quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

FINALMENTE li Robocop versus Exterminador do Futuro!!!


"Como derrotar um inimigo... Que pode voltar no tempo... Um inimigo capaz de desfazer tudo o que você fizer... muitas... e muitas vezes?"

Por anos eu só sabia que existia um crossover do Exterminador do Futuro contra o Robocop, escrito pelo FRANK MILLER (!!!), mas por alguma razão eu nunca tinha achado pra ler. Considerava isso beeeeeeeeeeeeeeem estranho, afinal é um trabalho do Frank Miller. Eis que encontrei a história em quatro partes numa biblioteca, então vou aproveitar pra escrever uma análise pra vocês!


Eu nunca fui fã do Robocop, mas Exterminador do Futuro (1 e 2) tá entre os meus filmes preferidos. Apenas imagino se não tivessem chutado o James Cameron e feito novos filmes sem a Sarah Connors, como poderia ter sido uma trilogia épica (agora tô vendo essa tragédia de novo com o Hellboy...). O que empolga mais ainda é como o veterano Miller na verdade é mais familiar com ambas as franquias cinematográficas do que imaginaríamos! A sequência do Exterminador do Futuro se assimila bastante no estilo distópico de "Batman: O Cavaleiro das Trevas" no sentido estético, que fez tanto sucesso que pegaram o próprio Frank pra escrever o roteiro da sequência do Robocop, mas ele próprio diz que mudaram muito o que ele tinha escrito originalmente e o filme teve nada a ver com a ideia dele.


Apesar de não ser o nome mais chamativo dos créditos, quem desenha aqui é o grande Walt Simonson, que entre vários trabalhos fez uma das fases mais amadas do Poderoso Thor (inclusive fez uma cameo no primeiro filme, mesmo ninguém sabendo quem é ele...). O crossover não chega a ser seu trabalho mais impactante, mas ainda assim ele faz um belo serviço. Vamos falar da história...

A revista passa bastante firmeza e confiança quanto a proposta, já que logo no início aparece escrito "A sequência não filmada de Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final". Tudo começa naquele futuro apocalíptico dos filmes do James Cameron onde o mundo está dominado pelas máquinas. Mas tirando os robôs, não há personagens familiares da franquia cinematográfica, apenas uma breve menção ao John Connor. Uma nova personagem, Florence Langer, é o foco de atenção na luta dos humanos contra as máquinas. É uma personagem de ação durona com estilo meio masculinizado como algumas outras que o Frank Miller já fez. Como costuma acontecer nos filmes... ela volta no tempo para impedir que o mundo seja dominado pelos exterminadores da Skynet!


O roteiro realmente mescla as duas mitologias, já que nessa história o problema é que a tecnologia do Robocop é que teria levado ao domínio das máquinas sobre a humanidade. A princípio se trata da Florence vs o Robocop, mas não demora pra chegar o combate que chama muito mais atenção, o do Robocop contra os próprios exterminadores. A trama tem sua própria identidade a parte dos filmes, não dá pra negar, eles introduzem vários elementos que são ideia deles, como cachorros exterminadores e as alterações causadas pelas viagens no tempo serem constantemente um fator que altera o andar das coisas, diferente dos filmes, onde isso nunca fica muito claro. Aqui isso é até mais recorrente do que no "De Volta Para o Futuro", eu diria que é mais próximo de "Efeito Borboleta". A ação se desenvolve praticamente junta ao enredo, que tem mais pontos de viradas do que o comum.


As várias liberdades que a equipe criativa toma em "Robocop versus Exterminador do Futuro" o fazem ter uma identidade própria, do início até a página final. Eles realmente são criativos, chegam a ser coisas que eu nem digo aqui pra não passar spoiler. Mas não posso deixar de dizer que apesar de todo o ar grandioso e os colaboradores fodões nos créditos, em nenhum momento a revista se aproxima de ser tão alucinante como os filmes ou alguns dos melhores trabalhos do Miller e do Simonson. Mas se é pra comparar com a maior parte dos crossovers que já li, que me decepcionam pra caramba, esse deve ser um dos melhores, sem brincadeira. O bom é que ele não passa uma impressão 100% comercial, dando pra identificar várias ideias boas que são trabalhadas. Para os fãs das franquias e dos artistas, com certeza vale a pena conferir, pena que é difícil de encontrar.


A edição que eu li tava 1999 como época de lançamento. Interessante, uma das últimas histórias boas que o Frank Miller lançou antes de pirar completamente com "Cavaleiro das Trevas 2" não é muito popular, se colocar em comparação com 300 e Sin City... Mas é interessante que ele teve essa chance de se redimir pela má fama do Robocop 2, ao mesmo tempo sendo um crossover divertido com outra grande franquia.

Curti o raiozinho atrás pra fechar, hehe

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