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domingo, 19 de novembro de 2017

LIGA DA JUSTIÇA – Resenha


Como alguém que gostou (não incondicionalmente) de “O Homem de Aço” e de “BvS” (versão estendida) posso ser alguém “do contra” a ser ouvido, apesar de que ao termino desse longa, finalmente admiti que foi justa a adição de boa parte do que os descontentes imploravam, em especial no Super-Homem. Apesar dos retalhos, mudanças de diretores, temáticas e planos, temos a algum custo uma jornada de aprendizagem de Kal-El em se aceitar como é. Ele sorriu, “ouviu” as pessoas em perigo e pôs elas em detrimento da batalha, ao tempo que se mostrou como um poder brilhante o bastante para não ser ofuscado na “sombra do morcego” como antes... Não por acaso, sua ressurreição (ou batismo como um novo ser, dependerá do seu ponto de vista) deixa a foto de seu “pessimista” pai adotivo submergir, uma analogia nada menos que brilhante para exemplificar toda a mudança de tom no universo DC nos cinemas. Se havia uma linha “realista e sombria” desde ótimo Batman Begins (2005), o filme é um retorno ao seu “universo de 1978 há 1989”, com direito a Danny Elfman e John Williams (de leve esse eu mesmo não percebi), trocando em miúdos: “uma história em que sabemos quem é o mocinho e quem é vilão.” Ou mesmo o básico que não fará as torcidas de futebol se digladiarem na internet acerca dos significados. Quer dizer--

Cara, cadê meu bigode?!


A autorreciclagem é evidente, e casa com a “falta de ousadia”. Uma postura mais que cabível a “dona Warner” como empresa, visto que as tentativas de fugir mais do “convencional” não agradaram a maioria, na praticidade, mas vale 1 bilhão de biteria do que colecionadores e fãs do desenho chorando de emoção no cinema “pelo filme mais épico do ano”. Para mim, o mais incômodo a principio foi a trilha “impulsiva” e “com o peso errado” de Danny Elfman (o criador de temas “definitivos”, segundo o próprio). Longe de mim insultar ele  como compositor, mas em uma trilha com menos de dez sons, pesa certas repetições dele, e nem me refiro ao “reaproveitamento” do seu trabalho décadas atrás à Tim Burton, mas a cena do banco ter acordes quase idênticos ao que ele compôs para Homem-Aranha 2 (em uma também sequencia de banco...!) ou mesmo para o seu Flash em “câmera lenta” onde é reaproveitado material feito para o Hulk de 2003. O crucificado Zack Snyder tem seu estilo mais que alterado “pelo bem da nação”, a “costura” do Joss Wheldon (ainda mais pela “estratégia” similar que fizeram no Esquadrão Suicida) realmente me despertava temor, mas foi eficaz e trouxe agilidade ao filme, apesar dos cortes abruptos, em especial no primeiro ato. Pode irritar alguns fãs da DC, mas há muito de Vingadores (do cinema, claro) ali, tanto que ao sair do cinema, eu disse há um amigo do lado “que apesar de cedo, eu havia gostado desse remake do Avengers 1”. A montagem é muito parecida (embora que pareça uma descrepância de investimento orçamentário), sem mencionar certas “coincidências”. Para quem seja um pouco mais observador, vai notar o ângulo quase idêntico da chegada do ladrão ao banco (câmera de baixo pra cima, tal qual o deus da trapaça na película da Marvel), a entrada do Lobo da Esterpe bem “Loki na SHIELD”, ou mesmo a perseguição dele às amazonas, e a tentativa de “prender ele sobre os escombros”, indo mais a frente a “cabeçadas” quase iguais ao primeiro encontro do Homem de Ferro e Thor, e “olhares pela janela das famílias vendo o perigo” que também não preciso dizer de onde vem. Até cena de “dizer a verdade na cara” influenciado por artefatos místicos tá ai.



Em contrapartida, no “remendo”, Whedon conseguiu “colar” tudo o que a maioria dos fãs pedia do Super-Homem nos cinemas, e isso foi o maior contrapeso a favor do filme. É evidente que haveria bem menos Kal-El no corte original, os próprios trailers (com muitas cenas que não chegaram ao cinema, pra variar) evidenciavam isso. O kriptoniano provavelmente ficaria de stand by, vindo só a aparecer realmente forte no final (esse brincar, todo preto e com barba), o que se mostraria um erro, e provavelmente faria as pessoas dizerem “nada mudou desde BvS”. O “take” inicial é um tipo de “retoque” que faz TODA A diferença, ao estilo de “eu acredito na América” no “O Poderoso Chefão”, ou a mão tocando a cevada em “Gladiador”, “takes” também gravados ao termino das filmagens, entretanto enlaça o tom do filme de forma bem simbólica com o que ele representa (Ou o que os preguiçosos chamam de “roteiro redondinho”). Seguindo essa “nova linha”, há “menos Batman”. Nada menos que justificável, visto a “roubada de protagonismo” no filme anterior. Aqui, Wayne tem uma evolução crível de comportamento, buscando consertar seu julgamento guiado pela fúria e rancor de antes. “Ele era mais humano do que eu” é a frase que assinala seu maior aprendizado. O que nunca foi uma “descaracterização”, já que o morcego nos gibis, mesmo nem sempre demonstrando, sempre teve bastante respeito e orgulho pela forma que Kal-El irradia as pessoas esperança, e a julgar pelo seu caráter controlador “frio e calculista”, trazer o cara de volta a vida após quase o ter assassinado com uma lança se torna crível. Além, obviamente, de ainda haver a liderança nele, principalmente ao desafiar Diana para “fazer o necessário”. Mas cadê o “preparo”?

"Espera só eu mostrar os meus brinquedos".


A Mulher-Maravilha assume outro posto importante de liderança, beneficiada por ser o mais próximo de unâmine entre o publico.  Apesar da “meiguice” da sua interprete, não falha sendo os “músculos” na maior parte dos confrontos com o Lobo da Esterpe. Evidentemente tendo mais peso no “clube do bolinha” que costumam ser os times de herói, algo que fez falta na concorrente com a Viúva Negra e seus “adestramentos do Hulk”. (Se bem, que aqui esse papel é da Lois Laine...)


Aquaman parecia ser mais barra pesada nos trailers, não chegou a ser motivo de piada aliás, nunca entendi isso, mas deixou a desejar em dados momentos de luta, muitas vezes levando uma pancada e voando pra longe. Sem falar do questionável primeiro round que ele perdeu dentro da água. Embora, conceitualmente, tenha ficado bem interessante, e cumprido o objetivo de atrair atenção para mais dele em um filme solo. Ficou devendo uma participação maior na “finalização” com “invasor valentão”.

Nos vemos na versão estendida, se é que ela vem.


Ciborgue e o Flash sofreram muitas “fusões” para funcionar melhor dentro da proposta. O primeiro aderindo muito dos N52 com quase uma placa “lugar do parceiro do Flash, nosso querido Lanterna não pôde vir”, enquanto o segundo, de “Injustice” mesclado com o Shazam da animação da Liga. Particularmente, nunca me empolguei pelos dois, mas acabei (assim como a maioria) comprando os dois ali. O Flash consegue ser executado de forma estendido ao modo inteligente que fizeram com o Mercúrio nos filmes dos X-Men. Só que diferente dos mutantes, que tirou o velocista de cena para ele não resolver tudo, aqui colocaram um Barry Allen em bruta construção. O mesmo para o Ciborgue, embora bem “Grande irmão” como o Johns inseriu na Liga, hackeando a “batcaverna” como quem lê um blog na internet. Apesar das críticas ao CGI, a versão finalizada melhorou muito, ao que tava nos trailers.

RENDERIZA!

Pena que não usaram ESSE VISUAL.



Por fim o vilão.  Ponto comum de fraqueza do filme. Mas até ai, não é lugar comum na maioria das adaptações? “Logan” teve um antagonista fotocópia bem pior, e ainda assim é para muitos o melhor do ano. “O Cavaleiro das Trevas”, teve o Coringa como o melhor vilão da década passada, entretanto ainda é criticado por ter pego o filme pra si, fazendo o Batman de “coadjuvante”. O vilão é só uma promessa na maioria desses filmes, e não um elemento que compensa. Não digo isso como uma forma de defender o “feijão com arroz” feito aqui, mas como uma forma de dizer “ok, agora olhe ao redor, antes de reclamar que um vilão feito em computação é a tragédia máxima”. Lobo da Esterpe dá o seu recado, e consegue ser uma ameaça no tempo certo. Não uma grave e devastadora como foi Zod, e nem mesmo um fim grave como o mesmo, terminando no que chamo de “fim de vilão do Rei Leão”, mas não é esse tipo de descompromisso adorado? Ao menos parece ser um lugar comum que cumpre o papel.  No fim nada chega ao fim, Adrian como o novo épico que vai mudar as engrenagens, como fez Vingadores em 2012 (irrita mencionar, não é?) “Liga da Justiça” falha. Porém, como um passo calmo, para entrar em harmonia com o público após “desacertos” é o longa ideal, para manter todos na “expectativa” e “hype”, que no fim, é o conta nessas adaptações, mas do que ela virá a mostrar quando chega o dia. É só notar o quanto dizíamos em 2015 que "2016 seria o melhor ano de adaptações de todos os tempos", "2017 o melhor ano pra ser nerd", e 2018--




Nota: 6.9

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