sexta-feira, 31 de março de 2017

O POST TAPA-BURACO.


Eu sou o... “Ozymandias”. Sempre tento escrever sobre várias coisas, multitarefas as quais dependem de uma cada vez mais esporádica inspiração. Tenho atualmente uns vinte posts inacabados em um doc, que sabe-se quando ganharão mais linhas e imagens, porém estou sempre falando sobre algo, quando não aqui, em outros lugares por desenhos, xadrez ou até exercícios físicos. Bruce Lee tinha a contumaz alegação de sua arte marcial ir além da humilde porradaria, que essa era sua maior forma de se expressar, e ao passar sua arte adiante, estava ajudando pessoas a buscarem suas melhores formas de fazerem o mesmo. Engraçado sobre o Bruce Lee, é que vi poucos filmes seus, o que me recordo mesmo, acredito ser o filmado pouco antes de sua morte (ocorrida durante as gravações ainda), no qual ele usa uma roupa toda amarela e sai passando por salas com adversários específicos, um deles tão grande que tinha um pé equivalente ao tronco de Lee. Eu devia ter uns 13 anos, e fiquei atônito por um “herói de filmes de luta” simplesmente entrar e sair matando inimigos com as próprias mãos. Mesmo permanecendo um ignóbil conhecedor dele, gostaria de passar dois grandes ensinamentos “linkados” ao mesmo:



“Seja como a água.”



“Esperar que o mundo o trate bem por ser uma pessoa boa, é como esperar que um tigre não lhe devore por ser vegetariano.”

Já lhe contei como consegui as cicatrizes?



Daqui há alguns dias, acredito que o blog atinja meio milhão de views. Isso não me enrique, só me faz marcar um traço em mais algum objetivo, anotando uma meta de dobro. Resolvi comentar algumas “aleatoriedades” para não deixar tudo parado, e as separei por temas, assim os “chatos” podem ser pulados. Vale ressaltar disso englobar os últimos 60 dias.

XADREZ



01.Devido ao meu comportamento estressado (essa expressão existe?!), e uma gota d´agua de uma certa pessoa, relacionada ao profissional contra mim (você que é “homem” e feministazinho, quero ver manter a ideologia tendo como chefes mulheres mal crescidas que tentam subjulgar tudo que é homem e agem de espontânea incompetência consentida...) que me fez entrar em uma ira que eu não entrava em muito tempo. A ira é um veneno quando não se pode sair estilo Kratos. Lhe desfoca, trás pensamentos cruéis de vingança e em última análise, lhe tira de um caminho que custou muito para entrar bem, no meu caso o xadrez.

02.Fui jogar Damas, Trilha, buscar qualquer outra coisa. Me sentia como alguém que estava tentando se livrar de um... simbione. Quase 2 anos de treino interruptos pareciam ter colidido contra uma parede.


03.Antes disso tudo, evoluindo, conseguir entrar no ranking dos 100 melhores do meu estado, em 78º no Blitz e 79º no Rápido.

04.“Pós-queda”, disputei um torneio Blitz, sem nenhum treino, nada, tanto que fui quase desistindo. Levei um protetor auricular e quase 1 litro de café preto comigo. E apesar de não ter uma alta posição, ainda venci 5 partidas das 9 que disputei, e das que venci, digamos que “foi um serviço bem feito”, me permitindo em uma delas um verdadeiro “combo breaker” contra um recente rival que havia me vencido em Janeiro, o qual está em 36º.





GIBIS



O post doDJ sobre a morte do Bernie me fez pegar para reler os encadernados do Monstro do Pântano escrito por Moore. Havia lido o vol. 1 e 2, e parado dormido no começo do 3. Relendo, pude sentir mais, e realmente entender como o monstro se sentia... Essa é a mágica da leitura, crianças, ela sempre servirá como morfina em seus piores momentos. Sabe aquele gibi que o senhor comprou e jogou em algum canto, nem lembrando mais dele? Ele está lá, só esperando o “seu momento”. Como comentei com o DJ, não tenho o vol. 4, portanto o pulei, já estou para terminar o vol. 5 (MP trocou o verde por azul?...), e acredito estar no fim de tudo, infelizmente nos próximos dias. Malditas drogas com efeitos limitados...


Li o primeiro arco do “Homem-Animal” do Morrison, acho que até um pouco mais, devo ter lido as 5 primeiras, engraçado que ele escreveu esse título, em época igual a que Moore escrevia em simultâneo o M. Pântano / Miracleman / Watchmen (Caralho! Como um único ser humano faz isso?!), e como explicita na introdução do encadernado, quis fazer algo também “no ácido”, mas não “desconstruindo” o super-heroísmo, e sim o enaltecendo e potencializando sem temor o elemento fantasioso (fãs mais antigos que eu devem estar a parte). Gostei bastante do que li, apesar de ter uma certa similaridade com alguns... Ativismos.








Uma mistura de “Ron Jeremy” (não conhece? Sorte a sua!), “The Boys”, Wolverine, “sexta-feira 13” e Luke Cage. Foi isso que me veio a mente ao ler de uma vez as 7 primeiras edições. O engraçado é que foi um ciclo. Fui ler Monstro do P. para “fugir do xadrez”, e quando “monotonizou” na metade do vol. 3, fui pro Homem-Animal, pausando nesse, vim pra esse, que eu tinha pego há vários anos em formato digital e nunca lido. Ninguém me indicou, não sabia do que se tratava, apenas tinha salvo, com minha mania de baixar tudo e colecionar. A maioria pode ler e se cansar rapidamente da trama, que a principio não faz nenhum sentido. Se trata de um cara, que não pode ser machucado ou morto, procurado por uma moça, que diz ser sua filha, e que cuja mãe foi assassinada por um dono de um culto assassino, que ministra palestras de autoajuda, cujo líder ambiciona essa garota e suas irmãzinhas para serem suas esposas e ter filhos “puros”, supondo que esse líder seja o pai biológico da garota. Fez sentido? Some isso a cenas de tentativa de humor pesado emulando Garth Ennis que falham miseravelmente, e temos esse Dan. O que me surpreendeu, foi que após esse arco inicial, por mais absurdo que fosse, principalmente em seu desfecho, teve pontas soltas bem trabalhadas, e pela “diversão trash”, vou buscar mais desse material.

FILMES

Todos da lista, foi o que assisti nos últimos 60 dias. Todos terão (?) posts específicos. 3 à 4 linhas sobre cada.

CAPITÃO FANTÁSTICO: Comunista comunistando comunistamente seus filhos, como a maior luz contra a civilização no meu das selvas, enquanto as pessoas da cidade são todas burras e gordas.


JULIETA: Primeiro filme que assisti do Almodovar, e de primeira me veio o fascínio pela forma forte que ele escreve as mulheres em filmes. Pretendo ver seus outros trabalhos.


LOGAN: Excelente trio, desenvolvimentos até inéditos, que tropeçam em soluções fáceis e falta mais uma vez de um vilão memorável. Mangold, enfie o X-24--


JOHN WICK 2: Inferior ao primeiro, mas agora totalmente badalado, e provavelmente copiado por vários, já que vai virar a “nova moda de filme de ação”. Transformaram estilo em patente;


A QUALQUER CUSTO: Metade de projeção bem chata e “sem rumo”, e filme inesquecível na outra. Ótimas representações do “tudo que vai volta.”


UM LIMITE ENTRE NÓS: Melhor filme dessa lista, tanto que o único que assisti duas vezes. Crível de uma forma que posso atestar por ter vivido com pessoas quase idênticas ao casal principal.


BELEZA ROUBADA: Segundo filme que assisti do “Bertoitalianosósei serpolêmico”, e confesso que permaneci totalmente apático a história de “quem é meu pai, e para quem vou dar?”.












E OS TRAILERS?!


Ninguém falou sobre os trailers? Droga! Falo outro dia! Mas para não dizer que sou ruim, ai está um excelente:




Um som perfeito, para quando tudo lhe der errado:





Exemplos de como Apocalipse Now está sendo plagiado na cara de pau e ninguém fala NADA!:





Do padrão “100%” de qualidade do “Rotten Tomatoes”:


E o personagem que começarão a pagar pau após o filme. O "efeito Homem de Ferro":

Se bem que ele em cima do "Batmóvel" foi uma das coisas mais fodas que já vi!


sábado, 25 de março de 2017

Os Outros - Uma série imperdível do Aquaman!


"Quantas vidas você já sacrificou por um bem maior?"
"Vingança não é um bem maior."

As histórias compiladas nesse encadernado saíram originalmente há um tempinho, no primeiro ano dos Novos 52, as edições #7-#13 de Aquaman. O encadernado também já saiu há uns meses. Como dá pra notar acima, a capa é bem bonita e chamativa, cheia de personagens, organizando toda a mitologia que a revista continha na época. Pode julgar pela capa. A história já começa instigante, mostrando o retorno do mais popular inimigo do Aquaman: o insensível assassino Arraia Negra. O vilão deixa claro que não é pra simpatizar com ele não.

"Depois que eu te matar, vou até Teerã e matarei sua família. Seu marido. Suas crianças, Vou destrinchá-los feito peixe. Como faço com todos." Arraia Negra esclarecendo que é do mal

O roteiro conta com bons diálogos e envolvimento entre os personagens ao mesmo tempo que a ação não é esquecida. Explicações são interrompidas por guerreiros surgindo de campos de força com panteras ferozes, até que finalmente Mera, a ruiva companheira do herói diz o que precisa ser dito: "Arthur! Que diabo está acontecendo?" É dessa perfeitamente bem encaixada pergunta que começa "Aquaman: Os Outros", uma fase que não deve vir a ser esquecida


Vamos apresentar logo a equipe criativa para poder elogiá-los. O texto é do Geoff Johns, sabemos que o cara é bom, mas não é perfeito. Ele criou versões inesquecíveis (talvez até as melhores) de Shazam! e Lanterna Verde, mas o seu Flash não é lá muito elogiado. A sua passagem pelo Aquaman é um atestado de plena competência. O seu parceiro é o orgulho dos nerds brasileiros, o desenhista Ivan Reis somado ao colorista Joe Prado. Juntos eles nos trouxeram "A Noite Mais Densa" dos lanternas verdes. Juntos nos trazem também esse instigante trabalho.


Reis nunca desaponta e dá um show unido ao Joe Prado. Há páginas que você realmente para pra ficar admirando, desde as capas que são muito boas até todas as cenas de ação em páginas duplas. Difícil esquecer o quadro que Aquaman e Arraia Negra se reencontram para a primeira luta. Eles passam uma experiência alucinante digna do surpreendente roteiro. Vamos falar do roteiro!

Quem são os outros...?


O Arraia Negra voltou deixando claro que quer tirar a vida do Aquaman da forma mais dolorosa que conseguir. Não só o rei de Atlantis, ele está caçando todos os "Outros". Quem são eles? Um antigo grupo de heróis de várias partes do mundo que o herói submarino fazia parte quando era mais jovem e nem existia Liga da Justiça ainda. Johns introduz o grupo por meio de flashbacks ao mesmo tempo que mostra o herói investigando quais são as intenções do perigoso Arraia Negra. Nas primeiras edições (que podem ser conferidas no primeiro encadernado, "As Profundezas") Johns de maneira muito inteligente tornava o herói que era debochado em tantos lugares (inclusive pelos roteiristas) em um protagonista respeitável de história de ação usando justamente as piadinhas que faziam com ele de contraste. Todo mundo amou. Me pergunto se fazer um grupo chamado "Aquaman e os Outros" também foi algum tipo de ironia intencional ou apenas coincidência. Conheça os Outros:

Senhoras e senhores: o nome dele é Ivan Reis.

Aquaman: meio humano e meio atlantis. Antes você ria dele, mas agora acha foda.
Kahina: guerreira oriental que pode ver o futuro quase sem controle.
Ya'Wara: guerreira indígena gostosa pra cacete que possui conexão com os animais. Fica subentendido que foi parceira amorosa de Arthur no passado.
Prisioneiro de Guerra: dramático pra caramba, tem poderes que envolvem os mortos.
Agente: especialista em infiltrações avançadas e hacks.
Vostok: tipo de super astronauta da Rússia.

Johns criou o grupo todo de uma vez e TODOS são muito interessantes. Os designs feitos junto ao Ivan Reis ficaram lindíssimos e cada um possui peculiaridades e conflitos próprios muito bem pensados. É divertido acompanhar todos em ação, não há porquê de economizar elogios; é incrível como os caras introduzem uma equipe inédita a essa altura do campeonato e é tão legal conhecê-los como conhecer os X-Men, os Novos Titãs ou até os Guardiões da Galáxia do cinema pela primeira vez. É pra tirar o chapéu ou não é? Se ainda não conferiu leia e veja se estou exagerando. O Prisioneiro de Guerra toda vez que eu via tinha uma puta vontade que colocassem esse personagem em qualquer videogame, mano, fosse um de luta, um de ação, são todos muito legais, é impressionante.


A Mera continua tendo presença bem equilibrada na trama, sendo tão fodona quanto o próprio Aquaman, não faria sentido compará-la com sidekicks como Batgirl e Supergirl. Com tantos aliados desconhecidos do passado e um de seus maiores inimigos de volta, Mera vai descobrindo muito sobre o passado de seu amado, com a forma que ela o vê correndo o risco de entrar em cheque. O dr. Shin, biólogo marinho que conheceu Aquaman e seu pai por longa data, também está de volta e é um ótimo personagem secundário. Você tem aí até mais peças do que o necessário para uma memorável história de super-herói. Mas é bom lembrar do Arraia Negra...

Peixinho é o de menos!

Capa da edição 12, penúltima do encadernado

Impossível uma história antagonizada por um cara que está tão obcecado em se vingar violentamente ser leve. Arraia é constantemente mostrado como um clássico vilão de HQ da DC, está viajando pelo mundo para inescrupulosamente concretizar seu plano de vingança e conquista de poder. Vale a pena repetir que, como todos os outros personagens, Reis e Prado fazem muitas páginas embasbacantes de efeito com o vilão. Arraia parece o tempo inteiro ameaça de algum filme de terror ou suspense, surgindo misteriosamente das sombras em puro mal representando alto perigo com todas as suas bugigangas que são ameaçadoras mesmo os heróis sendo a maioria fortíssimos. Eles não usam violência explícita em qualquer momento, mas o clima realmente tem nada a ver com aventuras envolvendo água-vivas e cavalos marinhos.


Johns conta tudo em umas três linhas narrativas diferentes e o faz perfeitamente. É como assistir um filme de ação na TV que te deixaria extremamente satisfeito. Há a aventura no presente e constantes paralelos com recordações do passado que te aproximam mais da intensidade dos embates (e dá pra ler de boa. Imagino que se fosse do Grant Morrison não entenderíamos nada). Apesar de toda essa trama aventuresca, não há um tom juvenil. Pelo contrário, a história possui temas bem pesados e mais nada. Os números anteriores continham temas sérios, mas também descontraíam, aqui não. Todos os personagens secundários possuem seus próprios dramas e a principal contra o Arraia Negra se trata de pura vingança.


O volume anterior também era bem legal, mas aqui tudo aumenta. Se estiver difícil a situação com a grana e tiver que escolher um só, é totalmente possível entender "Os Outros" sem ter lido "As Profundezas", cuja análise você pode conferir no link abaixo:

http://ozymandiasrealista.blogspot.com.br/2016/07/aquaman-as-profundezas.html

Johns esquece de nada e seu texto é super bem amarrado, mas a aventura não termina aí. Admito que não gosto de encadernados sem final, mas esse é uma exceção. Não causa qualquer arrependimento, se quer se divertir pode comprar sem medo, é inclusive mais barato que esses da Salvat e Eaglemoss e podemos contar com o lançamento da sequência, que envolveu a Liga da Justiça, a série "Trono de Atlantis". É uma ótima aventura que eu garanto que causa emoções pesadas, se tratando de temas como confiança e vingança. Uma HQ de super-heróis exemplar e memorável.

"Arthur manteve um capítulo inteiro da vida dele escondido de todos. Até de você, Mera. Ele guardou segredos. Ele não é o homem que você acha que é."


terça-feira, 21 de março de 2017

[TABACARIA]


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, 15-1-1928 (FERNANDO PESSOA)

domingo, 19 de março de 2017

E se pudessem lágrimas vir... Elas viriam!


Um dia após a morte de um dos criadores do rock, Chuck Berry, que estava com 90 anos de idade, hoje morre Bernie Wrightson (69), desenhista que cocriou o Monstro do Pântano, personagem da DC que se tornou uma das maiores referências do terror gótico. Apesar de já ter trabalhado com HQs de super-herói, ele ficou reconhecido mesmo pelos seus trabalhos de terror, pode notar como mesmo o Monstro do Pântano sendo um personagem bondoso, seu rosto lembra uma caveira. Ele trabalhou em "Eerie" e "Creepy" naquele bom estilo Tales From The Crypt e um dos seus trabalhos mais famosos é a versão ilustrada do clássico Frankenstein. Há pouquíssimo tempo, coisa de menos de um mês, podiam ser encontrados nas bancas dois volumes das primeiras histórias do personagem, se chama "Monstro do Pântano: Raízes". Eu tenho aqui e vou passar o que o escritor, Len Wein, escreveu na introdução em 1991 sobre a forma que eles se envolveram na criação.


"A gente não tinha ideia de que criaria uma lenda.

Naquela manhã cinzenta de dezembro de 1970, quando peguei o trem 'E' nos arredores do Queens em direção a Manhattan, tudo em que eu pensava era qual seria meu próximo trabalho. Como roteirista profissional de quadrinhos com dois anos e meio de atuação, sobrevivi vendendo principalmente histórias curtas de mistério para as revistas de antologia da DC, Marvel e da lamentavelmente finada Gold Key Comics, a maior parte já extinta, mas não esquecida.

No decorrer da viagem de meia hora, tive um vislumbre de uma ideia para uma história. Uma aventura de amor repleta de perigos, assassinatos e, ao fim, vingança. Por que decidi tornar o protagonista uma espécie de monstro do pântano, um arremedo mucoso de homem, não me recordo mais. Mas essa decisão estava destinada a mudar o rumo de minha carreira.

Quando cheguei ao escritório da DC Comics, tinha a premissa muito bem delineada na cabeça e corri para a máquina de escrever mais próxima (naqueles tempos todos usávamos máquinas de escrever) para colocar a ideia no papel.

Apresentei a proposta de uma página em espaçamento simples para Joe Orlando, o editor de The House of Mistery e The House of Secrets, entre outras séries. Coincidentemente, Joe andava pensando em fazer uma história nos moldes de It, a clássica obra de terror de Theodore Sturgeon, que é sobre um desajeitado monstro do pântano. (E eu nunca havia lido até a excelente adaptação de Roy Thomas para a Supernatural Thrillers, da Marvel, alguns anos depois.) Joe leu a minha sinopse entusiasmado, fez algumas sugestões (como o Monstro perder o bracelete dado pela esposa no fim da história), deu o sinal verde e fui pra casa trabalhar no roteiro.

Apenas mais um dia na vida de um roteirista freelance morto de fome, pensei.

No final de semana seguinte fui a uma festa pré-final de ano na casa de meu parceiro de longa data, Marv Wolfman. Mais tarde naquele dia, por razões que infelizmente não lembro, eu estava escorado no meu carro no geladoar da tardinha com Bernie Wrightson olhando a neve cair e proseando. Bernie tinha terminado há pouco tempo com sua namorada e estava meio deprimido. Falei que sabia como ele se sentia. E aí tive a chance de mencionar que estava trabalhando numa história que combinava com o nosso humor. Sugeri que ele podia se interessar em ilustrá-la como um jeito de exorcizar seus demônios, e ele prontamente concordou.

E assim nasceu a lenda."

Pra quem já leu a primeira edição que está disponível no primeiro volume de "Raízes", dá pra notar o inegável tom melancólico de sofrimento sentimental. Que bom que eles transformaram um sentimento triste em uma grande investida criativa! Eu ando meio sem tempo, então vamos direto ao assunto: Especial Monstro do Pântano, vocês querem?

Frank Miller, Neil Gaiman, Bill Sienkiwickz, Bernie Wrightson e Dave Gibbons.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Maratona Novos 52 - Universo Liga da Justiça Parte 2


Análise de Capitão Átomo #1-6, do encadernado Captain Atom: Evolution, com roteiro de J.T. Krul e desenhos de Freddie Williams II, e tecerei breves comentários sobre as edições.


Edição #1: Enquanto enfrentava um vilão relativamente fácil, o Capitão Átomo sente seus poderes falhando e vai até a base de pesquisa no Kansas falar com seu mentor, o Dr. Megala. Porém, sem muito tempo, segue para Nova York para deter uma erupção vulcânica provocada por um raro e forte terremoto.

Edição #2: Nathaniel Adams, ex-piloto submetido voluntariamente a teste com o Campo Quântico, se tornou o Capitão Átomo, cuja extensão dos poderes ele descobre a cada dia. Dessa vez, até mesmo curou uma criança de um tumor cerebral.

Edição #3: Depois de salvar a vida de Mikey, o Capitão Átomo realiza uma série de salvamentos, mas começa a se questionar até que ponto ele poderia intervir em situações críticas. Na Líbia, encontra com Flash que o indaga sobre seus poderes, quando precisa lidar com uma ogiva nuclear.

Edição #4: O General Eiling tenta usar o Capitão Átomo como uma arma de guerra, mas Nathaniel recusa e vai embora de volta ao Continnum. Lá, se encontra com sua amiga e cientista Ranita Carter. Quando ela o toca, suas mãos se queimam.

Edição #5: O General Eiling se dirige à Washington atrás de uma assinatura energética similar a do Capitão Átomo. Nathaniel resolve se dirigir até a capital e se depara com uma enorme criatura orgânica que absorveu uma cidade inteira.

Edição #6: Nathaniel descobre que a criatura monstruosa era, na verdade, um dos ratos de laboratório submetido aos mesmos experimentos que ele, por isso, as similaridades energéticas. Infelizmente, o Capitão Átomo não tinha como permitir que a criatura continuasse a se expandir indefinidamente.

Cercado pela intolerância, o ex-piloto Nathaniel Adams tenta conviver em um mundo que o repele, enquanto descobre mais sobre seus poderes e seu novo papel no mundo. Questões filosóficas interessantes em se tratando de um ser tão poderoso quanto o Capitão Átomo. Leitura altamente recomendada

Análise de Nuclear #1-6, do encadernado The Fury of Firestorm – Nuclear Men: God Particle, com roteiro de Gail Simone e Ethan Van Sciver e desenhos de Yildiray Cinar, e tecerei breves comentários sobre as edições.


Edição #1: Jason Rusch é o gênio nerd. Ronnie Raymond é o astro de futebol. Ambos se detestam, mas se quiserem sobreviver, terão de se transformar em algo... nuclear. Perseguido por um grupo de mercenários contratados por uma corporação inescrupulosa, por estar em posse de uma fórmula poderosa criada pelo falecido Professor Martin Stein, Jason convoca os poderes do Nuclear, mas não sozinho.

Edição #2: Agora não há mais volta. Jason e Ronnie, juntamente com sua colega de escola Tonya, estão sendo caçados pela equipe de elite Hiena e procurados pela polícia, e tudo por causa dos Protocolos Nuclear do Prof. Stein.

Edição #3: Depois de derrotar a Hiena, Jason e Ronnie são obrigados a convocar o Fúria para enfrentar Hélice, o primeiro experimento humano com os protocolos Nuclear, e marido de Candance Zither, a responsável por trás desses ataques.

Edição #4: Mikhail Arkadin, co-criador do Protocolo Nuclear ao lado de Martin Stein, não está contente de saber que seu projeto foi roubado e está sendo negociado no mundo todo. Jason leva Tonya, ferida, ao hospital mais próximo enquanto que Ronnie vai atrás de seus familiares.

Edição #5: A diretora Zither convenceu o pai, mas não totalmente a Jason sobre seu projeto de um país seguro com a presença de um Nuclear. Eles são convencidos a participar de uma apresentação, mas percebem tarde demais que tudo não passava de uma armadilha com consequência trágicas.

Edição #6: Arkadin, o Phozar está caçando Nucleares ao redor do mundo e seu próximo alvo são os dois Nucleares americanos – Ronnie e Jason. E para piorar a situação, Phozar acha que os dois foram os responsáveis pela destruição no estádio que dizimou duas mil pessoas.

Nos Novos 52, Nuclear tem uma versão bem diferente da original, incluindo sua origem e até mesmo as pessoas que o formam. A trama é baseada em terrorismo corporativo e foi escrito para ser impactante, mas poderia ter sido melhor. Leitura razoável.

Análise de Senhor Incrível #1-8, do encadernado Mister Terrific: Mind Games, com roteiro de Eric Wallace e desenhos de Gianluca Gugliotta, Scott Clark e Oliver Nome, e tecerei breves comentários sobre as edições.


Edição #1: Michael Holt passou por uma tragédia familiar, e agora defende a justiça com sua inteligência e recursos tecnológicos. Em Los Angeles, algumas pessoas estão sendo mentalmente afetadas e sua capacidade de raciocínio é ampliada de modo descontrolado.

Edição #2: Com sua mente misteriosamente dominada, Holt aciona uma poderosa máquina que cria ondas causando grandes abalos sísmicos, mas consegue reverter o processo. Depois disso, o Sr. Incrível tenta descobrir o que está acontecendo e quem é o responsável. Antes que pudesse efetuar seu próximo passo, Michael é surpreendido pelo Tormenta Cerebral.

Edição #3: Decidido a acessar os cérebros de todo mundo, apenas a astúcia do Sr. Incrível pode parar o Tormenta Cerebral.

Edição #4: Atormentado com os últimos acontecimentos, Michael se retira para a Nona Dimensão onde fica seu santuário. Porém, ao chegar lá, é aprisionado pelos Kryl e levado a uma prisão intergaláctica povoada por uma multidão de seres alienígenas.

Edição #5: Michael liberta os prisioneiros e lutam pela liberdade. Percebendo que não conseguirão conter a rebelião, os Kryl decidem abandonar a nave-prisão e erradicá-la. Apenas uma prisioneira que se considera uma aberração tem o poder para salvá-los.

Edição #6: É Dia dos Namorados, e depois de escolher seu sucessor como dono das Indústrias Holt, Michael viaja até a Islândia para visitar uma de suas instalações, quando o trem em que viajava é atacado por um mercenário francês meta humano.

Edição #7: Houve uma invasão de segurança nas Indústrias Holt. Enquanto isso, o Sr. Incrível investiga um cargueiro abandonado que foi parar no Porto de L.A. com cargas explosivas!

Edição #8: As Indústrias Holt são atacadas por uma ameaça cibernética e conhecida. Mesmo depois de derrotar o invasor, antes que pudesse comemorar, o Sr. Incrível é cercado pelos Falcões Negros por causa da tecnologia das Esferas-I.

O Senhor Incrível durou apenas oito edições até ser cancelada, mas deixou um bom inicio de arco. Além disso, a trama na Nona Dimensão traçou paralelos interessantes entre a escravidão e o preconceito, pontos altos da revista. Leitura interessante.

Análise de Universo DC Apresenta #1-8, do encadernado DC Universe Presents: Featuring Deadman and Challengers of the Unknown, com roteiro de Paul Jenkins e Dan Didio e desenhos de Bernard Chang e Jerry Ordway, e tecerei breves comentários sobre as edições.


Desafiador #1-5.
Edição #1: Boston Brand foi um acrobata arrogante assassinado durante uma apresentação. Mas sua vida não havia chegado ao fim, pelo contrário, recrutado pela deusa Rama, Boston recebeu a oportunidade de redenção ao ajudar pessoas com vários tipos de problemas.


Edição #2: À medida que busca respostas para suas dúvidas, Boston passa a desconfiar das motivações de Rama e invade o sobrenatural Clube Moonstone, procurar o livro que conta toda a sua vida.

Edição #3: Desafiador consegue arrancar o livro de sua vida e algumas informações da Bibliotecária, que o levam até o Filho da Manhã.

Edição #4: O momento que Boston Brand tanto aguardou, a descoberta de sua existência e do destino que Rama lhe imputou. Um passeio pelo desconhecido em forma de questões filosóficas pode colocar o Desafiador na perspectiva correta... ou despertar a ira de Rama.

Edição #5: Boston Brand faz o inconcebível, desafia Rama em um assunto que sempre foi o âmago da questão, mas que nunca havia sido trazido à tona.
Excelente história que aborda temas existenciais de maneira instigante. Afinal, o que deveria nos mover – a busca pelas respostas, ou pelas perguntas? Leitura altamente recomendada.

Desafiadores do Desconhecido #6-7
Edição #6: Os Desafiadores do Desconhecido, um reality show que tenta renovar sua audiência vai ao Himalaia. Lá, seu avião é derrubado e, a partir daí, mistérios e perigos rondam a equipe.

Edição #7: Os Desafiadores retornam à Metrópolis, mas sem Clay e Ace desaparecidos. Eles juram ter conhecido uma cidade chamada Nanda Parbat, mas não conseguem provar. Porém, o amuleto Espiral pode ser a chave para seu sucesso. Próxima parada – Alemanha, para conseguir o segundo talismã.

Edição #8: A busca pelo terceiro talismã, na Bolívia, fez mais uma vítima nos Desafiadores. Porém, quando o quebra-cabeças estava para ser montado, uma entidade usando o corpo de Ace Morgan resolve intervir e reclamar os amuletos para si.

A versão dos Desafiadores do Desconhecido para os Novos 52, com um toque contemporâneo, sendo apresentado como um reality show de aventura e sobrevivência. Leitura satisfatória.

Análise de O Selvagem Gavião Negro #1-8, do encadernado The Savage Hawkman: Darkness Rising, com roteiro de Tony Daniel e desenhos de Phillip Tan e Cliff Richards, e tecerei breves comentários sobre as edições.


Edição #1: Carter Hall trabalha como criptologista em um laboratório de pesquisa liderado pelo Prof. Ziegler, que tem se especializado em achados arqueológicos alienígenas. Em um desses achados, uma terrível criatura, Morphicius é liberada.

Edição #2: Após um confronto violento, Morphicius foge. Mais tarde é levado ao misterioso Dr. Kane que tem planos malignos para a criatura e um vírus letal.

Edição #3: Carter descobre a verdade sobre a chegada e a existência de Morphicius, que na verdade, se trata de um organismo que propaga destruição.

Edição #4: O Gavião Negro precisa parar Morphicius antes que ele espalhe sua praga contaminando a Terra toda.

Edição #5: Um livro antigo e aparentemente sem valor, esconde os segredos do Orbe da Morte. O Gavião Negro precisa desvendar esse mistério antes que o Fantasma Fidalgo se apodere dele.

Edição #6: O metal Enésimo no corpo de Carter é capaz de rastrear o Orbe da Morte. Mas, antes que o Gavião Negro possa pegá-lo, Jim Craddock, o Fantasma Fidalgo se apodera do artefato.

Edição #7: Craddock pretende retornar ao mundo dos vivos utilizando o Orbe, mas se isso acontecer, todo ser vivo em um raio de muitos quilômetros serão automaticamente dizimados.

Edição #8: Askana, a assistente transmorfa do Dr. Kane pede ajuda ao Gavião Negro para salva-la de alguns caçadores alienígenas.

O escritor Tony Daniel desenvolve os dois primeiros arcos do Gavião Negro pelos Novos 52, deixando algumas questões a serem resolvidas, principalmente no que se refere à origem do guerreiro thanagarianno. Leitura satisfatória.

Análise de Liga da Justiça Internacional #1-6, do encadernado Justice League International: The Signal Masters, com roteiro de Dan Jurgens e desenhos de Aaron Lopresti, e tecerei breves comentários sobre as edições.


Edição #1: Gladiador Dourado, Gelo, Vixen, Fogo, Soviete Supremo, Augusto General de Ferro e Godiva, a Liga da Justiça Internacional formada por heróis de vários países e sancionados pela Nações Unidas para servir como uma força-tarefa supervisionada. Sua primeira missão, encontrar um grupo de expedição desaparecida no Peru... além de tentarem uma convivência razoável.

Edição #2: Ao chegar ao Peru, o grupo de separa com uma criatura gigantesca e é derrotada de modo humilhante. Guy Gardner resolve se juntar à Liga, que já contava com o auxílio do Batman. O problema é que, há mais dessas criaturas e, além disso, explodiram a Sala da Justiça.

Edição #3: Gladiador Dourado divide a LJI em quatro grupos para cobrir o Peru, a Rúsia, o Canadá e África do Sul, onde os quatro gigantes estão transmitindo uma espécie de sinal para fora do planeta. Guy segue esse sinal e se depara com uma gigantesca e ameaçadora nave.

Edição #4: Capturados, a LJI conhece Peraxxus, um coletor que deseja levar todo o minério do planeta. Agora, os quatro gigantes foram acionados e o processo de destruição da Terra começou.

Edição #5: Restam menos de três dias para Peraxxus esgotar por completo os recursos naturais da Terra. A LJI precisa agir sem demora e se dirigem ao espaço para tentar invadir a nave e deter o poderoso parasita.

Edição #6: Depois de expulsar Peraxxus, é hora da ONU decidir se o grupo irá ser oficializada ou extinta em definitivo.

Estreia da Liga da Justiça Internacional às mãos do veterano Dan Jurgens, que também escreveu esse título nos anos 90. Para quem esperava algo no tom da antiga Liga da Justiça “cômica” deve ter se decepcionado. Leitura razoável


Por Roger