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domingo, 4 de fevereiro de 2018

70 ANOS DE ALICE COOPER!!!!


"Os 'freaks' originais o seguiam pra todos os lados. Antes de haver Ozzy, Alice Cooper já estava fazendo essas porras teatrais há muito tempo, há anos. Em 72 Alice já estava cortando, enforcando e espetando pessoas. Quando excursionamos com Alice eu não podia acreditar, eu nunca tinha visto uma coisa daquelas na minha vida. Eu não posso receber qualquer crédito por isso, ninguém pode, deve ser Alice Cooper, porque foi ele que começou tudo!" Ozzy Osbourne

"Alice Cooper foi o primeiro de todos a casar o rock 'n' roll com a teatralidade dramática e o horror. Por 40 anos ele fez discos fantásticos e performances ao vivo igualmente fantásticas. E ainda nos dias de hoje ele é o melhor de sua linhagem. Muito imitado, mas nunca duplicado." Slash

"Nós todos do Twisted Sister somos filhos do Alice Cooper. Esse filho da puta ejaculou e saímos nós cinco de dentro dele!" Dee Snider

Se eles já tão falando, o que eu preciso falar??? Alice Cooper vive, amigos!!! Ele faz hoje SETENTA anos! O cara guarda na sua carreira joias preciosas, é um nome vital para a própria história do rock and roll! É inegável que já há muitos anos, até décadas, eu diria, a popularidade do cantor não é a mesma que já foi em outrora, mas também não são todos que têm esse luxo. Ainda assim, Alice é influência de uma centena de artistas, que inclusive vão muito além do rock e do metal. Dizem que antigamente todos gostavam de Alice Cooper, não havia uma tribo específica, até pagodeiros curtiam o Alice. A Madonna curtia o Alice. O Iggy Pop curtia o Alice. Ele começou um movimento e envelheceu com muita dignidade, nunca abrindo mão de ousadia, inteligência e criatividade. Além disso, é um dos raros artistas que podem falar de boca cheia que, experimentando outros estilos, continuou entregando materiais de altíssima qualidade. Dos mais de vinte álbuns de Alice, não são poucos os que merecem ser ouvidos de ponta a ponta. Marca de artistas que além de competentes, não deixam as prioridades comerciais atropelarem as artísticas.


Alice começou a mexer com música no final dos anos 60 com seus colegas do colégio. Fã de The Who, Beatles, Salvador Dali e filmes de terror, a coisa foi andando macabramente até se tornar o invicto rei do Halloween e do shock rock. Não existe competição, todos que são parecidos pagam tributo a Alice. Suas vitórias são diversas! Conseguiu aumentar sua popularidade em carreira solo, o que poucos fazem, é um dos poucos contemporâneos de Janis Joplin, Jim Morrison e Jimi Hendrix que sobreviveu (teve altos problemas com álcool e cocaína, mas se regenerou). Se converteu como cristão mas continuou tendo respeito como casca grossa no meio dos roqueiros, na verdade cada vez mais. Ao envelhecer se adaptou, abraçou a imagem de vovô do rock e continuou conquistando novas gerações de fãs. 


Mas essa é a carreira artística de Alice Cooper. Quem faz 70 anos é o ser humano. Alice bate recorde estando casado com Sheryl Cooper há mais de 40 anos. Se gaba de ser provavelmente o único roqueiro que nunca traiu a mulher. Não é tão improvável, levando em consideração que por muitos anos ele excursionou junto com a esposa e a filha.


Eles tiveram três filhos, Dashiell, que também tem uma banda, Sonora e Calico, que é a que participou dos shows por muitos anos, interpretando a enfermeira Rozetta, a Brittney Spears, Paris Hilton entre outras personagens. Pega por exemplo esse fenômeno de acusações de assédio sexual recentes, é realmente bem decepcionante quando você descobre que um artista que admira é uma pessoa desonesta, violenta ou tarada. Claro que você pode e deve separar os trabalhos da pessoa das coisas que ela faz, mas com a titia Alice isso nem é preciso! Ele sempre deixa os fãs orgulhosos se mostrando uma ótima pessoa! Portanto, deixo abaixo três vídeos se você quiser conhecer a pessoa que é o Alice Cooper, e logo depois relembraremos alguns álbuns do cara. Um pra cada década!!!


Vamos lá!




I.Welcome to my Nightmare

"I know your scars, I know your dreams! I can tell your laughter from your scream!"

Ele já iniciou a carreira solo com um de seus maiores clássicos! O álbum é uma das maiores referências de trabalho conceitual, tendo a ideia de narrar o personagem de Alice preso dentro de seus próprios pesadelos. Na época houve muita produção, haviam clipes de todas as músicas, como se fosse um filme, na introdução da música "Black Widow" há o icônico Vincent Price anunciando a ascensão da viúva negra. As músicas experimentam muito com jazz, piano, algumas músicas extremamente suaves, como a "Only Women Bleed", que é meio que um respiro no terror, falando sobre mulheres vítimas de violência doméstica. É um excelente exemplo de como adentrar os trabalhos de Alice é como mergulhar em vários mundos, várias situações diferentes, pois a diversidade é incrível. A forma eficiente que ele transita entre o cômico, o assustador, o fantasioso e o sensível fazem você sentir que passou por várias experiências diferentes.

Faixas essenciais: Welcome to my Nightmare, Steven, Only Women Bleed e Some Folks.




II.Raise Your Fist and Yell

"You want to rule us with an iron hand! You change the lyrics and become Big Brother! This ain't Russia! You ain't my dad or mother! They never knew anyway..."

Depois do "Constrictor", com uma nova formação esse foi um dos álbuns que estabeleceu o Alice como um cara que tinha discos muito pesados. A principal faixa, "Freedom", é uma resposta às perseguições que as bandas de rock dos EUA estavam sofrendo na época por políticas conservadoras. O Twisted Sister conseguiu uma de suas músicas mais famosas com a "We Not Gonna Take It", mas a resposta de Alice também foi muito boa, o clipe já começa com o revoltado dizendo "Nós somos o povo dos Estados Unidos, em ordem de formar uma união mais perfeita!". Outra que tem o mesmo tom é "Lock Me Up", onde na introdução há o ator que fazia o Freddie Krueger, que faz muito bem seu trabalho como um juiz que está tentando condenar o cantor, que se declara culpado por conta própria. O som do álbum é perfeito pra seguir a sugestão do título, "levante seu punho e grite". Há muitas faixas boas, e as letras contra a estupidez de quem culpava as músicas como influenciadoras de marginalidade não parecem ultrapassadas, ainda parecem dizer boas verdades.

Faixas essenciais: Freedom, Lock Me Up, Not That Kind of Love e Roses On White Lace


Dee Snider defendendo sua banda e o rock no tribunal. O cantor cita Alice Cooper como ídolo até hoje.


III.Trash

"I know these streets like the scars on my back, and I stay as loaded as this gun I have!"

Você sabe quem foi Desmond Child? Ele era um compositor de músicas que vendeu alguns dos maiores sucessos de rock dos anos 80. I Hate Myself For Loving You, da Joan Jett? Heaven's on Fire do Kiss? Living On a Prayer do Bon Jovi? Angel do Aerosmith? Tudo colaborações com o mestre Desmond Child. Não tinha como não ser imperdível um álbum inteiro de colaboração do cara com o Alice Cooper!!! Todas as músicas são ótimas, divertidíssimas, todo mundo se apaixona por esse álbum. É um exemplar de músicas pop rock que são românticas, mas têm metáforas inesperadas, como Bed of Nails (cama de agulhas), I'm Your Gun (eu sou sua arma) e a mais famosa, Poison (veneno). Além disso as baladas são muito boas, destaque para Only My Heart Talking, que é um dueto com o vocalista do Aerosmith, Steven Tyler. Na música House of Fire, quem toca a guitarra é o Joe Perry, também do Aerosmith (mas no clipe não é ele que aparece).

Faixas essenciais: Poison, Bed of Nails, Spark in the Dark, Why Trust You, I'm Your Gun e Hell is Living Without You.




IV.Hey Stoopid

"Lonely guitar man playing down the hall... Midnight blues come through the walls..."

Mais um exemplo da competência do Alice Cooper no hard rock, por acaso é o meu preferido. As colaborações com o Desmond Child continuam, trazendo muita coisa boa (mas não é o álbum todo, imagino que talvez sejam coisas que tenham sobrado do Trash, já que este veio logo depois). Sempre acreditei que esse álbum só não ficou mais famoso porque saiu na mesma época que o "Nevermind", do Nirvana. Algumas músicas desse álbum são experiências únicas, aquilo de que o Alice sempre soube variar muito bem, mesmo sendo um mestre do rock and roll. Por outro lado, a faixa título foi uma das que mais marcou a carreira do cantor. Na época o cenário musical parecia estar ficando depressivo (vide o Nirvana), então Alice a fez falando para adolescentes repensarem suas vidas e não se deixarem levar por tristeza, drogas e até suicídio. A música contou com a colaboração do Slash, e até do Ozzy Osbourne, que chega a aparecer no clipe. O fato da música se chamar "ei, otário!" mantém a identidade constante do cara, independente da área que migra.

"Nós escrevemos uma música chamada 'Hey Stoopid', e era sobre suicídio de adolescentes. Como 'ei, otário! O que você pensa que está fazendo? Você ainda tem toda a vida pela frente!'. Essa música em particular, eu recebi tantos e-mails 'essa música salvou minha vida. Eu ia me matar até que eu ouvi essa música.'"

Foi nessa época que ele apareceu na comédia "Quanto Mais Idiota Melhor", onde faz uma aparição bem divertida e canta "Feed my Frankenstein", que tem uma participação especial daquela mulher que interpretava Elvira, do filme da rainha das trevas. Um álbum excelente e subestimado, eu dou nota 10.

Faixas essenciais: Hey Stoopid, Feed my Frankenstein, Might as Well be on Mars, Love is a Loaded Gun, Dangerous Tonight, Little by Little, Dirty Dreams e It Rained All Night.




V.The Last Temptation

"I can't go to school, cause I ain't got a gun."

Esse é o álbum mais alternativo, e também representa um ponto de virada. É comum vermos artistas que ao desgastarem uma fórmula que fazia sucesso, se entregam a outra que faria sucesso, mas seus trabalhos perdem a personalidade, o que dificulta manter os fãs que haviam se identificado anteriormente. O Alice mantém a personalidade. Após ter se viciado em cocaína (o que só foi revelado ano passado, o público até então nunca soube que ele tinha usado drogas mais pesadas que álcool) ele se entregou ao cristianismo, e realmente leva sua religião a sério, as crenças fazem parte da vida dele, já que meio que foi uma das coisas que o salvou. Em "The Last Temptation" ele começa a abrir portas pra essas influências cristãs, e o álbum tem vários temas mais místicos, além de letras bem pessoais sobre perdição e superação. As faixas são bem diferentes, mas mantém...? Criatividade.

Alice realmente quis se dedicar pra que a nova ideia de conceito ficasse boa, tanto é que chamou pra ajudá-lo alguém de fora do meio da música! Neil Gaiman! O famoso escritor dos quadrinhos de Sandman! O tom de história deu certo, com tantas faixas boas, parece que tudo saiu como planejado. O próprio Alice já foi protagonista ou tema de três séries em quadrinhos diferentes, uma delas feita pelo Gaiman com o desenhista Michael Zulli.


Faixas essenciais: Nothing's Free.



VI.Brutal Planet

"If you talk in the movies, I kill you right there."

Houve alguns anos de pausa antes do chefão voltar com "Brutal Planet"!!!! Na época já havia se solidificado bem o metal industrial (Rage Against the Machine, Rammstein), e Alice entra na área da única forma que sabe fazer: descendo o pé na porta. No sentido conceitual talvez seja o mais interessante, compete bem com o "Welcome to my Nightmare" (eu prefiro o Brutal Planet). A ideia é narrar sobre um mundo distópico; violento e caótico. Mais uma vez, é fascinante pela quantidade de sensações diferentes, tanto quanto aos temas das músicas, que vão de tiroteio em escolas e violência contra a mulher até fome e genocídio, quanto no próprio ritmo das músicas. Mais uma vez é como se ele te pegasse pela mão e fosse te levando pra um monte de lugares. Esse álbum tem algumas músicas tão boas que tão entre as minhas preferidas, eu já conheço há muitos anos e sempre volto a ouvir de tempos em tempos. Não é muito popular, mas sempre considerarei uma referência em vários aspectos. Se gostar, eles fizeram uma sequência, "Dragontown", que seria a capital de Brutal Planet, e tem bastante material interessante também.

"Eu olho pra Kosovo, eu olho pra Rwanda. Nós nos sentamos e eles dizem (na TV) 'bem, trezentos mil tribais foram assassinados com machetes.' E nós meio que podemos ver isso na CNN e ah, mudamos de canal. Quão isolados nós estamos? Quero dizer, ao ponto que são trezentas mil pessoas. Sabe, se estivéssemos no meio daquela matança, não conseguiríamos dormir pro resto das nossas vidas, aquilo seria o inferno, nos daria pesadelos para sempre." Alice Cooper


Faixas essenciais: Brutal Planet, It's The Little Things, Take It Like a Woman, Sanctuary e Pick up the Bones.


VII.The Eyes of Alice Cooper

"And when you're old and gray, my jokes still make you smile."

É possível detectar vários artistas que chegam na meia-idade e entram numa fase onde começam a fazer o que os agrada e quem quiser que os acompanhe, pois caso tenham feito sucesso, já conseguiram conquistar dinheiro e reconhecimento o bastante. Um ótimo exemplo recente é o escritor Alan Moore, que declarou se aposentar das HQs, tem escrito livros e tá até cantando rap. Pra sorte de todos... o Alice Cooper só gosta de coisa legal pelo visto! Hehehehe. Meio que todos os álbuns depois da virada do século foram álbuns nesse estilo, e é incrível como mesmo parecendo trabalhos secundários se você analisa toda a discografia, eles são álbuns muito legais! "Dirty Diamonds", "Along Came a Spider", que era conceitual e os clipes eram cinematográficos, "Welcome 2 my Nightmare" e o último, "Paranormal", do ano passado. Em "The Eyes of Alice Cooper" uma boa definição seria: esse é um álbum do Alice Cooper, você já deve saber se gosta ou não. É um competente exemplo daquilo que ele faz melhor, criatividade absurda, um vai e vem entre músicas malucas, românticas e violentas, a titia mais doida de todas que aprendemos a amar.


Faixas essenciais: What Do You Want From Me?, Novocaine, Be With You a While, Love Should Never Feel Like This, The Song That Didn't Rhyme, I'm So Angry e Backyard Brawl.

O que fica é a cativação que traz a pergunta de sempre: o que mais será que o Alice Cooper vai fazer?

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