smc

Pesquisar este blog

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Alice Cooper mete o PARANORMAL!


"But he's back! He's the man behind the mask!"

Alice Cooper acabou de lançar seu novo álbum, "Paranormal", produzido por Bob Ezrin, o mesmo que esteve envolvido em muitos dos álbuns mais famosos do shock rocker, como "School's Out", "Billion Dollar Babies", "Killer", "Love It to Death", "Lace and Whiskey", "Welcome to Ny Nightmare" e os últimos dois mais recentes "Welcome 2 My Nightmare" e "Hollywood Vampires". Ele também produziu os dois últimos álbuns do Deep Purple, "Now What?!" e "Infinite", que saiu esse ano mesmo (não cheguei a comentar nada, mas recomendo a faixa "Time for Bedlam", as outras que ouvi não curti muito). O cara também cuidou de clássicos como "The Wall" do Pink Floyd e "Destroyer" do Kiss. Ou seeeeeeeeeeeeeja, é um lançamento que vale a atenção.

Ezrin e Cooper entraram no mundo do rock e o dominaram juntos, compartilham produções desde o início da carreira.

A primeira música que foi divulgada foi "Paranoiac Personality", cujo nome já combina bastante com o estilo da carreira de Alice, falando sobre loucura. O cara ainda promoveu a música com a imagem das duas cabeças, que eu usei pra abrir o post. A música é legal, mas é meio fraca pra atuar como música principal que promove o álbum, inclusive se comparar com as que promoveram os últimos: "Vengeance is Mine" e "I'll Bite Your Face Off". A outra música que ele divulgou antes do álbum sair, foi a faixa-título, "Paranormal", que abre o álbum. Acredito que o resultado foi o desejado, é uma música que soa sombria, falando sobre assombração, mas ao mesmo tempo sendo bem emotiva, parecendo que o fantasma está apaixonado pela pessoa que tá assombrando. A cara do Alice essas misturas imprevisíveis, principalmente pro lado sinistro da coisa. Admito que senti falta de um riff ou refrão marcante. O guitarrista não é ruim, mas também tem nenhum grande destaque.


A segunda faixa é bem fraquinha, "Dead Flies". Tem "Fireball" que da primeira vez que ouvi não liguei muito, mas é porque inevitavelmente acabei comparando com outra música do Deep Purple que tem o mesmo nome, e comparar com uma música do Deep Purple é um mal negócio. Quando ouvi de novo depois gostei mais, é uma boa música, dá pra dançar. Algumas faixas como "Fallen in Love" são faixas bem honestas de rock como o Alice já fez váááááárias vezes na carreira dele. O que vale comentar dessa última são as referências que eles fazem a outras músicas da banda na letra:

"I was a BILLION DOLLAR BABY in a *???* vest, now I'm a dirty DESPERADO in a STEVEN mess."

"Dynamite Road" segue esse estilo, com destaque pros vocais de Alice, que parecem interpretar personagens diferentes com enorme facilidade, causando uma imersão fácil nas músicas que tem uma ambientação diferente. Falando em imersão, dessa vez Alice não se preocupa em ligar as músicas fazendo uma história, ou seja, esse álbum não é conceitual, como são a grande maioria dele, inclusive os dois anteriores à "Paranormal".


O primeiro grande destaque só vem na oitava faixa, quando Alice consegue nos surpreender como fez várias vezes na sua discografia trazendo boas músicas com influências de outros estilos fora do rock que não esperaríamos. Em "Holy Water" essa influência parece ser do jazz, competindo fortemente em ser a melhor faixa do álbum. A partir daí a coisa fica melhor. "Rats" também é uma música que te fisga mais rápido, sendo mais pesada. "The Sound of A" fecha o primeiro CD, mas parece beeeeem deslocada. Tem uma pegada meio Pink Floyd, mas não combina com o estilo do resto do álbum, cujo qual as melhores coisas que apresenta são as faixas mais diretas e agitadas, com as mais alternativas e experimentais não impactando tanto. Bem, é sempre o risco de ser experimental, ou impactar bastante ou quase nada.


As últimas duas faixas que ficam separadas são destacadas pela colaboração com os membros originais da antiga "Alice Cooper Band", que fez história nos anos 60 e 70, antes deles se separarem e o cantor entrar na sua extremamente chamativa carreira solo. Estes caras seriam Neal Smith, Michael Bruce e Dennis Dunaway.


Não é a primeira vez que isso acontece, no último álbum de 2011 mesmo haviam faixas com colaborações deles, como "When Hell Comes Home", que era bem interessante. Como muitas pessoas ficavam se perguntando se havia o interesse dos integrantes originais se unirem novamente mesmo com esses trabalhos, acho que eles escolheram deixar separado dessa vez pra chamar mais atenção e mais pessoas perceberem. A primeira é "Genuine American Girl", uma das mais legais junto com "Holy Water". O ritmo é muito divertido, parece uma versão do Alice Cooper de "Some Girls Just Wanna Have Fun", com a diferença que acho a voz do Alice um quatrilhão de vezes mais agradável que a daquela mina. Eu gostei que lembro de ter escrito num post que fiz do Alice Cooper e do David Bowie como eles tinham (e no caso do Alice, ainda tem) facilidade pra escrever músicas que demonstram um personagem do sexo oposto. Veja só como a letra é legal! Você ouvindo realmente parece que é uma garota jovem que vai sair de casa pro rolê.

"Eu arrumo meu cabelo, pinto minhas unhas
Borra pra fora, nunca falha
Então a maquiagem corre, pelo meu belo rosto
Eu sou uma bagunça, uma MacDesgraça

Mas quando eu sair desse quarto essa noite!
Eu vou parecer e me sentir bem!
Porque minha mãe diz que o mundo é uma ostra...
E eu sou a pérola!!!

Eu sou uma... genuína garota americana
Uma verdadeira beleza num mundo feio
Minha visão de pura feminilidade!
Yeah, eu sou uma genuína garota americana
Dos meus lábios vermelhos rubi aos meus cachos loiros com luzes
Eu sou tudo que eu esperava ser!

Eu olho no espelho, e o que eu vejo?
Uma modesta garotinha olhando de volta para mim
Os garotos todos assoviam, quando eu passo
Então eu jogo meu cabelo e pisco meu olho

E quando eu sair na rua essa noite!
Eu vou parecer e me sentir bem!
Porque minha mãe diz que o mundo é uma ostra...
E eu sou a pérola!!!

Eu sou uma genuína garota americana
Eu sou uma rainha rock and roll num mundo hip-hop
Minha visão de pura feminilidade!!!

Você acha que é vaidade
Ou alguma insanidade
Mas isso é terra de ninguém!
E eu vivo aqui todos os dias!!!

Então venha e dance comigo!
Venha tentar a sorte comigo!
Eu tenho apenas trinta de cinquenta... tons de cinza!!!
O que você acha?

Ei, garotão
Por que você não vem me encontrar alguma hora?

E quando nós sairmos essa noite
Nós vamos parecer e nos sentir bem
Porque minha mãe diz que o mundo é uma ostra...
E eu sou a pérola!!!

Eu sou a fantasia de todo He-Man
Uma fatalidade feminina
Você deve perceber
Que eu sou tudo que quero ser, yeah"


Meu, o cara tá com 69 anos!!! Eu imagino ele escrevendo isso e cantando, mano, o cara é muito foda! Se você tiver com preguiça de ouvir o álbum todo, com certeza as que eu recomendo mais são "Holy Water" e "Genuine American Girl". Em sequência vem a outra com os membros da banda original (lembrando que só um guitarrista faleceu nos anos 90). É "You and All of Your Friends", que é bem legalzinha, eles realmente conseguiram pegar muito bem o clima da banda original, o que muitas bandas não conseguem fazer às vezes, como o Aerosmith e o Black Sabbath. Ah sim, vou deixar aqui o texto sobre o Alice Cooper e o David Bowie que eu escrevi ano passado caso você não tenha lido:

http://ozymandiasrealista.blogspot.com/2016/07/alice-cooper-bowie-artistas-no-full.html


VEREDICTO: Acho que é muito cedo pra eu decidir se é melhor ou pior que o último álbum de 2011, também produzido pelo Bob Ezrin, tenho que esperar um pouco pra ver quanto tempo vou me divertir ouvindo as músicas, mas dá pra adiantar algumas coisas. "Paranormal" com certeza agrada mais quem queria um pouco do velho Alice, que é um dos artistas que mais mudou a sonoridade dos seus trabalhos (e com qualidade) no passar dos anos. O baterista do U2 que foi curiosamente adicionado fez um bom trabalho, mas como eu já disse, o guitarrista não chama muita atenção, já houveram melhores (inclusive o Slash, hehe).


Eu não sou um fã old school da titia, pelo contrário, comecei a ouvi-lo em 2008 mais ou menos, na época que tinha "Vengeance is Mine" e "Along Came a Spider", o que sempre me cativou mais no cara foi a enorme versatilidade. Neste sentido "Welcome 2 My Nightmare" é tranquilamente melhor que "Paranormal", já que haviam faixas realmente boas de pop e até eletrônica. Cacete, teve uma música que ele cantou com a Ke$ha. A KE$HA!!! Aqui a música que parece mais experimental é "The Sound of A" e nem chama muita atenção. Concluindo... "Paranormal" lembra o rock competente que Alice produzia no início desse século, após suas grandes viradas com os álbuns conceituais de metal industrial, o "Brutal Planet" e o "Dragontown", tipo de coisa que eu acho que ele não deve mais voltar a fazer a essa altura, com quase 70 anos. Mas isso não significa que seja um álbum só pra fãs do cara. "Paranormal" é uma boa recomendação para os fãs de rock, independente da vertente. Só não é um grande álbum, mas é divertido de ouvir. Um trabalho criativo, sincero e admirável que vale a pena.


O mestre Cooper vem para o Brasil mês que vem! Tocará no Rock in Rio e fará a abertura do Guns 'n Roses em São Paulo, no evento São Paulo Trip! É muita sorte um cara desse nível não só estar vivo, mas também excursionando e produzindo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário