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domingo, 3 de setembro de 2017

COLEÇÃO QUARTETO FANTÁSTICO - PARTE 2


INTRODUÇÃO DE DOUGLAS JOKER: Desde o ano passado eu sabia que tínhamos que homenagear o centenário do Jack Kirby de alguma forma. Que site de entretenimento focado em quadrinhos seríamos se não fizéssemos isso?! Não pensei no especial do Quarteto Fantástico de primeira, mas por fim foi a melhor ideia que veio à minha cabeça. Sendo a lista de criações do Kirby muito extensa, de dossiês sobre o cara a Internet tá cheia, então acabou parecendo melhor focarmos no Quarteto Fantástico, e com tudo já organizado nos rascunhos, até que estamos bem orgulhosos dos nossos esforços. A fase do John Byrne foi a que mais exigiu de mim. Primeiro porque ela é extensa, e segundo porque é difícil de achar! Rapaz, pra mim escrever especiais às veeeeeeeeeezes exige mais esforço, mas ao mesmo tempo são coisas que eu me adianto, então meses antes já vou vendo o que tenho que ler/reler pra poder escrever sobre determinado personagem/autor. Ou seja, nunca chega a ser uma coisa hercúlea, estou sempre escrevendo sobre coisas que conheço muito bem como Alice Cooper, Ozzy Osbourne, tem um post sobre o guitarrista do Accept que tem mais de mil visualizações e eu só cheguei em casa de noite e escrevi tudo, no outro dia de manhã revisei e postei. Deu certo, não é sempre que é necessariamente trabalhoso só porque o post é grande, se é um tema que eu conheço bem, e costuma ser, é até bem facinho, já faço isso há uns sete, oito anos, rs. Apesar de eu ter algumas ótimas histórias da época do Byrne na minha casa, não tem tudo, então não era adequado pro especial.


Fui na biblioteca da minha faculdade, vi o que eles tinham do Quarteto e de mensais do Homem-Aranha, e aparentemente não havia o que eu procurava. E o resto que tinha lá do Quarteto eu já tinha lido. Fui na gibiteca pública da cidade e por sorte consegui encontrar as antigas mensais do Homem-Aranha onde estava a maioria das histórias do Quarteto pelo Byrne, às vezes tendo que procurar em outros almanaques e na revista do Capitão América as outras histórias. Cara, foi a primeira vez que eu precisei sair da minha casa e procurar pra escrever um post, ao menos desde quando entrevistei um pedreiro excêntrico que por alguma razão tinha decorado na cabeça informações geográficas de países do mundo todo; mas aí tinha sido um trabalho que não tinham aprovado na faculdade e me sobrou o blog pra colocar, era diferente. Então o esforço foi singular, mas valeu a pena. As histórias são muito boas e pretendo transmitir essa sensação pra vocês. Passaram-se muitos anos desde quando eu era criança e essas histórias me deixavam admirado e... porra! Elas deixaram de novo! Eu entenderia se não deixassem, faz mais de uma década que eu lia, mas caramba, eu realmente pude identificar o sincero comprometimento do autor em passar algo a mais com esses trabalhos, não podia evitar depois de ler algumas edições de comentar com meus colegas do blog via Internet, ou mesmo com quem estivesse mais próximo de mim, mesmo que fosse minha mãe. Eu realmente me senti admirado, não tem outra palavra melhor. Hoje, mais do que há alguns poucos anos atrás pelo menos, temos tanto entretenimento de má qualidade, seja pelo ponto de vista técnico ou pelo subjetivo. Vemos coisas que bombardeiam maus valores com todo o orgulho do mundo e ainda são defendidas e propagadas no volume máximo. Me deu realmente admiração por tudo isso que compartilhamos ao notar que no início dos anos 80 uma série a princípio dirigida pro público juvenil se comprometia sinceramente em ser inteligente e sensível. Aaaaaaaah, essa velha sensação, eu a reconheço de dez anos atrás quando eu era um menininho e arranjava esses gibis com colecionadores que estavam se livrando deles por um real em bancas velhas.

Conclusão?
Como eu sou agradecido a essa sensação, é agradecimento o mínimo que tenho por Kirby e seus parceiros da época, Joe Simon e Stan Lee. Ninguém me apresentou especificamente o Quarteto Fantástico que eu lembre, acho que sempre gostei deles vendo onde estivessem, então além do próprio aniversariante homenageado, meus agradecimentos vão ao Ozy e o Roger que colaboraram com o post. Não é qualquer puxação de saco escrever que se não fosse por eles eu não teria conseguido fazer esse especial, eu não teria conseguido mesmo, haha!


"Ela (a mãe dele) me trouxe a terceira edição de Fantastic Four, a qual eu li. A revista fez algo comigo. Especialmente os desenhos. Era um tipo de textura e estilo que eu nunca havia visto antes. Com Kirby, havia um nível de atenção aos detalhes, textura e intensidade que parecia dar outra dimensão ao super-herói - à revista em quadrinhos - e daquilo que era feito na época. Parecia ser bem mais visceral, bem mais real. A Marvel era um pouco como os Moonies naquela época. Se ela o pegava em determinada idade, você se tornava seu escravo pro resto da vida."
-Alan Moore



POSTS DE ANÁLISE ANTERIORES


COLEÇÃO HELLBOY


COLEÇÃO QUARTETO FANTÁSTICO






Fase do John Byrne


No início dos Anos 80 John Byrne era um dos quadrinistas mais admirados do mercado mainstream! Tanto na Marvel quanto na DC o homem fez trabalhos de grande destaque. Na DC, a sua fase no Superman é considerada uma das principais do personagem, tendo redefinido toda sua mitologia. Com os X-Men de Chris Claremont ele desenhou muitas das aventuras mais famosas que os mutantes já passaram, como "Dias de um Futuro Esquecido" e "A Saga da Fênix Negra". Vamos agora comentar boa parte dos seus trabalhos mais amados, quando ele cuidou da primeira super-equipe da Marvel... Infelizmente faz tempo que essas histórias não são republicadas no Brasil. Aliás, a série toda mesmo nunca foi republicada, ficou pela metade em apenas quatro volumes de "Os Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico", então indicaremos os encadernados quando possível.

Volume 1 (232#-238)


"Quando receber esta carta, eu vou estar morto. Não chore por mim. Eu fui um canalha durante toda a minha vida e agora estou pagando pelo que fiz."

Tudo começa com uma aventura contra o Diablo na época que Frankye Raye está namorando com o jovem Johnny Storm. Byrne coloca os personagens em situações bem criativas e desenha muito bem, mas o primeiro verdadeiro destaque vem com a edição #235, "Quatro Contra Ego!", quando o grupo tem que lidar com a ameaça do planeta vivo! Essa é a primeira que o autor coloca os personagens em uma situação de grandes escalas, mostrando como é bom em convencer o leitor do tamanho destas escalas! As habilidades que ele tem nos textos e nos desenhos funcionam muito bem para o tom de space opera que sai inesquecível!


Na edição #236 são comemorados os vinte anos da revista, em um especial que tem o triplo de tamanho de uma publicação convencional. A homenagem é digna. A história começa mostrando todo o quarteto tendo vidas normais sem ser membros do Quarteto Fantástico ou ter super-habilidades. Mas todos estão tendo pesadelos perturbadores relacionados ao acidente no foguete espacial que iniciou tudo. Acontece que o Mestre dos Bonecos e sua filha Alicia também vivem lá, e a garota não tem cegueira. O que aconteceu? Vai sendo explicado aos poucos conforme velhos inimigos se revelam. Na última edição desse compilado Frankye faz uma revelação e o Coisa volta a ter a aparência da época que era desenhado pelo Jack Kirby após um acidente.



Volume 2 (#239-247)


"Peraí! Essa é a sua tia Petúnia?!"

Aqui todas as histórias são ainda mais divertidas que as anteriores! A criatividade de Byrne é incrível, ele leva o grupo de um lado pro outro, criando histórias que atiçam extremamente a imaginação do leitor e são autossuficientes, a grande maioria pode ser compreendida por si só, mesmo havendo, é claro, algumas mudanças na história dos personagens que vão se desenrolando na vida deles em geral. Aqui a Frankie Raye acompanha a família como uma iniciante. Há participações especiais de vários personagens da Marvel que são magistralmente escritos e desenhados, como Mercúrio, os Inumanos, Pantera Negra e até a famosa tia Petúnia!


Mesmo as histórias que começam e terminam em uma edição só se mostram criativas, dramáticas e divertidíssimas. Há um momento marcante na história dos Inumanos, e após uma aventura super-divertida junto ao Pantera Negra na África, o edifício Baxter é atacado pelo poderoso Terrax, ex-arauto de Galactus. Não demora e o devorador de mundos entra na história "Sobreviverá a Terra?", o que é simplesmente indescritível. Byrne faz uma de suas sequências mais marcantes na luta contra o gigante, a forma que ele narra e desenha passam toda a adrenalina que a história merece. Ele desenha o vilão lindamente (tudo ele desenha lindamente) e também explora bem as complexidades do personagem que é praticamente um deus em comparação com os humanos.

"Galactus, por favor! Eu lhe imploro! Há quatro bilhões de almas nesta Terra! Em nome da humanidade, você não pode fazer isso!"
"Não me fale de humanidade, Richards! Você menciona cores para alguém destituído de visão. Minha humanidade perdeu-se nas turbilhonantes névoas do tempo."


Há mais uma sequência de histórias com bastante adrenalina e inteligentes explorações do emocional dos personagens, até o Dr. Destino voltar a trazer problemas na edição #246, "Destinos Demais". São levantados pontos de vista muito interessantes sobre os lados positivos e negativos do considerado vilão ser o ditador da Latvéria. Byrne impressiona sempre fazendo histórias que não perdem o tom que é cativante para os jovens mesmo jamais os subestimando, passando histórias inteligentes. Isso em 1982, antes de Alan Moore e Frank Miller virem com seus Watchmens da vida.



Volume 3 (#248-255)

"Aprendemos a primeira lição da Zona Negativa. Nada... Nada pode ser assumido como parece ser..."

Após uma aventura junto aos Inumanos, o Quarteto Fantástico volta à Terra e é atacado pelo Gladiador, que é meio que um Superman da Marvel (ele é até apresentado como um "super-homem"). Todos os esforços do grupo se mostram inúteis para vencê-lo, até que chega na edição especial #250, onde na história "Fator X", os X-Men, o Homem-Aranha e o Capitão América se unem ao elenco! Depois os heróis viajam para a Zona Negativa, com grande entusiasmo do cientista Reed Richards, deixando o pequeno Franklin com a Alicia de babá. Lá eles passam por aventuras conhecendo povos de outras dimensões. Há aventuras divertidas, na média da maioria, continua cativante como com simples aventuras juvenis Byrne não deixa de explorar temas sobre ciência, política e até religião. Os desenhos do cara na Zona Negativa conseguem surpreender mais uma vez! Passa a impressão de um talento muito grande para ilustrações relacionadas à aventuras de ficção científica. No final o grupo volta à Terra para enfrentar a ameaça do Aniquilador.



Volume 4 (#256-260)

"Não sou Galactus, o devorador de mundos? Sim! Eu sou Galactus! Mas, há vinte bilhões de anos, eu não passava de um mortal como qualquer outro! E o homem que fui um dia não está morto! Ele renasceu, trazendo um sentimento capaz de matar Galactus... A compaixão!"

Há duas edições que mostraram a luta contra o Anquilador, que quer anular o universo usando o edifício Baxter como base. Uma mostra a jornada do Quarteto Fantástico, e outra é uma edição dos Vingadores, que mostra o grupo enfrentando os problemas que o monstro causou em Manhattan, o Roger Stern colabora com o roteiro. Há uma aventura solo que Byrne fez do Ben Grimm quando ainda estava na faculdade, muito antes de sua vida se tornar "fantástica". Quanto ao Quarteto, o inteligente do Byrne é manter os inimigos antigos como Dr. Destino, Skrulls e Galactus como personagens secundários, sendo que ele os mostra de forma muito boa em suas jornadas particulares enquanto não entram em conflito com o grupo de novo. Na história "Fragmentos" em particular, há um monólogo marcante de Galactus que está enfraquecido após a última batalha na Terra, Byrne continua trabalhando muito bem o personagem que sempre foi legal, o tornando mais e mais interessante.


Destino não demora pra voltar a atacar a família Richards, trazendo o derrotado Terrax de volta. O conflito final conta com a presença do Quarteto junto com Doutor Destino e o Surfista Prateado, em uma batalha que não poderia ser descrita com mais precisão do que épica! Ao final Susan revela ter engravidado de uma "aventura" na Zona Negativa, levando Reed a decidir que com um novo filho é mais seguro eles se mudarem do edifício Baxter, o que traz mais mudanças no status da equipe.
OBS.: Há uma participação especial da Tia May, hehe.


Depois dessa parte não dá mais pra dividir em encadernados, porque infelizmente a publicação no Brasil parou no quarto, um tanto longe de cobrir toda a fase do autor. Então você dificilmente encontrará as histórias que explicaremos agora, já que elas foram publicadas há algumas décadas atrás em várias HQs diferentes, com a maioria sendo nas mensais do Homem-Aranha. Logo depois dessa interrupção nas republicações, vem justamente uma das mais marcantes, o julgamento de Reed Richards! O bom cientista é raptado pra um ponto longínquo do espaço para ser julgado por diferenças raças alienígenas por sua escolha de ter salvo Galactus no passado.


"Oh, meu Deus! O que estão fazendo com ele?"
"Como assim, Susan Richards? Nós o estamos executando! Não foi ele que cometeu o maior crime contra a vida, salvando Galactus da morte?"

Com um membro a menos, o Quarteto Fantástico vai à lua se unir ao Vigia para presenciar o julgamento. Byrne sucede mais uma vez em usar muita criatividade para impressionar o leitor transmitindo uma impressão de proporções grandiosíssimas quanto a o que é narrado. Uatu, o alien que vigia a Terra, explica que pode interagir nesse acontecimento, pois ele afetará todas as raças do Universo, até a dele! Ele também chama o próprio John Byrne para assistir tudo e poder passar com fidelidade nos quadrinhos, tendo espaço até pra uma aparição da esposa dele! O tribunal espacial deve ser um dos mais notáveis já feito na história da ficção, são muitos personagens interessantes do elenco cósmico da Marvel que participam, nem vale a pena ficar falando todos para não estragar as surpresas! Sem sequências de ação, a história consegue marcar o leitor por haver debates argumentativos dos personagens quanto ao destino que Richards sofrerá.


Nessa época houve o evento das Guerras Secretas, onde o Coisa, o Senhor Fantástico, o Galactus, o Tocha Humana e o Doutor Destino foram convocados por Beyonder para guerrear. Quando os heróis voltam reencontram a Garota Invisível no parque onde todos os heróis estão sendo teleportados de volta e fazem uma revelação surpreendente: com a Mulher-Hulk vestindo um uniforme do grupo, eles dizem que o Coisa decidiu ficar por um tempo no planeta onde haviam acontecido as Guerras Secretas após o seu término e pediu para a prima do Hulk substituí-lo. Antes que dê tempo pra alguma aventura, Susan começa a passar mal após emitir uma grande quantidade de radiação e é imediatamente levada ao hospital pelo Tocha Humana, já que as complicações devem ter relação com a gravidez. O estado dela é grave e Reed reúne três grandes especialistas em radiação para cuidar disso, sendo eles alter-egos do Hulk, do Morbius e do Sasquatch, hehe.


É dito a Reed que talvez a última esperança seja optar por um especialista que supera os três: Otto Octavius, alter-ego do criminoso insano Dr. Octopus. Mesmo com sua esposa morrendo Reed pondera bem se é boa ideia tirá-lo da prisão pra isso, já que é um criminoso. Como todos os outros personagens (Hulk, Sasquatch e Morbius) já foram perseguidos pelas autoridades, eles vão conversando com Reed até convencê-lo a dar uma chance para Octavius mesmo com o caminho imoral que sua vida tomou. A ideia de Byrne é brilhante, trazendo um arco bem marcante pra gravidez da Susan, mesmo sem envolver qualquer monstro gigante. A luta que o Senhor Fantástico tem contra os tentáculos do Dr. Octopus usando os poderes de elasticidade é incrível! O Byrne parece estar desenhando o personagem de forma cada vez mais ideal!


Em "Verdade Nua" da edição #275 há uma das histórias mais improváveis! A nova integrante do grupo, Mulher-Hulk, é fotografada por um helicóptero enquanto se bronzeia com os peitos de fora na cobertura do edifício Baxter (será que ela quer ficar verde escuro?). A grandona então sai atrás dos (ir)responsáveis para não acabar se tornando uma dessas celebridades que todos já viram do jeito que veio ao mundo. Acompanhada do seu namorado Wyatt, Jennifer precisa utilizar suas habilidades de heroína, detetive e advogada para ir atrás da revista Verdade Nua que quer conseguir uma fortuna vendendo fotos dela com os peitos de fora sem consentimento. Uma das pérolas de Byrne, que também já colocou o Superman participando de um filme pornô...


Vivendo disfarçados no subúrbio, a família chama a atenção de uma vizinha bisbilhoteira que acaba descobrindo a verdadeira natureza deles, e isso leva ao que foi compilado no Super Almanaque Marvel (lá naquela época, também não é fácil de achar).

Superalmanaque MARVEL (A Noite das Bruxas & O Coração do Mal)


"Demônios... Bruxos... Ou o que quer que sejam... Chegou sua hora do castigo!"

Aqui haviam vários eventos maiores se desenrolando em múltiplas revistas. No caso os espectros, inimigos de Rom, estavam atacando a Terra bem na noite que o Coisa havia voltado. Uma exorcista é chamada para destruir a família Grimm pela vizinha fofoqueira e religiosa que acredita se tratarem de praticantes de magia negra. Acontece que devia ser a pior exorcista do mundo, já que tentando destruí-los ela acaba invocando o próprio Mefisto!


Depois de uma Roma recriada e incríveis visuais de fantasia científica, o desenhista mostra também saber fazer um Inferno verdadeiramente perturbador ilustrando o reino de Mefisto. O inimigo se mostra poderosíssimo e um enorme desafio, causando uma história difícil de ser esquecida. O grupo acaba tendo que contar com a ajuda do Dr. Estranho, que é muito bem representado. A narrativa tem dois paralelos constantes: Reed, Sue e Franklin sendo torturados pelo demônio no inferno, enquanto Johnny, Alicia e o Coisa são mostrados na Terra durante a invasão dos espectros. É uma abordagem interessante. No final Coisa revela que não está necessariamente voltando pro Quarteto Fantástico só porque voltou pra Terra e a Mulher-Hulk vai manter seu posto.


De forma muito inteligente Byrne conta a origem do Doutor Destino sem sair da sequência cronológica que estava se desenvolvendo. Ele consegue tornar o vilão incansável mesmo o utilizando tantas vezes. Na verdade, Byrne consegue deixar o Doutor Destino mais interessante cada vez que o reapresenta, ao invés de desgastá-lo. Como nas Guerras Secretas o destino de Doom não havia ficado claro após perder o poder infinito de Beyonder, Reed e seu time ainda não entendem como ele retornou quando trouxe Terrax para enfrentá-los. Quanto ao que veio depois, podemos dar uma atenção especial já que foi compilado em um encadernado da coleção "Os Heróis Mais Poderosos da Marvel" da Salvat.


O Despertar da Mulher-Invisível (#280-284)


"Sue já provou que é capaz de cuidar de si mesma. Como a Garota Invisível, ela deve ser o membro mais poderoso da nossa equipe."

Na rua o Quarteto Fantástico presencia uma onda de ódio tomando o povo de Nova York. Em pouco tempo uma estranha mulher mascarada chamada Malice começa a atacar a Mulher-Hulk com enorme força, esclarecendo que pretende destruir o Quarteto Fantástico e assolar o mundo em puro ódio. Ela estava trabalhando a mando do Monge do Ódio, outro vilão. Este primeiro arco mostra bem a escala de força que tem os poderes da Garota Invisível. Depois dos heróis descobrirem o que está acontecendo, viajam ao Microcosmo para caçar o Homem-Psíquico, descobrindo que ele deixou a dimensão em um estado de escravidão. O Homem-Psíquico é um personagem bem cansativo de acompanhar, o mais interessante são as superações que os personagens (não só a Garota Invisível, mas a Mulher-Hulk também) precisam passar para não serem tomados por medo e ódio. Após experiências bem extremas e traumáticas, a principal mulher do grupo, Garota Invisível, resolve passar por mudanças de amadurecimento. Byrne explica que lhe parecia estranho ao ponto de já estar casada e ter um filho a personagem ainda se apresentar de forma juvenil. Ele vai fundo nas inseguranças e transformações da Susan Storm, não é por nada que essa série foi escolhida para o encadernado dedicado à personagem na coleção da Salvat.


"Uma sociedade pode ter muitos deuses... Mas só há espaço para um salvador!"

Chegando ao final Byrne explica todas as bagunças relacionadas ao Doutor Destino e o traz de volta ao seu status tradicional. Também trazem o Coisa de volta logo depois da passagem do Byrne terminar. Em uma última aventura chamada "Ídolos" há um ar bem grandioso com o quarteto entrando em uma grande redoma escura que aumenta gradualmente e os leva pra um cenário vazio e futurista. Em uma grande praça há uma enorme estátua representando os quatro membros do quarteto. Mudando a equipe criativa com a saída de Byrne, o desenvolvimento do arco deixa a desejar, mesmo ainda havendo um pouco do estilo que o cara tinha, com críticas ao fanatismo e dramas de personagens secundários.


A Última História de Galactus

"Sua verdadeira forma é impensada e impensável. Ele é uma força viva da natureza."

A proposta nesta história também escrita e desenhada por Byrne era realmente mostrar a última história do Galactus, um dos personagens mais singulares da editora. A história já começa cem milhões de anos depois da época em que se passavam as aventuras do Quarteto Fantástico, ou seja, um tempo realmente muito distante para um ser que é imortal. Porém, a flamejante Nova continua sendo sua servente pelo espaço. Há coisas mudando no universo, mas no início Galactus aparece brevemente, e quem acompanhamos é Nova visitando seu planeta-natal, a Terra, após cem milhões de anos. Os dois personagens não entendem porque uma perda de energia estranha está ocorrendo em planetas de metade da galáxia. Aquele tom de grandiosidade é utilizado o tempo todo, caracterizando uma história do devorador de mundos. O problema é que não houve um fim, pois antes da publicação terminar Byrne se desentendeu com a Marvel e partiu para a DC, onde ele continuaria fazendo história, só que com outros personagens...


Porém, foi revelado o que aconteceria após o cliffhanger para o desfecho. Galactus confronta o Vigia que testemunhou a sua criação, como mostrado na origem escrita por Stan Lee, pois o ser havia enlouquecido perseguido pelo peso na consciência de não ter feito nada quando Galactus ganhava suas habilidades supremas. Mantendo as escalas exageradas, o combate duraria milênios, enquanto todo o universo vai morrendo. Por fim Galactus vence, mas ele e Nova se encontram em um vazio absoluto. Compreendendo qual era a finalidade de toda sua jornada, Galactus quebra o lacre de sua armadura liberando toda a energia que havia consumido, podendo causar ele próprio o Big Bang do universo que surgia, com Nova sendo a nova consumidora de energia, a "Galactus" daquele recém-nascido universo.


A fase do John Byrne pelos personagens foi para sempre considerada uma das melhores, senão a melhor. Toda essa série de aventuras se tornou referência nos históricos de todos os envolvidos.


Créditos...

Douglas Joker: Tudo

Esperamos que tenha gostado, a fase do Byrne é a mais consagrada. Mas lembre-se que serão quatro partes homenageando o centenário do Jack Kirby! Essa ainda foi apenas a parte...

2...

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