faixa-título ele ainda propõe "um brinde à alma de Jimi", se referindo ao falecido amigo rei da guitarra. "How You Gonna See Me Now" também era claríssima, sendo a transcrição da carta que ele escreveu à sua mulher quando estava para receber alta e voltar pra casa.


Após as experiências chocantes, Alice virou viciado em golfe (de verdade...) e procurou se fortalecer em religiões, se convertendo como cristão, doutrina que ele mantém até hoje. Sei que é egoísta falar assim, com os caras passando por essas coisas, mas pros fãs muitas vezes costuma ser decepcionante quando alguns músicos se convertem, veja um exemplo brasileiro, o Rodolfinho que acho que virou crente e tudo indica que nunca mais voltará pro Raimundos.


No caso de Alice ele também não escondeu suas crenças, mas isso alterou em nada a natureza de seus trabalhos criativos. A mais expressiva deve ser "Salvation", mas há outras em que ele fala sobre valores e metáforas bíblicas de forma bem forte e até engraçada. Há por exemplo uma série de músicas que ele fez sobre pessoas no purgatório, prestes a ir pro Inferno, como "Disgraceland" em que ele narra a morte do Elvis chegando até a imitar a voz dele em "Dragontown"(2001). Mas sobre esse álbum é melhor já abrir outro tópico...


Time may change me!


"É isso que eu faço melhor. Eu sou um sintetista." David Bowie

Mesmo sendo ícones do rock and roll, a quase indiferença que os dois demonstram à estilos é impressionante! Por toda a carreira dá pra notar totais reinvenções de seus conceitos e personas, mas isso já alcançou níveis bem imprevisíveis. Em "Brutal Planet"(2000) e "Dragontown" Alice entra de cabeça no metal industrial e faz álbuns pesadíssimos! Após isso ele entrou em uma fase comum de artistas de sucesso quando entram aí na casa dos 50 anos, meio que um "vou fazer o que eu estiver afim, quem quiser que me acompanhe", surgindo álbuns quase nada comerciais, muitos nem chegaram a ter clipes, além de colaborações com cantores que provavelmente não chamariam atenção alguma do público do Metal, como a cantora pop Ke$ha e o rapper Xzibit (Xzibit...).

Ke$ha canta "What Baby Wants" do último álbum de Alice.

O Bowie se reinventou praticamente em todos os álbuns, mas um exemplo que eu acho curioso é o nem tão famoso "EART HL I NG", de 1997. Ele é extremamente alternativo, tudo foi feito de forma exageradamente experimental, tanto a musicalidade quanto as letras. A ideia era registrar o que estava se passando no final dos Anos 90, mas seu estilo abstrato e às vezes até surreal (consequência do experimentalismo intenso) faz parecer mais uma viagem por metáforas de difícil compreensão.


Já no último álbum de Bowie, o "Blackstar"(2016), o produtor confirmou que a ideia era justamente procurar fugir do rock, tomando o máximo possível de vertentes musicais diferentes. Mas esse ponto da carreira "de coroa" é o único em que a carreira dos dois seguiu de forma um tanto diferente. O Alice não parou de gravar e tocar ao vivo NUNCA. O David Bowie deu um curioso sumiço por uns anos, no século XXI. A última vez que ele foi visto tocando ao vivo foi em 2006, mas em um evento beneficente especial, antes disso já estava tocando menos. Em 2004 no último show completo, apesar de ter tocado 21 músicas, após terminar "Ziggy Stardusrt" ele teve um colapso ao sair do palco por causa de um problema arterial que o estava fazendo sentir forte dor no peito. Ele chegou a passar por uma cirurgia cardíaca e depois nunca mais se apresentou, não dá pra ter certeza se foi por problemas de saúde, ou ele realmente quis sumir dramaticamente.


Enfim, isso talvez tenha até colaborado pro tamanho status de lenda quando ele morreu. Não que não houvessem razões de sobra, mas por um bom tempo o cara realmente ficou desaparecido, sem notícias, depoimentos ou coisas assim. Quando tiravam foto dele na rua virava até notícia! O álbum de retorno, "The Next Day"(2013) teve sua primeira faixa, "Where Are We Now?" lançada sem que houvesse QUALQUER rumor ou mínimo murmurinho sobre o lançamento. Assim como o "Blackstar" que lançou esse ano, o álbum foi extremamente bem recebido, mas não se encontra comentários do cantor sobre a produção, o desenvolvimento, o sumiço ou os resultados. Tudo foi feito pelos assessores dele ou produtores do álbum. Não é por nada que quando ele morreu cedendo ao câncer dias antes do último lançamento, todo mundo foi pego de surpresa. Não foi como, por exemplo, Lemmy Kilmister do Motörhead, que já apresentava um mal estado de saúde há muito tempo.



You welcome to my nightmare... I think you gonna like it...


"Você olha Shakira, Rihanna, Katy Perry, Lady Gaga - elas estão fazendo Alice Cooper." Alice Cooper

O Alice não tem muito porque de ficar marcando os pontos já que ele começou se utilizando de teatralidades, não é por nada que é considerado o pai do shock rock. Muitas de suas apresentações inclusive são repetidas desde o início da carreira, como cantar usando uma camisa de força em "Ballad of Dwight Fry" e se vestir de Tio Sam em "Elected". Mas claro que ele não deixa de colocar algumas coisas novas de tempos em tempos, sempre tem alguma novidade. Um dos auges é que sempre quando já está chegando no final do show, Alice "morre", seja em uma forca ou uma guilhotina, como uma espécie de punição pelas maldades que ele vai interpretando durante todo o espetáculo.



O Bowie se caracterizava como um de seus personagens, como Ziggy Stardust ou Thin White Duke, mas começou a entrar nessa de misturar teatro com show na turnê do "Diamond Dogs". Não conheço muitas gravações assim dele, mas acredito que a mais famosa seja aquela "Glass Spider", onde há muita dança, teatro e a aranha gigante de vidro que deu nome à turnê. Há toda uma ambientação extraterrestre e Bowie chega a cantar em cima da aranha, à frente de duas asas brilhantes, passando uma impressão de anjo. Também há muitas performances excelentes gravadas em que você pode vê-lo fazendo performances unicamente musicais, como ele seguiu por muitos anos. O curioso é que houve um final de turnê em que ele anunciou que seria não só o último show da turnê, mas o último que ele faria. Neste ele estava caracterizado como Ziggy Stardust e realmente depois nunca voltou a se apresentar com as excêntricas características do personagem.


Já o Alice quase nunca deixa de fazer uma performance teatral, mas acredito que os melhores exemplos são o "Brutally Live", meio difícil de ser encontrado, e o "Theater of Death", de 2009, mais fácil de achar, já vi até em Blu-Ray há pouco tempo.

"Toda vez que você vai a um show meu é diferente do anterior".


Alice é nome de mulher!



"Ela me perguntou porque o nome do cantor era Alice. Eu disse, ouça querida, você realmente não ia entender." Be My Lover, de Alice Cooper

A questão do gênero é interessante de ser abordada também. O Alice precisa nem falar, ele usa nome de mulher!!! Há versões diferente de onde ele tirou esse raio desse nome... Alice Cooper... O nome verdadeiro do cantor é Vincent Damon Furnier. Há quem diga que o nome veio daquelas tábuas de ouija de falar com espíritos e as letrinhas teriam formado "Alice Cooper", supostamente o nome de outra encarnação do vocalista quando ele era uma... bruxa. Bem, é muita viagem pra minha cabeça, mas é o que dizem. Também tem quem acredita que tem um filme da antiga aí que ninguém lembra mais e tinha alguma personagem com esse nome que ele pegou pra ele. A segunda opção me parece mais provável, haha. O nome de mulher já chegou a fazê-lo receber o apelido de "titia Alice", haha, mas ele não vai além disso. Não é o caso de nosso amiguinho... Ziggy Stardust, por autodefinição um guitarrista canhoto andrógino... do espaço! O Bowie sim abraçou esse papo de androginia e o acompanhou por muito tempo na carreira. Na capa de "The Man Who Sold The World" foi o golpe forte, com o cantor aparecendo de vestido. Na época que lançou "Hunky Dory", o álbum que tem "Changes", ele chegou a declarar para a mídia que era gay. Bem, o Bowie já foi casado mais de uma vez e teve dois filhos, durante toda a carreira sempre o faziam perguntas sobre a sexualidade e ele respondeu de formas diferentes. Então... ou ele era muito doido, ou só aproveitava pra criar polêmicas. Ou... os dois, né?



Claro que isso é a imagem, que em ambos os artistas é bem forte, mas como fica nas músicas? O Alice já retratou personagens femininas nas suas músicas sim, mas não faz muita diferença não porque a maioria era sobre humor, tirando aquelas três já citadas em que ele já usa propositalmente mais sensibilidade para cantar sobre o sexo feminino.



No caso do David Bowie chama mais atenção, ele tem umas músicas muito femininas e outras que também são muito masculinas. Deve ser o lado ator dele que é fortíssimo. Há as músicas feitas pra filmes, as que falam sobre o irmão e tantas outras, claro que então ele não demonstra dificuldades para composições que seriam "protagonizadas" por personagens femininas, como "Life On Mars?" e "John, I'm Only Dancing".





"Nós não merecemos! Nós não merecemos!"



O Alice ainda tá por aí, mas o Bowie foi embora sendo lembrado como um artista muito além. Além da música, o que mais me fascina é a diversidade de ambos em outros meios. Como se já não bastasse todos os estilos que eles trabalham nos seus álbuns de música, ainda marcam com excelência em outros campos. O primeiro filme com David Bowie foi "The Image", onde ele interpretava um trágico desenho que ganhava vida. Não demorou e em 1976 ele já fazia um extraterrestre em "O Homem Que Caiu na Terra", perfeito pra um artista que tanto ficou lembrado com músicas sobre o espaço. Com o cabelo todo vermelho ele dá vida a Newton, que veio à Terra para conseguir levar água ao seu planeta decadente, mas na sua jornada vai conhecendo a ganância e hipocrisia humana, dando em um trabalho bem crítico e surpreendente. Bowie já foi de tudo, em "Fome de Viver" ele interpretava um vampiro e como sempre foge do usual. Foi um soldado no meio da Segunda Guerra em "Furyo, Em Nome da Honra" (Merry Christmas, Mr. Lawrence). Já trabalhou em um filme do Christopher Nolan em "O Grande Truque", de 2006, quando ele já tava andando meio sumidinho... Já fez Poncio Pilatos, um personagem histórico, assim como Andy Warhol, em "Basquiat". É incrível como ele faz papeis tão dramáticos! É diferente de... por exemplo, os Beatles, que já fizeram um monte de filmes, ou até mesmo o Ozzy Osbourne já apareceu em alguns. Eles praticamente fazem cameos, tipo o Stan Lee. O David Bowie não, ele era ator mesmo! Além dos clipes, os filmes mostram a tamanha competência que ele tinha nisso.



Até no teatro ele já trabalhou, fazendo grandes adaptações, como o drama do "Homem Elefante". Dizem que antigamente não era raro ter gente que reconhecia o David Bowie como ator, mas nem sabia que ele era músico! Creio que o mais cult seja "O Labirinto", em que ele faz o Jareth, rei dos gnomos. Os melhores exemplos de suas capacidades de atuação na música foram justamente os dois últimos álbuns. Tanto "Blackstar" como "The Next Day" contaram com clipes inesperados! Quem imaginava que o velhinho (quase 70 anos) ainda tava com tanto?! Nos clipes de "The Next Day" ele até conta com atores famosos como Gary Oldman (que também atua no "Basquiat"), Marion Cotilard e Tilda Swinton co-atuando. Todos clipes com milhões de visualizações no YouTube.


E a titiiiiiiia? Alice também tem uma baita filmografia! Mas ele passa uma impressão de zona de conforto quanto aos filmes, porque ele não foge muito da área dele. Na música Alice sempre foi o cara do "filme de terror" e é bem por aí que você vê ligações com ele, em todos os cantos dos clássicos do horror trash. Na infinita série "Sexta-Feira XIII" Alice gravou a "The Man Behind The Mask" para a trilha sonora do filme. Em um dos filmes de "A Hora do Pesadelo" ele atua como padrasto do Freddy Krueger e na música "Lock Me Up" há uma introdução que é feita pelo próprio ator que viveu o monstro por anos. Em "Feed My Frankenstein", do álbum "Hey Stoopid"(1991) há uma curta presença da Elvira (aquela mesma do filme da Sessão da Tarde) nos back-vocals. O mais atual é o filme "Sombras da Noite", do Tim Burton, em que ele não só aparece como toca "No More Mr. Niceguy" e "Ballad of Dwight Fry". O mais legal mesmo foram os filmes relacionados à cultura do rock.



Na clássica comédia "Quanto Mais Idiota Melhor" Alice surge em um show seu e depois fala com os protagonistas no backstage. No filme "Suck" (acima), em que ele faz o lorde dos vampiros, deixa seu lado ator realmente à vontade junto com outros roqueiros famosos, como Iggy Pop. Apesar de não mostrar tanta versatilidade na atuação como o David Bowie, o Alice de forma divertida também se mostra bem trabalhando com filmes. O Stan Lee já chegou a escrever HQs com ele tentando torná-lo um personagem do Universo Marvel. O Neil Gaiman também escreveu uma HQ sobre seu álbum conceitual "The Last Temptation" e mais recentemente ele também teve seu nome como título de uma série da editora Dynamite. O que é engraçado, é que mesmo com todo o tom de personagem que tem, ele quase não teve expressividade em videogames. Sejam games que contavam com vários ícones do rock/metal, como "Brutal Legend", ou "Guitar Hero". Maaaaaaaas! Não é o caso do David Bowie!!!! Ele apareceu no primeiro jogo da Quantic Dream, o Omikron!


Além disso, em "Metal Gear", de Hideo Kojima, uma das séries de maior sucesso do mundo dos games, Bowie é constantemente homenageado. Às vezes é de formas mais sutis do que em outras, como o personagem Major Tom, o grupo rebelde chamado Diamond Dogs e até a música "The Man Who Sold The World", que é tocada no último título. É possível ver como a criatividade do cara influenciou cantos de todas as vertentes artísticas! Além da música, por filmes, HQs, moda e até jogos!



Como bom vinho...


...bons artistas só ficam melhores com o passar do tempo. E é claro que foi assim com o Sr. Bowie e a titia Alice. Cooper formou uma banda em homenagem a ícones falecidos dos Anos 70 como John Lennon, Keith Moon, Jim Morrison e tantos outros, eles foram os "Hollywood Vampires", contando com outros grandes astros de rock como Joe Perry, Brian Johnson, Johnny Depp e até o Paul McCartney! Afirmando que não pensa em se aposentar, Alice continua excursionando com todos os seus efeitos e teatralidade, além de já ter um novo CD para lançar!


Nosso querido David Bowie faleceu de câncer no início do ano, na mesma época que foi lançado seu último álbum, o "Blackstar". Ele impressiona a todos com a forma que manteve a criatividade e qualidade dos seus trabalhos! O clipe da faixa-título tem DEZ minutos!

E em sequência saiu Lazarus...

O impressionante clipe em que o próprio se apresenta moribundo...

video

Dois artistas no full power. Praticamente espectros de infinita criatividade...

















-Quem é você?
-Eu... não sei, posso ser muitas pessoas.
-Não somos todos?